ENTREVISTA DO CINEASTA SILVIO TENDLER À REVISTA CAROS AMIGOS

O cineasta Silvio Tendler fala, em entrevista exclusiva para a revista Caros Amigos, de sua vida, dos seus filmes, do cinema brasileiro e da cultura em geral. Demanda, com veemência, a existência de política pública para o cinema nacional não comercial e de mais espaços para exibição.

Os filmes do cineasta carioca procuram resgatar a memória brasileira e circulam principalmente em universidades, escolas e movimentos sociais. Tendler começou a se interessar por cinema cedo: nos anos 60. Então, entrou para movimento cineclubista e mais tarde enveredou para o filme-documentário. Hoje, tem mais de 40 curtas, médias e longas-metragens.

Os documentários mais conhecidos dele são Utopia e Barbárie (2009), Memórias do Movimento Estudantil (2007), Encontro com Milton Santos (2006), Glauber o filme (2003), JK (2002), Marighella (2001), Quilombos (1996), Josué de Castro (1994) e Jango (1984).

Segundo Tendler, o fato dele ter entrado no cinema em uma época de efervescência política e cultural, levou- o a fazer e defender um cinema político. “Naqueles anos 1960, eu começo a enveredar pelo caminho do cinema e enveredar pelo caminho do cinema político. Porque naquela época era assim. As pessoas naqueles anos 1960 vão se politizando”. E acrescenta: “No cineclube chamado Cineclube Charlie Chaplin, a gente tinha a pretensão de politizar, de conscientizar o povo”.

O cineasta também não perde a chance de dizer que se sente um E.T. fazendo cinema político hoje em dia e dispara contra os órgãos públicos: “um cara que quer fazer cinema político é meio louco. Cinema, hoje, é bilheteria, é mercado, é entretenimento”. Para ele não incentivo à cultura, e sim uma adesão a política de mercado.

Além disso, Tendler não poupa na Ancine (Agência Nacional do Cinema): “A Ancine se baliza pelo mercado. Então, como a Ancine contabiliza a bilheteria de um filme? Ela não considera, por exemplo, a sessão numa universidade, numa sala de aula. Ela não considera as sessões que o MST faz dos meus filmes”.

Para ele, os grandes cinemas da América Latina são Brasil e Argentina, mas o nosso vizinho leva vantagem por ter um cinema autoral. “A Argentina foi para um caminho autoral e o nosso vai para o mercado. Moral da história: eles têm dois Oscar e nós não temos nenhum”.

Na entrevista, o cineasta adianta, ainda, projetos para o futuro. Entre eles está um filme que está produzindo em parceria com o MST e a MPA sobre agrotóxicos. “Porque o Brasil é, de longe, o país que mais consome agrotóxicos no mundo”.



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