AS DELÍCIAS DE MARLY LIMA, A QUITUTEIRA DO CHOCOLATE ARTESANAL

De Marcos Pennha para o site Esperança-Conduru

Fotografias de Mario Nogueira e Emílio Gusmão

Nossa equipe de reportagem teve um papo bastante agradável com a empresária Marly Brito de Lima (Veja parte da biografia abaixo), 42, dona do Café com Cacau. A marca registrada Café com Cacau nasceu na Vila de São José, em 25 de dezembro de 2003, e, atualmente, tem a filial na estrada Itacaré/ Ilhéus, junto a Casa da Tapioca.

Tudo começou com o convite do Instituto Floresta Viva, através do diretor Rui Rocha, a Marly para atuar como empreendedora. O Floresta fez o aporte de mil reais; valor que ela investiu, sabiamente, na compra de xícaras, colheres, formas de bolo e demais acessórios para iniciar a produção.

O gestor da vila, Cléber Filho, sugeriu que Marly fizesse cocadas para incrementar o negócio, durante o período de 60 dias de experiência. A força de vontade e o espírito empreendedor de Marly – mais o contrato de comodato de manutenção do espaço do Café entre Vila de São José e Floresta Viva – possibilitaram o nascimento desse empreendimento.

Sede do Café com Cacau na Rodovia Ilhéus – Itacaré.

Hoje, o Café com Cacau produz mais de vinte itens feitos com cacau; geleia, mel líquido, trufas – também com cupuaçu, bolos, patês, milk shakes, chocolates quentes e o tradicional café com cacau, dentre outros.

Todas as gostosuras são feitas com produtos orgânicos de 85 % de pequenos produtores como dona Regina, seu Nequinha, seu Zé de Lica e um senhor de Taboquinhas, que fornecem cacau, pimenta, cupuaçu e hortaliça. É o incentivo aos pequenos produtores e, muito mais, à preservação do cacau. Só para se ter uma ideia, no mês de agosto, Marly comprou 45 kilos de cacau apenas para a produção da loja 1, totalizando 120 kilos de amêndoas para as duas lojas. Os agricultores entregam a amêndoa seca e a equipe de Marly torra, descasca e faz o chocolate.

Segundo Marly, a produção do Cacau com Café conta a colaboração de Adriele (18 anos), Bruna (26), Rosilda (24) e Zeni (22), além do cacauicultor Roberto Setúbal (ex-prefeito de Itacaré), que lhe acompanha, às vezes, nas fazendas desconhecidas para conferir se o cacau é orgânico.

Bem satisfeita com os resultados, Marly revela que, ainda neste ano, serão inauguradas duas lojas, na Bahia, em novembro. Uma na estrada Pontal/ Olivença, em Ilhéus; outra em Mata Viva, sentido Gandu. Em dezembro, no bairro Pituba, na capital baiana Salvador. O Café com Cacau já é conhecido em diversas partes do mundo. Recentemente, um grupo de franceses encomendou as guloseimas. Isso acontece devido a parceria mantida com o Itacaré Ecoresort (sediado na Vila de São José) e Txai Resort (luxuoso hotel que fica na estrada Itacaré/ Ilhéus). A divulgação em revistas, como Próxima Viagem, Espaço 3D, Istoé, Caras, Muito (suplemento de ATARDE) e Siga Viagem, bem como matérias nos jornalísticos do SBT e da Rede Record, contribuiu para os reconhecimento nacional e internacional. O início dessa disseminação foi com a revista Próxima Viagem. O prosseguimento aconteceu com a visita da degustadora paulista Olga Cléo, também diretora da revista Espaço 3D.

Marly não pretende abrir franquia, pois teme que a sua receita seja desvirtuada. Ela prefere, por enquanto, manter o excelente sabor proporcionado pela forma artesanal de produção.

A empresária

Marly Brito de Lima, 42, é a primeira filha, dos sete filhos, de Nanci e Gilberto Alves de Lima (conhecido pela alcunha de “seu Beca”), 75. Nativa de Taboquinhas (distrito de Itacaré), Marly morou em Brasília e São Paulo, para onde levou alguns dos seus irmãos. Em 2000, voltou a Itacaré, obedecendo ao pedido de sua mãe, que apareceu numa reportagem do Globo Repórter sobre a importância da preservação do meio ambiente. Daí, trabalhou na feira, chegando a dormir na barraca, como ambulante, vendendo queijo e requeijão, até 2003; quando recebeu o convite do professor Rui Rocha (diretor do Instituto Floresta Viva) para atuar como empreendedora (Veja informação acima).

Marly, hoje, ensina a preparar chocolate às crianças da Vila São José e do Txai Resort. Mas ela quer mais. Pretende levar a experiência, que começa desde o processo de colheita do cacau, para as escolas públicas de Itacaré, Ilhéus e Itabuna. “Há gente, mesmo em Itacaré, que não conhece uma plantação de cacau”, revela Marly.

Quando prepara o chocolate, Marly pensa no carinho da sua mãe, no amor de seu pai e de Deus. Ela aprendeu muito com os ensinamentos de seu Beca, um agricultor que ensinou que não se deve quebrar os galhos, nem arrancar as folhas das árvores. Marly considera um presente o fato do seu pai ter-lhe criado na zona rural. Foi um aprendizado de como preservar a natureza e tirar proveito dela. Seu Beca juntava os filhos e mostrava o quanto as formigas trabalham. Daí, orientava que os seres humanos devem fazer o mesmo para se sustentar. Com seu Beca, ela também aprendeu que “Querer é poder” e que “Tudo posso Naquele que me fortalece”. Ao lado de seus filhos Bruno (29), Bruna (26) e Caroline (18), Marly sente-se plenamente feliz e forte em busca de mais realizações.



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