A DISPUTA TERRITORIAL ENTRE ILHÉUS E ITABUNA “NÃO É UMA QUESTÃO DE BAIRRISMO, E SIM DE DIREITO”

Entrevista com José Nazal. 

Jose Nazal

A capitania de São Jorge dos Ilhéus, doada pelo Rei de Portugal, D João III, em 1534, ao donatário Jorge Figueiredo Correia, possuía 50 léguas de largura  e englobava do Morro de São Paulo até à margem esquerda do rio Jequitinhonha, em Belmonte. Por ser imensa, abrangia também parte do Planalto Central, onde séculos depois foi construída a moderna e arrojada capital e núcleo do poder nacional, Brasília, inaugura em 1960.

Mapa que mostra o tamanho da antiga capitania de São Jorge dos Ilhéus. Imagem fornecida por José Nazal.

Da época da “doação” aos dias atuais, a história deu muitos saltos. Ilhéus deixou de ser sede de capitania (que por sinal não obteve sucesso econômico) e o Brasil tornou-se independente de Portugal.

Em 28 de junho de 1881, Ilhéus passou ao status de cidade e de lá pra cá, vem perdendo parte de seu território, através do surgimento de novos municípios, a exemplo de Coaraci, Uruçuca, Almadina e tantos outros, o que é plenamente justificável.

Recentemente, o assunto voltou à baila. Dessa vez, não se discute a emancipação de distritos à condição de cidades. Na medida em que o tempo vai passando, Ilhéus perde território para municípios vizinhos.

No centro da discussão atual, está uma disputa com a vizinha Itabuna pela arrecadação tributária das lojas Makro e Atacadão, próximas à zona urbana itabunense, porém, dentro do vasto território de Ilhéus.

Mapa atual do município de Ilhéus. Imagem de José Nazal.

O bravo e preparado soldado ilheense, José Nazal Pacheco Soub, munido de artefatos bélicos (feitos com puans de caranguejo) está disposto a romper os escudos de jaca dos soldados vizinhos. A guerra, neste caso, é apenas de argumentos, e Nazal, chefe de gabinete do prefeito Newton Lima, afirma que não se trata de uma disputa sob a névoa do bairrismo, e sim, apenas uma questão de direito.

Brincadeiras à parte, a verdade é que Ilhéus sofre invasões “dos amigos ao lado”. Pesa a favor, uma malha territorial definida pelo governo do estado em 2007, que “extirpa” áreas que pertencem a ex-capitania.

Ouça a entrevista de José Nazal ao Blog do Gusmão, onde o imbróglio é explicado.