QUAS-QUAS-QUAS-QUAS

Por Marcos Pennha.

Num hotel localizado na estrada Pontal/ Olivença, em Ilhéus, o Conselho Gestor da APA da Lagoa Encantada e Rio Almada reuniu-se para a leitura da ata e discussão em torno das compensações pela eventual implantação do complexo intermodal porto sul, no sábado, dia 28 de agosto último. A ata acima citada refere-se ao encontro dos conselheiros, dia 14 de agosto, em Itajuípe, quando foram consultados a respeito do complexo tema.

Há muita confusão de informações. Alguns meios de comunicação informaram que o Conselho concedeu a anuência, quando se sabe que o mesmo é consultivo, não deliberativo. Quem concede, ou não, a anuência é a Superintendência de Unidades de Conservação da Secretaria de Meio Ambiente (SEMA). O que se nota é que a grande massa, incluindo parte dos conselheiros, desconhece os trâmites do processo e o significado dos termos. O diretor-executivo do Instituto Floresta Viva (IFV), professor Rui Rocha, esclarece que mitigação é o ato de diminuir o impacto. Para explicar sobre condicionantes, Rui exemplificou: “Você entra na minha casa, desde que esteja limpo …”

A compensação vem como forma de proporcionar benefício, noutro lugar, em troca do dano irreversível provocado ao meio ambiente. Ainda segundo Rui, “é prematuro discutir condicionantes, considerando que o local é protegido e habitat de espécies em extinção, além de possuir valor paisagístico”. Com isso, ele conclui que os conselheiros podem ser responsabilizados por emitir opinião favorável a implantação do empreendimento sem, contudo, discutir a questão, minuciosamente.

Outro dia, presenciei um pai, respondendo ao filho que questionou “o que é compensação?”: “Compensação é o seguinte. Eu viajo, volto antes do dia combinado e encontro tua mãe na cama com um homem. O que eu sou, filho?” O garoto respondeu: “Corno”. Aí o pai, de bate-pronto, rebateu: “Mas em compensação, você é um filho-da-puta”.

Piada à parte, o negócio é sério. Impressionante como agentes de governo e empresa interessada no terminal de embarque do ferro marcam presença nas reuniões do Conselho, de forma incisiva, levando a alguns conselheiros a se sentirem coagidos para, na consulta, dizer amém. Eu soube até que, no encontro em Itajuípe, houve gente do governo afirmando que, se retardasse a votação favorável ao empreendimento, as compensações poderiam ser realizadas noutro local. Sem dúvida, essa possibilidade pode vir a acontecer. Universo é Universo, se é que vocês me entendem. O beneficiário da compensação é o meio ambiente. O problema é que é dose pra elefante (ou pra ilheense) Ilhéus ter grande área do seu território devastada, irreversivelmente, e por outro lado as compensações serem processadas em Codó, no estado do Maranhão. Codó compõe o Universo tanto quanto Ilhéus.

Pelo suposto levantamento de hipótese do agente governamental, o governo falou (e TÁ FALADO) que a geringonça de exportação do ferro, mais cedo ou mais tarde, acontecerá, MESMO, na área protegida por lei. Ainda analisando o que foi supostamente dito – o qual soou como PRESSÃO – é como se dissesse: “Então vota favorável logo, sem discutir, porque, se criar entrave, a vingança será a compensação bem longe de Ilhéus”. O velho adágio reza que “se conselho fosse bom, não seria dado, e sim vendido”. Hoje, parece que funciona diferente. Conselho é bom (DEMAI$). Por isso, é vendido. Se é que vocês sacam. Falemos de amenidades, como diria o colunista social. O buffet, preparado para conselheiros e demais presentes no sábado (28,) estava simplesmente MA-RA-VI-LHO-SO! Muito bonito o nome da empresa mineradora esculpido na melancia. A fruta poderia ser batizada de ‘baminlancia’. Observei o quanto de verde foi suprimido para fazer aparecer a marca da tal mineradora. O pouco de verde que restou cobria o predominante vermelho (cor do pó de ferro) interno da deliciosa fruta. Deixem-me abrir um parêntese. Existem internautas/ leitores deste site que debatem os temas, com bastante brilhantismo. No entanto, contrariamente, há uma turminha que comenta, totalmente fora do contexto, dando a entender que a intenção é só a de aparecer. No buffet da mineradora, havia, de igual forma, uma abóbora esculpida, talvez com o motivo de homenagear aos apreciadores de abobrinhas. Para estes, sugiro que pendurem uma baminlancia no pescoço e vá, nu, de Bradesco a Bradesco (ao longo da Marquês de Paranaguá, em Ilhéus), dançando o cha-cha-cha. Ô, menino, não tem como não APARECER!

Essas mesmas figurinhas censurarão, nem que saiba em pensamento, porque mencionei o complexo. É que isso, tal qual o político ficha suja que insiste em se candidatar, é igual ao tolete teimoso. A gente dá uma, duas, três, quatro, cinco descargas, e a droga volta.

Contatos com o autor: [email protected]



7 responses to “QUAS-QUAS-QUAS-QUAS

  1. Esse Marcos Penha nem pode ser chamado de palhaço pois,seria muito crédito dado a esse que se acha humorista.

  2. Esse candidato a humorista precisa entender o limite entre o que é sério e o que é brincadeira. Com sua cultura formada a partir da leitura de coletâneas de Ari Toledo, propõe-se a analisar questões de grande responsabilidade, como as decisões do Conselho da APA Lagoa Encantada/Rio Almada, como se estas pudessem ser incluídas em seu repertório de piadas velhas.

