PARA ONDE VAMOS?

Artigo do ex-presidente da República, Fernando Henrique Cardoso, publicado neste domingo (01), em vários jornais do país.

fhcA enxurrada de decisões governamentais esdrúxulas, frases presidenciais aparentemente sem sentido e muita propaganda talvez levem as pessoas de bom senso a se perguntarem: afinal, para onde vamos? Coloco o advérbio “talvez” porque alguns estão de tal modo inebriados com “o maior espetáculo da Terra”, de riqueza fácil que beneficia poucos, que tenho dúvidas.

Parece mais confortável fazer de conta que tudo vai bem e esquecer as transgressões cotidianas, o discricionarismo das decisões, o atropelo, se não da lei, dos bons costumes. Tornou-se habitual dizer que o governo Lula deu continuidade ao que de bom foi feito pelo governo anterior e ainda por cima melhorou muita coisa. Então, por que e para que questionar os pequenos desvios de conduta ou pequenos arranhões na lei?

Só que cada pequena transgressão, cada desvio vai se acumulando até desfigurar o original. Como dizia o famoso príncipe tresloucado, nesta loucura há método. Método que provavelmente não advém do nosso príncipe, apenas vítima, quem sabe, de apoteose verbal. Mas tudo o que o cerca possui um DNA que, mesmo sem conspiração alguma, pode levar o País, devagarzinho, quase sem que se perceba, a moldar-se a um estilo de política e a uma forma de relacionamento entre Estado, economia e sociedade que pouco têm que ver com nossos ideais democráticos.

É possível escolher ao acaso os exemplos de “pequenos assassinatos”. Por que fazer o Congresso engolir, sem tempo para respirar, uma mudança na legislação do petróleo mal explicada, mal-ajambrada? Mudança que nem sequer pode ser apresentada como uma bandeira “nacionalista”, pois, se o sistema atual, de concessões, fosse “entreguista”, deveria ter sido banido, e não foi. Apenas se juntou a ele o sistema de partilha, sujeito a três ou quatro instâncias político-burocráticas para dificultar a vida dos empresários e cevar os facilitadores de negócios na máquina pública.

Por que anunciar quem venceu a concorrência para a compra de aviões militares, se o processo de seleção não terminou? Por que tanto ruído e tanta ingerência governamental numa companhia (a Vale) que, se não é totalmente privada, possui capital misto regido pelo estatuto das empresas privadas? Por que antecipar a campanha eleitoral e, sem nenhum pudor, passear pelo Brasil à custa do Tesouro (tirando dinheiro do seu, do meu, do nosso bolso…) exibindo uma candidata claudicante? Por que, na política externa, esquecer-se de que no Irã há forças democráticas, muçulmanas inclusive, que lutam contra Ahmadinejad e fazer mesuras a quem não se preocupa com a paz ou os direitos humanos?

Pouco a pouco, por trás do que podem parecer gestos isolados e nem tão graves assim, o DNA do “autoritarismo popular” vai minando o espírito da democracia constitucional. Esta supõe regras, informação, participação, representação e deliberação consciente. Na contramão disso tudo, vamos regressando a formas políticas do tempo do autoritarismo militar, quando os “projetos de impacto” (alguns dos quais viraram “esqueletos”, quer dizer, obras que deixaram penduradas no Tesouro dívidas impagáveis) animavam as empreiteiras e inflavam os corações dos ilusos: “Brasil, ame-o ou deixe-o.”

Em pauta temos a Transnordestina, o trem-bala, a Norte-Sul, a transposição do São Francisco e as centenas de pequenas obras do PAC, que, boas algumas, outras nem tanto, jorram aos borbotões no Orçamento e mínguam pela falta de competência operacional ou por desvios barrados pelo Tribunal de Contas da União. Não importa, no alarido da publicidade, é como se o povo já fruísse os benefícios: “Minha Casa, Minha Vida”; biodiesel de mamona, redenção da agricultura familiar; etanol para o mundo e, na voragem de novos slogans, pré-sal para todos.

Diferentemente do que ocorria com o autoritarismo militar, o atual não põe ninguém na cadeia. Mas da própria boca presidencial saem impropérios para matar moralmente empresários, políticos, jornalistas ou quem quer que seja que ouse discordar do estilo “Brasil potência”.

Até mesmo a apologia da bomba atômica como instrumento para que cheguemos ao Conselho de Segurança da ONU – contra a letra expressa da Constituição – vez por outra é defendida por altos funcionários, sem que se pergunte à cidadania qual o melhor rumo para o Brasil. Até porque o presidente já declarou que em matéria de objetivos estratégicos (como a compra dos caças) ele resolve sozinho. Pena que se tenha esquecido de acrescentar: “L”État c”est moi.” Mas não se esqueceu de dar as razões que o levaram a tal decisão estratégica: viu que havia piratas na Somália e, portanto, precisamos de aviões de caça para defender o “nosso pré-sal”. Está bem, tudo muito lógico.

