O RIDÍCULO ENTRA EM CAMPANHA

Por Ricardo Ribeiro

Os políticos não se conformam apenas em prometer o que não irão fazer. Alguns deles também insistem, quando em campanha, em querer ser o que não são, num total desrespeito à inteligência do eleitor. Mostram, de cara, a firme disposição de apresentar-se com o que seria o perfil esperado, ou seja, jogam claramente para a torcida, firmando aliança com a pirotecnia, fazendo coligação com o ridículo, para não dizer com o grotesco.

Aqui e acolá, existem candidatos às prefeituras interpretando personagens, em atuações pouco convincentes. No Rio de Janeiro, o prefeito Eduardo Paes, que disputa a eleição, estatelou-se no solo ao tentar subir em um skate. O tucano José Serra, candidato à prefeitura paulista, foi mais esperto: quando viu que o tombo era certo, preferiu tirar o pé da prancha sobre rodas.

Outros candidatos andam na prancha da embromação sem a menor cerimônia, mas com pouca desenvoltura. Em Itabuna-BA, teve uma que, durante caminhada por um bairro, viu um grupo preparando massa de cimento no meio da rua. Não contou conversa: arrastou o cabo da enxada e posou para a foto, querendo passar a imagem de que é boa de serviço ou que é de colocar a mão na massa.

Plugado e conectado, o eleitor deixou de ser bobo faz tempo. Logicamente, o marketing o influencia, mas não a apelação grosseira. Em vez da admiração pretendida, é muito mais provável que o espectador da cena reaja com o velho “me engana que eu gosto”.

Em tempo: o próximo compromisso da agenda deverá ser o de bater uma laje na casa situada na Rua dos Bobos, número zero. Outra sugestão é lustrar todos os móveis do comitê político com óleo de peroba. Basta separar um pouquinho do que usa na maquiagem, que dá de sobra.

Ricardo Ribeiro é editor do Cenabahiana.



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