    É o verdadeiro bobo da corte dos “ambientalistas” de araque, que têm insistido na tentativa de desmoralizar o Conselho Gestor. Não respeitam um órgão formado por representantes de sete municípios, ONGs, Instituto do Meio Ambiente e outras instituições. Como o Conselho manifestou-se favoravelmente à implantação do terminal da Bamin em Ilhéus, seus membros seriam completos idiotas e despreparados.

    Os inimigos da democracia sempre têm um palhaço de estimação, para lhes fazer rir. Ocorre que às vezes a gracinha não tem graça nenhuma. Atacar uma decisão só porque ela contraria determinados interesses é típico de que não respeita as instituições e não sabe viver em um ambiente democrático.

    A quem acusa sem provas, vale a advertência de que a lei protege as vítimas das leviandades e até de um achincalhe barato como o que é feito pelo pierrô da Socorro.

  3. Engraçado eu nunca tinha visto vocês antes do complexo porto sul em nenhuma reunião do conselho e muito menos brigando por coisas que vá beneficiar a sociedade principalmente as aquelas pessoas menos favorecidas. Em seu comentario coloca Rui como se ele fosse o unico exclarecido que esteve presente na reunião do conselho, acho uma falta de respeito com os demais presentes e principalmente com os conselheiros que são pessoas que deixaram seus afazeres para dedicar seu tempo para suas comunidades .

  4. Eu vou defender o Marcos, ele tem razão, o Conselho é consultivo, não deliberativo, quem tem que liberar é o Ibama, e as respostas estão parecendo quando lobos são atacados, uai, a alcatéia tá solta, cuidado!
    Voces já ouviram o radialista carioca falando sobre o pó de purpurina que nós também seremos presenteados caso o porto sul venha? Pesquisem. Sou povo, não tenho terras na zona norte, nem quero emprego de um ano na construção do dito complexo intermodal (porque depois de proto é tudo automatizado, só máquinas trabalhando), mas receio não poder mais viver em Ilhéus, pois minha família é toda asmática e nós não fomos consultados se queremos essa merda.

  5. Marcos Pennha,

    Entre 1968 e 1983, aproximadamente enquanto durou a ditadura militaar no Brasil, tratar os temas sob a ótica do humor foi a forma séria e possível de denunciar as atrocidades cometidas pelos os que exerciam o poder naquele determinado período da nossa história.
    Ao que parece, o humor sobreviveu ao tempo enquanto denúncia e você, particularmente,sabe exercita-lo com maestria. Quanto aos incomodados, ora os incomodados, deixem que esperneiem e descubram uma maneira efricaz de entrar neste debate. Como diria Torquato Neto: vai Marcos Pennha “desafinar o coro dos contentes”.
    Um grande abraço,

    Dirceu Góes

  6. Caro Dirceu e Marcos

    Bem colocado, no tempo da ditadura militar esta forma de comunicação foi bem utilizada para tentar driblar a mordaça da ditadura, porém já esta ultrapassado este formato, exceto se o cara for muito bom o que não é o caso do Marcos. Apesar de estar dois anos fora do eixo Ilhéus Itabuna venho acompanhando a discussão e o que percebo é que há nas palavras de Marcos há um direcionamento do texto para um grupo especifico, ele perdeu o dom da universalidade da escrita, até parece que estão assoprando palavras ao seu ouvido. O bom escritor flui sem se deixar contaminar por nenhum dos lados, colocando em pratica o principio da imparcialidade. O sr Marcos Penha neste episódio se comporta como um capitão do mato a serviço do sr. da senzalas

    Um grande abraço,

  7. Caro Anísio,

    Ao escrever para o blogdogusmao Marcos Penha não exerce o papel do repórter que usa o conceito de objetividade onde, para construir o relato dos fatos, faz-se necessário ouvir e editar a opinião dos vários atores envolvidos num determinado acontecimento e tentar escrever com o máximo de imparcialidade, mesmo que esta imparcialidade, como dizem os pesquisadores da Comunicação, seja um conceito utópico e impossível de se efetivar.
    Ao escrever para o blogsogusmao, na condição de jornalista provisionado, Marcos Pennha exerce, sim, o papel do comentarista que acredita numa causa e emite opinião própria, aliás,garantida a todos nós pela Constituição Brasileira.
    É estranho, muito estranho que você esteja há dois anos distante do eixo Ilhéus/Itabuna e, de uma hora para outra, apareça para desqualificar a quem se posiciona com convicção, coragem e liberdade sobre as causas regionais e ilheenses. Se Marcos Pennha “se comporta como um capitão do mato a serviço do sr. da senzalas”(sic), a qual superior hierárquico o senhor se curva em subserviência rasteira?
    Ademais, qual o seu conceito sobre Comunicação/Jornalismo para falar que o humor é um formato ultrapassado enquanto denúncia política? O que, realmente, você entende por universalidade da escrita?
    Acredito que se estas questões fossem esclarecidas, talvez o debate sobre o projeto de exportação de minário de ferro previsto para a Ponta da Tulha ganhe um pouco mais de qualidade e opiniões plurais.
    Um grande abraço,

    Dirceu Góes

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