ÁFRICA DO SUL: CONSTRUTORAS DE ESTÁDIOS RESPONDEM PROCESSOS

Estádio Soccer City, em Joanesburgo,
Estádio Soccer City, em Joanesburgo,

Do blog Esporte Fino.

A experiência da África do Sul, primeiro país em desenvolvimento a sediar uma Copa do Mundo padrão Fifa, continua rendendo lições importantes para o Brasil. Nesta semana, veio do país africano mais um alerta importante. As construtoras que ergueram os estádios e realizaram outras obras em pelo menos cinco cidades são acusadas de formar cartel e combinar preços mais altos para tirar dinheiro dos cofres públicos.

Segundo reportagem da Associated Press, cinco cidades sul-africanas estão processando as construtoras que atuaram na Copa do Mundo de 2010: Johannesburgo, Cidade do Cabo, Durban, Port Elizabeth e Polokwane. Elas cobram na justiça 3,9 bilhões de rands (US$ 394 milhões) em prejuízo.

Apenas na construção do estádio da Cidade do Cabo, que custou US$ 730 milhões, o sobrepreço pode ter sido de US$ 220 milhões, de acordo com cálculos da Associação de Governos Locais Sul-Africana.

A cobrança se segue a um outro processo no qual 15 empreiteiras aceitaram pagar multas de US$ 147 milhões para evitar a tramitação de um processo na justiça sul-africana na qual eram acusadas de fraudar projetos feitos no país entre 2006 e 2011, incluindo alguns da Copa do Mundo.

As notícias da África do Sul deveriam causar apreensão nos brasileiros. Em primeiro lugar porque, como na maior parte do mundo, o setor da construção civil no Brasil convive com inúmeras denúncias de irregularidades. Em segundo lugar, porque as regras têm sido tão afrouxadas para o mundial de 2014 que é difícil crer que o poder público esteja fiscalizando seus parceiros como deveria. Basta lembrar que o custo do Mané Garrincha e do Maracanã já passou de R$ 1 bilhão e os governantes não mostraram qualquer tipo de preocupação com isso.

Na construção dos 12 estádios para 2014, há 12 empreiteiras envolvidas – Andrade Gutierrez, Andrade Mendonça, Construcap, Egesa, Engevix, Hap, Mendes Junior, OAS, Odebrecht, Queiroz Galvão, Santa Bárbara e Via Engenharia. Dessas, três participam de mais de uma obra. A OAS trabalha com a Arena das Dunas e a Fonte Nova; a Odebrecht com a Arena Pernambuco, o Maracanã, a Fonte Nova e o estádio do Corinthians. E a Andrade Gutierrez com o Mané Garrincha, a Arena da Amazônia, o Beira-Rio e o Maracanã. Tudo isso sem contar as obras de mobilidade urbana e aeroportos.

É difícil crer que o poder público brasileira agirá agora para prevenir futuros prejuízos. Não é impossível imaginar, no entanto, que daqui a dois ou três anos estejam as cidades brasileiras na situação das sul-africanas.



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