CÂMARA NA ZONA DE PERIGO

Por Marcos Pennha

pennha novaEm menos de 90 dias de funcionamento das sessões da Câmara Municipal de Ilhéus, já é possível traçar o perfil dessa chamada Casa do Povo. Lembro-me, como hoje, de quando o então vereador Alcides Kruschewsky (PSB), antes das eleições de 2012, falou no plenário, dirigindo-se à gente da galeria: “Se vocês acham que a atual legislatura é a pior de todos os tempos, aguardem a próxima”. 

Não sou pessimista, porque ainda há tempo de Alcides, atual secretário municipal de Turismo, não fazer jus ao seu apelido de Pai Cidão; muito embora existam alguns vereadores esforçando-se para que a previsão anunciada, veladamente, concretize-se. Claro que o experiente político Alcides fez a afirmação, tendo por base a forte probabilidade de reeleição e eleição de alguns dos postulantes. 

É preciso que se faça uma reflexão a respeito do comportamento dos atuais vereadores, a partir do lamentável episódio acontecido na Câmara, terça-feira, 19 de março, dia de São José, santo considerado como o padroeiro dos trabalhadores e das famílias, além de ter sido designado por Deus para se casar com a jovem Maria, mãe de Jesus, segundo a Bíblia. 

O vereador Aldemir Almeida (PSB), pela primeira vez em 8 anos e três meses – segundo o próprio – discursou, de pé, no púlpito. A explicação dele é que se sente mais confortável ao discursar sentado. Aldemir, também médico e empresário da medicina e da construção civil, leu um extenso texto, onde boa parte das palavras era ofensiva ao editor do Blog do Gusmão, comunicador Emílio Gusmão, também assessor do vereador Fábio Magal (PSC). 

Aldemir, insatisfeito com o que o blogueiro escreveu a respeito dele, ofendeu, agrediu duramente com palavras e até ameaçou, justo no dia do santo silencioso. Em suas palavras, não faltaram vagabundo, bandido e prostituta, concluindo, em tom ameaçador, vociferando: “Se eu não fizer, eu mando fazer”.  Pediu, inclusive, que constasse em ata tamanha grosseria expressada. Ainda apresentando desequilíbrio emocional, o vereador pediu que parasse de escrever sobre ele ou seus atos. “Me deixe em paz”, suplicou. 

Como cidadão dessa cidade, digo que o referido ato constituiu desrespeito ao povo, à imprensa, aos demais colegas de parlamento, e, consequentemente maculou a imagem da instituição, que deveria repudiar, oficialmente, a ação insana do cidadão, que está vereador. Ora, se alguém se sente caluniado, injuriado ou difamado, que procure os meios legais. A Justiça tá aí pra isso. Não tenho procuração para defender o blogueiro Emílio, contudo penso que sindicatos e associações ligados à comunicação devem, também, repudiar o ato, publicamente. Nenhum membro do segmento imprensa está livre de sofrer ameaça dessa natureza ou mesmo de ser vítima da concretização de tal. 

A atual legislatura, de 19 vereadores, é composta por maioria de gente equilibrada, séria e comprometida com os anseios da população. Podemos citar, representando a parcela sã da Casa, os componentes da mesa diretora Josevaldo Machado (Presidente, PC do B), popularmente Dr. Jó, e Ivo Evangelista (1º Secretário, PRB). Essa turma do bem pode ser encontrada tanto no rol de vereadores da bancada do prefeito Jabes Ribeiro (PP), como na de oposição, sem distinção se veteranos ou novatos. 

A política nacional anda recheada de políticos que estão, no mandato, em defesa de seus interesses pessoais. Nota-se, facilmente, em seus olhares e comportamentos, o deboche, o escárnio, o motejo, a gozação, o desdém ao povo. A conduta raivosa contra quem não satisfaz seus desejos puramente pessoais ainda existe em políticos das cidades de pequeno porte ou das grandes, que não acompanharam a nova política, baseada na defesa do interesse coletivo. Nota-se também a vergonha estampada na face dos novatos detentores de cargo público eletivo, ao saberem que têm esses tipos de políticos atrasados como seus colegas. 

Reitero, a atual legislatura tem condições de se notabilizar com o trabalho de excelência, até o final dos 4 anos, na Casa por onde passou ilustres como Amilton de Castro e José Lourenço da Fonseca Silva, dentre outros de igual valor. A oposição é fundamental na DEMOCRACIA (Poder do Povo). Na nova política, é nocivo fazer oposição dividindo. Oposição pode, e deve, ser feita com cooperação. E na Câmara de Ilhéus, há quem faça dessa maneira. Graças a Deus! 

* Marcos Pennha atua como assessor de comunicação, é associado-fundador do Instituto Nossa Ilhéus e, acima de tudo, cidadão. Contatos: [email protected]



5 responses to “CÂMARA NA ZONA DE PERIGO

  1. Um caso de polícia!!! Gusmão tem que pedir proteção….Salve engano, existe uma lei que condena quem ameça. O Gusmão foi ameaçado. Vai deixar pra lá, Gusmão??? Ninguém lhe poupou dos processos por suas reportagens com charges dos políticos corruptos da época….

  2. Mas já não foi publicado que o Vereador Aldemir Almeida, já se desculpou por este destempero e pronunciamento infeliz? Que teremos (como cidadãos) de ganhos em reviver esta ocorrência que anuvia nossas expectativas de termos uma Câmara melhor? Que tal emitir notas e comentários sobre outros pronunciamentos de outros edis, que mereçam ser divulgados, copiados e repetidos? Podemos também fazer com que os incorretos se auto-corrijam pondo em evidência a efetivação de atos e práticas no nível da Ilhéus que estamos a construir. Sempre acho uma perda ocuparmos com passados ruins que nada agrega ao nosso trabalho de construção de futuros melhores.

  3. SE DEPENDER DE MIM ELE JÁ ESTA REPUDIADO, O QUE PRECISO E ENVIA ESTA AMEAÇA A REDAÇÃO DO FANTASTICO PARA QUE ATO DESSA NATUREZA NAO SE REPITA MAIS.

  4. Finalmente alguém com voz livre.

    Opinião própria e coragem, é como resumo esse profissional, diria que um verdadeiro aluno de Sócrates.
    Parabéns Marcos e sucesso.

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