ENXUGANDO GELO

Assassinatos, ajustes de conta entre quadrilhas rivais, tráfico de drogas, assaltos à mão armada, corpos encontrados alvejados em áreas de desovas. Para alguns essa realidade está presente apenas em filmes policiais, ou nos noticiários dos grandes centros urbanos do país. Mas para muitos, em especial da nossa cidade, essas são situações quase que onipresentes em seus cotidianos.

Essas temáticas muitas vezes ganham destaque nas manchetes dos noticiários locais. Mas, de fato, só chamam a atenção quando rompem as barreiras sociais dos bairros periféricos e abalam a tranquilidade dos, digamos, mais abastados. Se há nesse mundo algo genuinamente democrático, podemos afirmar que é a violência. Ela, não faz distinção de cor, credo, nem classe, para se manifestar. Mas, enquanto ela estiver limitada a se suceder nos bolsões de miséria, muitos agirão como se tais fossem obras ficcionais. Ledo engano.

Enquanto políticas públicas sérias não começarem a ser implantadas, a exemplo de incentivos à cultura e ao esporte, visando evitar que centenas de jovens sigam sendo recrutados para a criminalidade, em nada adiantará aumentar o efetivo de policiais e disponibilizar mais vagas nas penitenciárias. Seria como querer combater a dengue, tendo como alvo apenas os mosquitos. A violência é uma mazela social com profundas raízes na nossa história. E se ela, não for combatida na sua citada raiz, será como literalmente, enxugar gelo.  Alguém discorda?



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