L.A.T.A – LEGIÃO ANÔNIMA TRABALHADOR AUTÔNOMO

Por Thiago Dias

Era noite no Pontal. A senhora vociferou: “Largue! Largue meu lixo! Não mexa! Não venha bagunçar meu lixo”!

Pensei que a mulher enxotava um cão. Mas o animal do qual ela defendia seu lixo nos era semelhante. Notei isso quando o homem levantou e caminhou até o próximo monte de sacolas. Delas, ele re-colheu duas latas. Depois disso, o trabalhador seguiu seu caminho e a senhora voltou ao grupo de vizinhos reunido na calçada.

As personagens se foram. A impressão produzida pela cena, não. Intimamente, solidarizei-me com o homem tratado feito cão. Mas não ousei manifestar-me contra o sentimento de posse que aquela mulher nutria pelo seu lixo. Não convinha desafiar sua raiva. Muito menos explicar-lhe o valor ecológico e socioeconômico da Legião Anônima de Trabalhadores Autônomos.

Ou será que aquele catador sempre bagunça o lixo da senhora e, dessa vez, ela lhe flagrou? Certamente, isso justificaria a violência da velha. Afinal, não se pode sair por aí revirando o lixo alheio, sem pedir licença ao dono. 

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¹ Link para descrição do documentário que inspirou esse título



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