QUEM PODERÁ NOS SOCORRER?

Por Gustavo Felicíssimo

“as escolas estão aprovando alunos que não possuem a menor condição de avançar. O resultado prático reside no fato de que, sabendo de tal postura, parte dos jovens quando comparecem à escola, nem sempre participam das aulas e não se dedicam ao estudo”

Nunca me senti tão inseguro. A violência que campeia a Bahia é fruto de grande descaso não apenas com a segurança, mas, sobretudo, com a educação.

Tenho a convicção de que a péssima situação encontrada em nossas escolas e a falta de apoio, sobretudo aos professores, que são obrigados a conviver cotidianamente com pressões políticas que facilitam a vida do alunado por conta dos índices do famigerado IDEB que precisam, a todo custo, serem elevados ano após ano, ainda que à custa do analfabetismo funcional da população, está na raiz do problema.

Para ser mais claro: as escolas estão aprovando alunos que não possuem a menor condição de avançar. O resultado prático reside no fato de que, sabendo de tal postura, parte dos jovens quando comparecem à escola, nem sempre participam das aulas e não se dedicam ao estudo.

Isso porque, quanto menos repetências e desistências a escola registrar, melhor será a sua classificação, numa escala de zero a dez. Sendo assim, se a escola passar seus alunos de ano sem que reúnam condições, ela estará colaborando para que o estado alcance suas metas e receba mais recursos.

Desse modo, nossas salas de aula estão sendo habitadas por marginais mirins que desafiam o ambiente educacional, não colaborando com os professores, e o que é pior, levando armas e drogas para um espaço que deveria ser sagrado, mais sagrado que qualquer templo religioso.

Prova inconteste do que afirmo é o fato ocorrido com uma amiga, onde um aluno, insatisfeito por ter sido colocado para fora da sala por azucrinar o ambiente, atirou nela uma grande cesta repleta de lixo e dejetos de alimentos, fato que foi contemporizado pela direção escolar que, por sua vez, precisa aprovar o aluno ao final do ano, transformando-o em número saudável para o FUNDEB.

Por isso, e por outros motivos que não cabem nessa crônica, a notícia de que nos últimos dez anos a Bahia passou de décimo para o quarto estado mais violento do país, não me espanta.

Gustavo Felicíssimo é escritor.

www.sopadepoesia.blogspot.com



10 responses to “QUEM PODERÁ NOS SOCORRER?

  1. Assista a propaganda do estado da Bahia, relaxe e goze como diz a sacerdotisa Marta Suplicy. E bomba no rabo do povo!

  2. verdade! sou professor e há pouco tempo surpreendi um aluno de 13 anos com uma quantidade de maconha suficiente para cinco adultos durante uma semana.

  3. Procure saber, onde estuda os filhos,netos, sobrinhos, etc, dos político, que cobram esta aprovação em massa. Nas melhores escolas, e pagando com o dinheiro público, as melhores vagas, são deles e o povo, que fique com as migalhas

  4. Voce misturou o texto. uma coisa e o processo avaliativo que e usado hoje nas escolas publicas. outra coisa e a falta de politicas publicas para a juventude. o fatoda violencia nas escolas e o reflexo da sociedade. na escola tem tudo que esta nas ruas. coisas boas e ruins. e preciso fazer valer o estatuto da criança e do adolescente que isso acaba. outra coisa e a escola passar a v o adolescente como cidadão de direito. se errou deve ser punido. agora e muito facil apenas tentar resolver coo se o problema fosse do adolescente. a escola como esta tem avançar para atender os novos tempos.

  5. O pior é quem acredita nesses truques contábeis e acha que tá tudo maravilhoso. Superávits de mentira, “novas universidades” de mentira, aprovação escolar de mentira e por aí vai. O que importa é que agora o povão pode se endividar em 80 vezes, entao viva!

  6. perdoe-me, caro Joselito, mas seu argumento faz parte da dialética do governo. esse é o discurso mas não é a prática. trata-se de inclusão que é exclusão, entende? foram ideias como essas que levaram a escola ao estado em que se encontra hoje. se o gusmão me suportar continuarei o raciocínio em uma próxima crônica. forte abraço!

  7. Realmente em um texto não dá para expor todo o contexto dessa situaçao. Que passa por metas do governo, salarios ruins, professores mal preparados e desgastados, alunos sem motivaçao, violencia, familia desestruturada, drogas… E não se pode achar que isso só acontece na escola pública, a educaçao tb de “faz de conta” acontece escolas particulares. Até para cursos em faculdades publicas e particulares…
    É bom abrir os olhos!!!

  8. não, não meu caro felicimo. e so estudar dois dos maiores estudiosos do processo avaliativo: jussara hoffmam e celsom vasconcelos, e verás como e feita e como deve ser realizado o processo avaliativo na escola. quem deve ser avaliado e omodelo avaliativo no brasil. abraço.

  9. Joselito, o Felicíssimo fala no texto de uma coisas e você de outra. Você fala de processos avaliativos; ele, do processo de fragmentação e marginalização do ser humano com a colaboração da escola que, por sua vez, tem seus diretores sofrendo pressão política para o alcance de índices que os aprovem junto à instâncias superiores. Qualquer professor sabe que isso é a mais pura realidade. Você já participou de um Conselho de Classe? Nele, até papagaio de pirata é aprovado!

  10. Gustavo está correto em sua colocação. Nós, professores, por mais vontade que tenhamos, nos deparamos com situações que infelizmente fogem ao nosso poder. Estamos nas mãos: tanto dos alunos, quanto do governo (aqui não me refiro somente a gestão atual) ACM já havia nos deixado tal herança. Joselito, não coloque sua visão política a frente da visão humana. Estamos cavando a cova da educação. Seremos cumplices desse assassinato (caso não hajam mudanças) e cumplices sem nem mesmo concordarmos com tais procedimentos. Cabe, a nós, professores conscientes e não coniventes, darmos nosso máximo para tentar “salvar” o mínimo.

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