Pode ser grave, mas, dirão os realistas, o tempo passa e o que fica são os resultados. Entre estes, contudo, há alguns preocupantes. Se há lógica nos despautérios, ela é uma só: a do poder sem limites. Poder presidencial com aplausos do povo, como em toda boa situação autoritária, e poder burocrático-corporativo, sem graça alguma para o povo. Este último tem método. Estado e sindicatos, Estado e movimentos sociais estão cada vez mais fundidos nos altos-fornos do Tesouro.

Os partidos estão desmoralizados. Foi no “dedaço” que Lula escolheu a candidata do PT à sucessão, como faziam os presidentes mexicanos nos tempos do predomínio do PRI. Devastados os partidos, se Dilma ganhar as eleições sobrará um subperonismo (o lulismo) contagiando os dóceis fragmentos partidários, uma burocracia sindical aninhada no Estado e, como base do bloco de poder, a força dos fundos de pensão. Estes são “estrelas novas”. Surgiram no firmamento, mudaram de trajetória e nossos vorazes, mas ingênuos capitalistas recebem deles o abraço da morte. Com uma ajudinha do BNDES, então, tudo fica perfeito: temos a aliança entre o Estado, os sindicatos, os fundos de pensão e os felizardos de grandes empresas que a eles se associam.

Ora, dirão (já que falei de estrelas), os fundos de pensão constituem a mola da economia moderna. É certo. Só que os nossos pertencem a funcionários de empresas públicas. Ora, nessas, o PT, que já dominava a representação dos empregados, domina agora a dos empregadores (governo). Com isso os fundos se tornaram instrumentos de poder político, não propriamente de um partido, mas do segmento sindical-corporativo que o domina.

No Brasil os fundos de pensão não são apenas acionistas – com a liberdade de vender e comprar em bolsas -, mas gestores: participam dos blocos de controle ou dos conselhos de empresas privadas ou “privatizadas”. Partidos fracos, sindicatos fortes, fundos de pensão convergindo com os interesses de um partido no governo e para eles atraindo sócios privados privilegiados, eis o bloco sobre o qual o subperonismo lulista se sustentará no futuro, se ganhar as eleições. Comecei com para onde vamos? Termino dizendo que é mais do que tempo de dar um basta ao continuísmo, antes que seja tarde.



5 responses to “PARA ONDE VAMOS?

  1. Esse senhor com letra minúscula entregou o Brasil aos gringos,vendeu a preço de banana nossas empresas ( para que serviu o dinheiro?)e ainda tem coragem de falar sobre o nosso grande presidente Lula.Devia ter vergonha na cara e aproveitar as mordomias de sua especial aposentadoria.O presidente Lula é um homem do povo,veio da pobreza e conhece o que é ser pobre.Já FHC…O Brasil vai muito bem obrigado, graças ao Governo do PT e seus aliados.

  2. Essa historia de continuismo me lembra a de um conhecido meu,metido a intelectual que se casou com uma mulher muito bonita, arretada e fogosa.ficou casado com ela durante oito anos e por incompetencia ou impotencia ou por nao gostar mesmo da coisa nao conseguiu fazer nenhum filho.segundo consta o cara era bom de lingua e so devia ficar trrando o saco da mulher em varios idiomas.Ate que a mulher encheu o saco,meteu o pè na bunda dele e se casou com um nordestino que tava dando mole por ali fazia tempo.nocomeço o cara deu uma estranhada e a mulher tambem andava mei desconfiada de homem,mas depois de um tempo os dois se entrosaram e ele danou a fazer filhos um atrás do outro, e vez por outra fazia quatro ou cinco moleques de uma fornada só.
    Fez um monte de rebento, tudo com uma saúded danada, e agora mesmo a mulher tá grávida de mais seis.
    Até já escolheram o nome da molecada: um vai chamar Pré-Sal, o outro Copa do Mundo, uma menina Olímpiada, outra goria Reserva em Dólar, outra vai chamar Marolinha,outro PIB sete e por ai vai {nordestinos põe uns nomes estranhos nos filhos!).
    Vão se juntar aos outros irmãos, Pagamento da Dívida,Pró-Uni, Bolsa Família, PAC (esse é apelido)e outros tantos mais.O interessante é que agora o antigo marido, que não fez porra nenhuma (literalmente) quando teve oportunidade, vive pra baixo e pra cima dizendo que essa filharada só nasceu por causa dele. Pode?

  3. “Esse senhor com letra minúscula entregou o Brasil aos gringos,vendeu a preço de banana nossas empresas…”

    não fosse por isso, naum terianmos celulares, internet, tv a cabo. vc se lembra do tempo da estatal telebahia, de quando uma linha telefonica custava 20 salarios minimos? que exemplo de gestão, naum eh mesmo? não fosse por este senhor, este blog seria gritado em praça publica pois naum teriamos internet e os comentarios seriam enviados em pombos-correio. vc prefere o brasil de hj, com estabilidade moetária conquistada atraves do plano real ou da época da inflação?

  4. falando em internet, vc sabia que lula, e seu governo gastão, cobram 42% de ipostos na conexão de internet anquanto os E.U.A. simplesmente naum cobram? vc sabia que a conexão brasileira eh a quarta pior do mundo? imagine se naum fosse por fhc…

    VIVA O MENSALÃO!!!

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