QUEM PODERÁ NOS SOCORRER? II

Por Gustavo Felicíssimo

“Mas eis que surge uma luz para a educação no Brasil, um projeto de lei do Senador Cristovam Buarque que está em trânsito no senado, propondo que todo político eleito (vereador, prefeito, deputado, governador etc.) seja obrigado a colocar os filhos na escola pública”.

A ideia da “progressão continuada” na educação básica, formulada por Paulo Freire, não é a chamada “promoção automática” dos dias de hoje. Pelo contrário, Freire defendeu o bom ensino, a educação como meio para a independência do ser, o respeito ao aprendiz e a garantia de que ler é direito de todos. Infelizmente, suas ideias estão distorcidas e o que vemos é a educação pública em crise e sua tese resumida à promoção automática. Isso significa que, conforme escrevi em artigo anterior (clique aqui), basta que o aluno faça sua matrícula, não importando se foi ou não alfabetizado, terá como “prêmio” no final do ano, a promoção para a série seguinte. Acho isso um absurdo, entretanto não significa que defenda a repetência em massa.

Mas eis que surge uma luz para a educação no Brasil, um projeto de lei do Senador Cristovam Buarque que está em trânsito no senado, propondo que todo político eleito (vereador, prefeito, deputado, governador etc.) seja obrigado a colocar os filhos na escola pública.

Sei o quanto é utópico um projeto como esse, como é pequena a possibilidade de ser aprovado, embora suas consequências pudessem ser as melhores possíveis, pois quando os políticos forem obrigados a colocar seus filhos na escola pública, a qualidade do ensino no país melhorará sobremaneira, inclusive a forma de aprovação, afinal todos nós sabemos das reais motivações políticas que movem a maioria dos nossos representantes.

Um dos argumentos do Senador para que seu projeto de lei seja aprovado é esse: “Talvez não haja maior prova do desapreço para com a educação das crianças do povo, do que ter os filhos dos dirigentes brasileiros, salvo raras exceções, estudando em escolas privadas. Esta é uma forma de corrupção discreta da elite dirigente que, ao invés de resolver os problemas nacionais, busca proteger-se contra as tragédias do povo, criando privilégios”.

Pois bem, esse é o Projeto de Lei nº 480, de 2007. Ele está emperrado no senado e só vai tramitar se houver pressão da opinião pública. Sabendo disso, já enviei e-mail à Senadora para a qual “emprestei” meu voto. Faça o mesmo!

Saiba mais:

Aqui, a situação atual do Projeto de Lei: http://www.senado.gov.br/sf/atividade/Materia/detalhes.asp?p_cod_mate=82166

Aqui, a relação de senadores, e-mail e telefone dos gabinetes: http://www.senado.gov.br/senadores/default.asp

Gustavo Felicíssimo é escritor.

www.sopadepoesia.blogspot.com



7 responses to “QUEM PODERÁ NOS SOCORRER? II

  1. Olha o Felicíssimo mais uma vez tocando na ferida. Em Salvador já existem gestores públicos propondo a reprovação zero, aprovando, inclusive nos 3º e 5º anos, mesmo que os alunos nada saibam, por diversos motivos que não cabem aqui agora, enquanto as redes privadas lutam contra estas aprovações automáticas. E tem uma incoerência enorme no meio de tudo: o índice do IDEB é auferido através de uma prova nacional aplicada com os alunos dos 3º e 5º anos, o que mostra o baixo nível da educação na Bahia, enquanto aprovação por sí só apenas amplia o índice de aprovados tão propalado pelos governantes, mas que não ajuda em nada.

  2. Como já dizia o velho Cae, na canção Haiti:
    Não importa nada:
    Nem o traço do sobrado
    Nem a lente do fantástico
    Nem o disco de Paul Simon
    Ninguém, ninguém é cidadão.

    Fátima Santiago (Professora)

  3. Acho que o projeto deva abarcar os netos também, pois, à toda evidência os filhos do dileto senador já terminaram a formação numa escola particular.

  4. a ideia de obrigar acaba deixando a coisa feia. agora entre politicos colocarem os filhos na escola publica e o professor eu fico com a segunda. e mais original. professor que coloca o filho na escola privada esta provando na minha opinião que não confia nos seus colegas e nem neles mesmo. por isso que esse debate tem que ter fundamento. politico com mandanto e passageiro, agora ser professor e para sempre. essa e a minha visão.

  5. a ideia de obrigar acaba deixando a coisa feia. agora entre politicos colocarem os filhos na escola publica e o professor eu fico com a segunda. e mais original. professor que coloca o filho na escola privada esta provando na minha opinião que não confia nos seus colegas e nem neles mesmo. por isso que esse debate tem que ter fundamento. politico com mandanto e passageiro, agora ser professor e para sempre. essa e a minha visão. vamos criar esse projeto então.

  6. eu, como professor, enquanto a escola pública for essa aí que se apresenta, jamais deixarei que filho meu a frequente, inclusive pq sou funcionário do estado e sei a quantas anda o ânimo dos meus colegas e como é baixa a capacidade da maioria deles.

  7. estou com o Senador. independente de classe social, pobre ou rico, tem direito a uma escola de qualidade.

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