E NÓS É QUE SOMOS TAXADOS DE BADERNEIROS? FALA SÉRIO VAI!

Por Mohammad Jamal

Um diálogo frutuoso ao telefone; quem sabe, via Voip, adquirido através a Telexe free? Asas à imaginação; nem tão imaginativa, tampouco não muito distante duma realidade inconfrontável. Já vislumbrei pasmo, fatos mais esdrúxulos e inimagináveis que essas cáusticas analogias que vou proferir aqui. Já li sobre dólares nas cuecas! Já li sobre roubo e desvios de dinheiro público sendo, na mídia, teatralmente mimetizado e confundido grosseiramente como ganhos em premiações repetidas na Loto! Ate tive acesso a um trecho do áudio dessa peça levada em Brasília, publicado pela imprensa! Quando perguntado: “_E essa dinheirama toda, de onde veio?”. Resposta dando origem e legalidade à grana: “_Joguei na Loto! Deus me ajudou e eu ganhei dinheiro!”… Aplausos! Ate vi na TV um vídeo onde mãos expertas recolhiam com ágil ergonimicidade alguns maços de cédulas de cem reais, quase as teletransportando para bolsa e bolsos, tamanha a velocidade. E ainda tem aquelas mãos sem digitais papiloscópicas, apócrifas, literalmente invisíveis, telecomandadas à distância via computadores sem IPs! Essas são as piores ratazanas.

 – “Pois é”. _ “Alo… Quero falar com o prefeito.”.

Expeditivo e lesto, eis que acorre o esbaforido prefeito ao telefone:

_ “Oi Deputado Excelência! Que prazer inusitado ouvir a voz de vossa excelência em tão auspicioso di…”. Interrompido e atropelado no discurso babaovista de loas efusivas.

_ “O lha prefeito: a verba que eu estava empenhado em aprovar para a construção daquela ponte aí no seu município, saiu! Foi aprovada hoje!”. Risos fartos…

Ele, o prefeito, entre exultante e efusivo: _ “Que maravilha excelência deputado! Meus parabéns excelência deputado! O senhor foi…”. Mais uma vez interrompido abruptamente por sua excelência, superatarefado e sobrecarregado de compromissos legislativos:

_ “Ora… Parabéns pra nós é claro; foi o que você quis dizer, não? Escuta… Agora dê um tempo por aí antes de começar a ‘aplicar’ essa verba, porque ainda vou trabalhar naquela outra verba pra custear o desvio do rio sobre o qual você vai planejar construir essa ponte, viu?”.

Seria indevido, além hermeneuticamente inadequado, pois conflita à temporalidade presente dos fatos, valer-me dos verbos no particípio passado. Não há dicotomia, tampouco ambivalência, por isso, não cabem nem atendem os parafraseados que exigem indicativos presentes ou, no mínimo, uma forma lexical afirmativa. A política praticada em nosso país entremeou-se, ou melhor, infiltrou de tal forma o tecido do Estado, que já não conseguimos distinguir as fronteiras que deveriam separar um Estado Constitucional independente, livre do poder que lhe submete impositivamente o novo Estado Político Partidário voltado para interesses singulares das oligarquias dominantes. Nesse interstício, tratam o Brasil como rendoso feudo e, ao povo; em corvéia, retribuem com mínimas sobras daquilo que, por desuso e desimportância descartaram por fartos do consumo drenado da coisa pública.

Estamos no limiar de uma guerra feroz contra um inimigo poderoso; sem nenhuma moral, limites ou escrúpulos: A corrupção institucionalizada. Não esqueçamos que a política praticada no país pelos nossos próprios “representantes”, já ultrapassou e remodernizou o modelo suprademocrático do gangsterismo praticado às décadas dos anos 30 e 40! São Jose dos Campos; Campinas; Maceió; Aurelino Leal; Araguaína; São Paulo, capital; Chinguara; são mínimos exemplos numa extensa lista de municípios onde a prática dos assassínios por motivação política ficou corriqueira em disputas que envolvem interesses distintos na captura da máquina pública e seus royalties por organizações onde se envolvem encarniçadamente o político, o Estado e o poder. E tudo à revelia e arrepio do cidadão eleitor; ou não?  

Ainda é muito cedo para nos encantarmos com as dimensões das reações intimidativas desencadeadas pelas escaramuças praticadas pelo povo nos teatros das ruas. É prematuro antever as conquistas isoladas como sinais – PEC 37, etc. – como indicadores duma possível vitória das massas contra a corrupção e a má administração implantados no Brasil. Só os ingênuos e estupidamente crédulos são passíveis de imaginar alguma facilidade na reconquista iminente das nossas cidadanias ora tão tripudiada; dos nossos direitos subtraídos e do dinheiro do povo desviado para contas e bolsos dos oligarcas no poder. Não sejamos exagerados, tampouco irracionalmente crédulos de supor que os nossos algozes, aqueles mesmos que politizaram todas as ações do Estado, abandonarão facilmente as tetas fartas onde mana o gordo leite que nutre a gratuidade financeira e patrimonial sem que seja necessário derramar uma só gota de suor sobre seus indecentes colarinhos brancos!

