A COMUNICÓLOGA, OS TUPINAMBÁ E OS RISOS ESTRIDENTES

Fico surpreso quando ouço no rádio uma comunicóloga corroborar com este lugar comum muito repetido na imprensa regional:

“Os Tupinambá de Olivença não são índios”.

Ora, ora! Quem passou pelo curso de comunicação social da UESC, leu, obrigatoriamente ou com prazer, trechos do livro “Dos meios às mediações”, de Jesús Martin-Barbero, editora UFRJ.

No capítulo “a impossível pureza do indígena” (página 272), o autor constesta a exigência por um índio “puro”, até mesmo silvícola, como deseja a nossa comunicóloga da FM.

“Por um longo tempo a questão indígena se manteve presa de um pensamento populista e romântico, que identificou o índio com o mesmo, e este, por sua vez, com o primitivo. E convertido em pedra de toque da identidade, o índio passou a ser o único traço que nos resta de autênticidade: esse lugar secreto onde subsiste e se conserva a pureza de nossas raízes culturais. Todo o restante não passa de contaminação e perda de identidade. O índio foi assim convertido no que há de irreconciliável com a modernidade e hoje privado de existência positiva. Como afirma Mirko Lauer: ‘estamos no reino do sem história, do índio como fato natural deste continente, o ponto de partida imóvel a partir do qual se mede a modernidade’. Porque pensá-lo na dinâmica histórica já é pensá-lo a partir da mestiçagem, na impureza das relações entre etnia e classe, da dominação e da cumplicidade. É justamente desta maneira que hoje se procura pensar, reconceituando o índio a partir do espaço político e teórico do popular, isto é, como culturas subalternas, dominadas, porém possuidoras de uma existência positiva, capaz de desenvolvimento”.

A nosssa comunicóloga não deve ignorar o roubo de terras (ou a troca por cachaça), as novas doenças e a desintegração das comunidades, como fatores prejudiciais aos povos indígenas no decorrer da história.

Não basta ser bonita para se notabilizar, tem que emitir comentários ao invés de somente ler textos. Se o chefe provoca risos estridentes no ar, tudo bem, fica até bonitinho, entretanto, é necessário discordar dele, quando merecer.

Vale a pena revisar os textos.



5 responses to “A COMUNICÓLOGA, OS TUPINAMBÁ E OS RISOS ESTRIDENTES

  1. Esqueceu um detalhe histórico: Não houve troca de terra por cachaça… houve sim, a introdução massiva de mais de 1000 anos de tecnologia vinda da Europa. Naquela época os índios não conheciam o aço, espelho e outras tecnologias que, com muito otimismo, eles poderiam vir a descobrir uns 2000 anos depois. Mas isso é só uma mínima parte da história. Acreditar que os pobres índios (cerca de 100 milhões naquela época)sempre foram as vítimas de uns poucos europeus que chegavam aqui subnutridos, depois meses de viagem é uma patologia chamada “História do Brasil politicamente correta”. Faça as contas e observe que depois 512 anos, se não tivéssemos sido invadidos, estaríamos seguramente sacrificando virgens para o Deus sol. Naturalmente, não posso negar as atrocidades (algo normalíssimo naquele momento e principalmente quando uma civilização superior invade uma inferior)… tampouco pode-se santificar os “selvagens”. Quer saber onde eles estão? busque um laboratório de genética ou a sua própria cultura…. ficará surpreso!!

  2. Erratas do Rico:
    1ª- 100 milhões de índios na época do descobrimento tá errado,na verdade, as estimativas variam, mas chegam, no máximo, a 8.000.000 de índios no Brasil, o que já era significativo.

    2ª- No Brasil, alugumas civilizações indígenas, da época do descobrimento, praticavam a antropofagia, comiam ritualisticamente os inimigos vencidos em batalhas. Não há registro no Brasil,até que me prove,de sacrifícios de virgens para o deus Sol.

    Importante: Esqueceu de registrar a grande intensidade de miscigenação colonial (cultural e sexual) entre portugueses e índios, que depois se complicou ainda mais com a miscegenação sexual e cultural com os africanos. Cerca de 33% dos Brancos brasileiros têm sangue ameríndio. Ver pesquisa UFMG geneticista Afonso Pena. Certamente, bom percentual dos auto-denomindos afro-descendentes no Brasil têm, também, ancestralidade indígena. “Engraçado” é que o Estado brasileiro contemporâneo protege legalmente a identidade afro-descendente,mas, não reconhece com políticas públicas a identidade do os ameríndio-descentendentes.

  3. ACHO QUE O BRASIL TEM UMA GRANDE DIVIDA COM ESSE POVO,POIS DESDE SUA INVASÃO NAO FOI RESPEITADOS NEM UM SO MOMENTO,NAO SOMOS POVOS ATRAZADOS,SOMOS OS ULTIMOS QUE AINDA PERSISTE NESSA LUTA PELA NOSSA SOBREVIVENCIA,AINDA ESTAMOS VENDO AQUELES MESMO PENSAMENTOS ATRASADOS DE QUEREM NOS DESTRUIR,ENTES SE MATAVAM VIRGENS PARA O deus DO SOL E HOJE CONTINUA PIOR A MATANÇA POR QUAL MOTIVO, O SEU RICO PODERIA EXPLICAR,QUE CIVILIZAÇÃO SUPERIOR E ESSA HOJE A CIVILIZAÇÃO SUPERIOR VIVE AI NA MISERIA DO MUNDO SEM CULTURA A CULTURA DO CONSUMO DESINFREADO ACABANDO COM A NATUREZA QUE O INDIO TANTO RESPEITA.VCS QUE ESTUDAM TANTO PARECE QUE NÃO VER A REALIDADE.

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