DONA MARLENE, NOS BRAÇOS DE JESUS

daniel2Por Daniel Thame.

Nos tempos de antanho, Buererema, Itajuipe, Coaraci, Ibicaraí, Jussari, etc., sempre que eram citadas, recebiam a indicação de pacatas cidades.

A pacata Buararema, a pacata Itajuipe, a pacata Coaraci…

Era uma espécie de contraponto às agitadas cidades de Itabuna e Ilhéus, metrópoles regiões, com o ônus e o bônus que o crescimento oferece e impõe.

Era também a confirmação de que se tratava de cidades tranqüilas, onde os moradores se conheciam e se respeitavam e em que a violência era quase uma abstração, de tão insignificante, reduzida a ocorrências, do tipo brigas, furtos e pequenos assaltos.

Assassinato, quando havia, era um acontecimento a ser lembrado por meses a fio.

Assim como a palavra “antanho”, caída em desuso, vão longe esses tempos de paz e tranqüilidade.

Que o diga a dona de casa Marlene de Jesus, que além de evangélica fervorosa ainda carrega o nome o Redentor na certidão de nascimento.

Moradora da ex-pacata Buerarema, que um dia já ostentou o singelo nome de Macuco, ela voltava de um culto, após ir ao sepultamento de uma tia.

Presume-se que tenha orado para que a alma da tia tenha encontrado a paz celestial, o descanso nos justos.

O trajeto entre a igreja e a casa é pequeno, mas dona Marlene de Jesus vive num tempo em que a violência não obedece distâncias, nem o tamanho de uma cidade.

Entre a igreja e a residência, ela se viu em meio a uma troca de tiros entre marginais, nessa insana guerra pelo controle de pontos de drogas.

Ainda tentou buscar um lugar para se proteger, mas acabou atingida por aquilo que se convencionou chamar, sabe-se lá porque, de bala perdida, visto que sempre encontra algum inocente para atingir.

Dona Marlene de Jesus tomou um tiro no abdome, foi socorrida a tempo, levada a um hospital e passou por uma intervenção cirúrgica.

Felizmente, não corre risco de morte.

De dona Marlene, a que encontrou motivação para sua existência ao se amparar na religião e se reconfortar nos braços de Jesus, pode-se dizer que é uma sobrevivente.

Uma abençoada!

Tantos outros não tiveram e nem têm a mesma sorte, nessa explosão irracional de violência, que assola pequenas, médias e grandes cidades, que transforma qualquer cidadão em vitima potencial.

Na ausência de policiamento e diante de um sistema que é mais de insegurança pública, só nos resta rogar aos céus e apelar para a proteção divina.

Haja santos, anjos, querubins e a afins para dar conta de tamanha demanda!



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