A GRANDE SURPRESA

Por Carlos Pereira Neto.

O ano de 2010 começou com uma grande surpresa na administração política da cidade de Ilhéus. O Prefeito Newton Lima exonerou através de sucinto decreto todos os seus cargos de confiança. O ato tem em si duas leituras simultâneas, uma verdadeira e a outra falsa. A primeira e evidente. O governo assume a sua falência. A segunda, sub-reptícia, o prefeito tenta transferir para os seus auxiliares a responsabilidade pela situação. (“O treinador seria bom, a cachorrada é que não prestava”).

Não bastando uma grande surpresa, logo aparece outra. O governante, com novo coordenador político, o vereador Alcides Kruchevscky, convida o PT para entrar no governo. Este, para surpresa de ninguém, entrou por unanimidade na administração, evidentemente, “em nome dos interesses maiores de Ilhéus, para romper com a política provinciana e de umbigo, para salvar a pátria” e quem sabe, se der tempo, empregar alguns dos seus filiados.

A retórica montada por Alcides é bem articulada: “Vamos fazer um compromisso por Ilhéus e fazermos um pacto administrativo institucionalizado com os partidos com representações na Câmara”. Mas os fatos são outros: A aliança é eleitoral e administrativa com o PT, do qual o Governo Municipal espera influência nas esferas estaduais e federais pra conseguir recursos para sanar as finanças ilheenses e ir tocando o barco, porque, de sã consciência, nenhum dos caciques poderá esperar maiores coisas. Acompanhando o prato principal, ou melhor, ingredientes dele, as secretarias serão distribuídas entre os vereadores, mas como se fosse em nome dos partidos. Pronto está feita a receita da governabilidade: Arroz com feijão misturado com farofa, maxixe, jiló, maionese, tomate e pimenta vermelha. Assim Ilhéus entra na grande política.

O PT em sua nova missão cívica tem demonstrado que acredita poder abrir o “Mar Vermelho” e achar o caminho da “Estrada de Damasco”, já está em campo planejando, mirabolando, postoficando, trilhando a oeste e a leste, unindo-se ao Bahia ensejando a vitória. Logo-logo Ilhéus terá saúde da Suíça e planejamento alemão, mas tudo em inglês. A vontade é grande e tudo vale à pena se a alma não for pequena!

O busílis é que o Chef da cozinha continua o mesmo e aí está a origem dos problemas passados e futuros. O seu principal auxiliar até gosta de culinária e de bons vinhos, porém o Chefe é temperamental e dado a diatribes emocionais e pensa que toda ova é caviar. No Palácio tem intrigas e qualquer fofoca vira um estrujão danado com gosto de feijão azedo.

Aí Deus, que Ilhéus suporte!

Enquanto isso boa parte dos funcionários não receberam dezembro. Os professores não sabem quando receberão o 1/3 de férias e nem o salário de janeiro. O pessoal da saúde ainda não recebeu dezembro. Que belo natal!

Enfim, que todos tenham um bom 2010 e que tudo dê certo! Mas, pelo amor de Deus, sem demissões! Planejem, organizem, contratem técnicos competentes, aumentem a arrecadação, chega da velha fórmula “quem recebe tem a pagar e quem entrega a receber”. Mudem o guarda livros.

Tem quem diga que este cardápio só irá até outubro.



One response to “A GRANDE SURPRESA

  1. O inteligente Carlos Pereira gastou mais algumas letras. Para não perder a viagem, dá uma espetada nos antigos ex-companheiros, relembrando a rixa interna do passado governo jabista, desancando o guarda-livros – leia-se Gilvan Tavares – quando critica severamente o conhecidíssimo recebe e paga do técnico. Carlos sabe o que sofreu com as retaliações do Secretário de Finanças. Foi a melhor parte do artigo.

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *