ARTIGO DE CÉSAR BENJAMIN: A GRANDE LÁSTIMA É SABER QUE TEM GENTE QUE ACREDITA

Quando o sindicato dos metalúrgicos de São Bernardo do Campo sofreu uma intervenção em 1980, e Lula, o seu presidente, foi preso pelo DOPS (Departamento de Ordem Política e Social), a opinião pública já tinha conhecimento do operário que desafiou o governo militar, trazendo de volta as greves, com o apoio em massa dos trabalhadores do ABC paulista.

Lula já era por demais conhecido e já surgia como uma liderança em ascensão, respeitada devido à capacidade notável de mobilizar a classe trabalhadora, ao carisma e poder de convencimento.

Várias personalidades da política, que já tiveram oportunidade de conviver com Lula, relatam que ele é um gozador, um brincalhão, que gosta de “curtir” com a cara dos amigos, ou como se diz na Bahia, “é um escroto”, definição extremamente coloquial do amigo que gosta de “sacanear os outros” usando palavrões, inventando “mentirinhas cabeludas”.

Decidi comentar o artigo do César Benjamin, que acusou o sindicalista Lula de querer “estuprar” um jovem (crime que antes era chamado “atentado violento ao pudor”) do MEP (movimento de emancipação do proletariado),  durante os 30 dias de cárcere em 1980 (clique aqui).

O relato é ridículo, não guarda nenhuma verossimilhança, pois o Lula perseguido pelo regime militar, levado à cela diante das câmeras de TV, jamais agiria de forma tão abjeta, já que sua prisão repercutiu em toda a imprensa, foi acompanhada de perto por várias lideranças políticas. Quando o Lula deixou a clausura para participar do velório da mãe, o fato causou comoção.

Com essa descrição rebato a tese que pretende justificar o comportamento desprezível, alegando que ele era “tosco” e sem “modos”, por ser um desconhecido, quase um “bárbaro”, devido também à barba mais longa do que a usada nos dias de presidente, modo de pensar típico dos reacionários e da elite preconceituosa da época, que por incrível que pareça, ainda persiste.

Benjamin engana quando afirma não lembrar do publicitário que também ouviu Lula admitindo que tentou usar o jovem. Como pode um publicitário não lembrar do outro, sendo que este outro se trata de Silvio Tendler, um ícone do cinema brasileiro, premiadíssimo, e muito conhecido pelo meio, por pessoas que produzem conteúdo audiovisual?

Tendler tem muitos filmes relacionados à ditadura militar, sendo assim, como pode um cara que passou anos encarcerado por “crimes políticos” (como no caso de Benjamin), não lembrar se Tendler ( pesquisador notório dos porões da ditadura) ficou ou não chocado com o relato?

A “interpretação” maldosa de Benjamin sobre uma brincadeira contada por Lula é na verdade uma resposta do mau-caratismo ao filme “Lula, o filho do Brasil”, que pode até cometer exageros, porém, não merecia um revide tão baixo e asqueroso como esse. Ainda bem que está sendo negada, inclusive, por opositores do presidente (clique aqui).

Além do mais, confunde-se o termo “culto a personalidade”, que não deve ser admitido como regime de propaganda instituído pelo governo, nos moldes que a história nos lembra (URSS, China e etc..). O filme sobre Lula é cinema produzido em um país democrático, que valoriza o passado da personalidade, portanto, não é propaganda governamental, oficializada pelas estruturas do poder.

Leia a entrevista de Silvio Tendler para o site Terra Magazine, desmentindo Benjamin, clique aqui.