ADEUS, 2011! BEM VINDO, 2012!

Por Marcos Pennha

Mais um ano que vai. Outro que vem. Momento em que as pessoas escolhem para reflexão, quando na verdade isso deveria ser uma prática diária. Interessante como, nesse período, aparece tanta gente fazendo previsões óbvias. O sujeito, com turbante na cabeça, indumentária paramentada branca, cheio de voltas no pescoço e pulseiras nos braços, joga os búzios na mesa e diz que a Xuxa tem que reforçar a sua segurança. A mesma preocupação vale para a Sasha. O outro esparrama as cartas de Tarô na banca, pega “o enforcado” e tasca: “Seo Sílvio Santos, o senhor precisa redobrar a atenção com a saúde”. Ora, ora, ora, quem não tem a obrigação de cuidar da saúde ou reforçar a segurança, diante da violência crescente, notadamente as pessoas notórias?

Deixemos essa questão de lado e falemos sobre as situações acontecidas, em especial na majestosa Ilhéus, que é onde eu vivo. O ano 2012 será de eleições municipais. Por esse motivo, em 2011, não faltaram especulações sobre pré-candidaturas a prefeito e vereadores.

No início do ano, a deputada estadual Ângela Sousa (PSC) promoveu uma feijoada com o fim de lançar, extra-oficialmente, a candidatura do vice-prefeito, seu filho Mário Alexandre (PSD). Presença maciça de populares e políticos, dentre os quais o vereador Marcos Flávio (PPS). Inclusive, houve quem dissesse, à época, que a deputada incentivou a dobradinha Mário/ Marcos. Seria a chapa Ma-Mar, sacou aí?

Quem assumir a prefeitura terá que reduzir os gastos. O bom economês recomenda o corte de despesas na impossibilidade de aumento de receita, com o fim precípuo de maximizar o lucro. Pelo menos, de corte de comida e redução de estômago Mário entende.

O prefeito Newton Lima (PT) não compareceu ao palanque armado para assistir ao desfile cívico em setembro, por causa de complicações de saúde. Ele, inclusive, foi transferido para um hospital da capital baiana Salvador, devido a gravidade. No burburinho do povo, alguém falou que o problema do prefeito foi parada. Um outro alguém questionou: “Parada cardíaca?” A resposta: “Não. Parada de 7 de Setembro”.

O certo é que não é tão simples resolver os problemas de uma cidade da grandeza de Ilhéus. Parece que, na previsão do pessimista, até Deus não resolverá em Sua gestão. Considerando que um minuto para o Todo Poderoso equivale a mil anos, o otimista afirma que o problema de Ilhéus será resolvido, por Ele (O Onipotente), em sessenta segundos.

A saúde pública da cidade permanece precaríssima. Não faz muito tempo, o bioquímico Alexandre Simões assumiu a pasta do setor. Não se sabe o que o secretário tá fazendo, porque ninguém ouviu, ainda, sua voz nos meios de comunicação, que são interlocutores da população. Aliás, o que se soube é que, numa reunião, o secretário desconvidou o presidente do Conselho Municipal de Saúde, Yolando Souza. Taí uma coisa diferente! Jamais tinha ouvido falar nesse verbo ‘desconvidar’. Usando o jargão do presidente de honra do Partido dos Trabalhadores (PT), Lula, nunca na história do Brasil ouviu-se o caso de alguém ser desconvidado, mesmo sendo penetra, quando a vítima do ‘desconvite’ encontra-se no evento. Que que é? Não posso criar minha palavrinha também não?

Mudando de pau para cacete, dizem que o problema é que o jovem secretário não gosta de ouvir ‘conselho’. Pegou aí o lance? Tomara que isso não seja verdade. E se for, que o menino (ops, o sr. secretário) ouça a seus pais Nelson Simões (chefe de gabinete do governador) e professora Renilma Freitas, veteranos militantes petistas. O povo já não suporta mais ver luvas odontológicas, seringas, medicamentos e médicos desconvidados dos postos.

Lembrei-me de que três pessoas desconvidaram o editor desse site, Emílio Gusmão, para a festa de réveillon. Os autores do desconvite são uma deputada, um ex-presidente da Câmara e um ex-secretário municipal. Tá dado o recado.

Por falar em Câmara Municipal, em que pé anda aquela situação de alguns funcionários que recebiam salário sem comparecer ao trabalho? Caiu no esquecimento? O que ninguém esquece é que o presidente da casa do povo ficou preso dentro do carro Mitsubishi, por não saber manusear os botões do painel. Um dia desses, esteve na cidade uma limousine branca, que saiu até na capa da edição especial de fim de ano da revista Folha da Praia. Dizem que gato escaldado tem medo de água fria. Aquele mesmo vereador, que ficou preso dentro do carro importado, ao avistar a limousine, desmaiou. Uma velhinha de 90 anos, vendo a cena, parou em frente ao desmaiado, colocou a mão na cintura e tascou essa: “Tem medo de carrão, héin? Já de fantasma, nem um pouquinho, né, “do gás”?”

Lixo. A cidade anda inundada de lixo. Como pode um lugar talhado para ser turístico viver dessa maneira? Revoltante, também, é os funcionários da limpeza pública receberem seus salários com atraso. Estapafúrdia é a idéia da empresa contratada, a Porcotorp, não cumprir sua obrigação trabalhista, porque a prefeitura não lhe pagou.

Falando em lixo, não poderia deixar de lembrar do vídeo em que um australiano produziu; onde ele, acompanhado de crianças, dançava em diversos pontos de Ilhéus tomados por sujeira. Houve quem condenasse o ato irreverente, por ser ele um estrangeiro. Não tenho procuração para defendê-lo, no entanto aproveito para repudiar esse comportamento xenófobo: QUER DIZER QUE SÓ O ILHEENSE TEM O DIREITO DE SAMBAR NO LIXO, E O ESTRANGEIRO NÃO? Parafraseando, o lixo é para todos. O reciclado, para alguns. Seria bom até que fossem lançados outros ritmos de dança no lixo, como o arrocha, por exemplo. Nesse caso, até combinaria melhor o gênero musical com o cenário.

O que não pode é soltar o sarrafo no rapaz, para que ele saia pulando, feito um canguru, de Ilhéus à sua terra natal. Vamos lançar uma campanha unificada, condensada, apropriada: “Abaixo a LIXENOFOBIA”.

A atuante ativista social Maria do Socorro Mendonça sugeriu que seus amigos, conhecidos e desconhecidos, num sábado, limpasse duas das praias mais conhecidas da cidade: da Avenida e do Cristo. Segundo ela, cada um que comparecesse estaria presenteando-lhe somente com a presença, pois era justamente no dia de seu aniversário. Resultado, quem criticou a boa ação não lhe presenteou, nem com lixo, nem com luxo.

Tá na hora de encerrar o festival de bobagens. Só uma dica. A solução para os problemas cruciais de Ilhéus está bem guardada. O projeto para a nova ponte centro/ zona sul, sabe onde se encontra? Bem guardado no interior da sucuri que alguém jurou ter visto na Barra. Só precisa, agora, encontrar a bendita cobra e saber quem vai encarar a difícil missão. Paz e humor a todos!

Contatos com o autor: [email protected].



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