Como ferozes pit-buls, eles lutarão impiedosamente valendo-se de todos os institutos legais e ate da subversão infiltrada nos quartéis e nas fileiras das mobilizações populares combatentes às ruas. Não se iludam, ainda tem muito “pau” pela frente; diria uns três anos para reposição da ordem nas contas públicas; para a observância dos nossos direitos constitucionais; a abolição da impunidade e cassação dos privilégios e alforrias concedidas a políticos e “administradores” designados por esses para as praticas ilícitas; dos descaminhos; para barrar as dilapidações em conluios via práticas fraudulentas em licitações, Contratos, desvios e malversação de verbas públicas. E mais uns cinco anos para varrermos do cenário político nacional os genes recessivos que degeneraram a política e desmoralizaram a democracia e o civismo em nosso país. Perdoem-me, uma grande utopia. Algo tão inexequível quanto um sonho mítico. Mas vale à pena tentar. Gostaria de ainda estar por aqui para assistir a vitória do povo.

É fato que precisamos limpar a nossa pátria a fim de que no futuro deste presente, nossos filhes e netos não sejam obrigados chafurdar na lama como porcos confinados numa pocilga infecta, à espera da ração podre oferecida ao cocho por um Estado e comando em iguais condições, podres. Confesso que ainda preferia o tempo em que os políticos dissimulavam o produto do roubo no enchimento do colchão, mantendo aparência de proletários cidadãos do povo! Hoje não. De pés de chinelos para nababos arrogantes, eles peitam as Leis e a Justiça. Agora fazem questão de exibir suas evoluções patrimoniais e financeiras, produtos de desvio do dinheiro público. Ingressam ostensivamente no clube restrito aos milionários, onde, entre goles de Royal Salut 20 anos e canapés de genuíno caviar iraniano, falam alto e bom som sobre mansões em ilhas particulares; iates; jatinhos, fazendas de gado e apartamentos de cobertura na Avenida Vieira Souto; em Paris; em Manhattan! Tudo isso sob a proteção de uma Constituição Federal, repetidamente deflorada por eles mesmos, legislando em causa própria, emendas singulares autovantajosas; autoimunizantes; concessionárias, benevolentes, pornográficas… Votadas na calada da noite, enquanto guardados e assistidos pelo nosso sheksperiano Código Penal. E nós oh! Top… Top… Top!

A julgar pela impunidade que fomenta a evolução progressiva e incontrolável com que as classes políticas brasileiras, coesas no rendoso ofício do locupletar e do agigantar dos seus poderes verticalizados pesadamente sobre os cidadãos comuns. Não será surpresa podermos ler em breve no Painel de Avisos da Câmara, o seguinte Despacho: “Com 100% de quorum em sessão ordinária, essa Casa votou unanimemente favorável ao Requerimento do legislador Porco Suíno, que determina a prisão temporária por seis meses do Excelentíssimo Presidente do STF, por descumprimento de determinações superiores; desacato de autoridade e abuso de poder praticados reiteradamente contra este Legislativo”. Claro que estamos tratando hipoteticamente; mas somos assolados por angustiante suspeita de que, em não havendo um controle efetivo sobre a preponderância massiva do poder político sobre todas as Instituições do Estado; poderemos chegar a esse cúmulo absurdo, felizmente, ora ainda no campo meramente ficcional. Asseguro-lhes que não votei em outorga de direitos para as práticas comportamentais aberrantes que vivenciamos enojados enquanto cidadãos eleitores. Hospedaria para albergar todos os criminosos, ladrões, corruptos, corruptores, etc.; sempre foi a Instituição Prisional! E os políticos? Porque não estão por lá?

Estou nas ruas integrando o movimento democrático, pacífico e ordeiro em defesa dos nossos direitos constitucionais! Repudiamos a baderna e o vandalismo praticados por desordeiros, ladrões e assaltantes que nada têm a ver com o MPL, asseguramos.



One response to “E NÓS É QUE SOMOS TAXADOS DE BADERNEIROS? FALA SÉRIO VAI!

  1. Amigo Jamal

    Como é gratificante ler seus textos. São profundos e inteligentíssimos, que nos deixam no limiar da vontade que tudo dê certo. Resumiremos numa única palavra do texto “A corrupção institucionalizada”. Parabéns por mais esta pérola.
    José Rezende Mendonça

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *