FERROVIA OESTE-LESTE AINDA ESPERA PELOS TRILHOS

Reportagem do Jornal Valor publicada hoje.

Por André Borges | De Luís Eduardo Magalhães, Barreiras, Caetité e Ilhéus (BA).

FIOL - Lote 02 Fabrica de dormentes e desmonte de pedreira

Ferrovia Oeste-Leste: fabricação de dormentes foi retomada em alguns trechos, mas até hoje não há trilhos instalados ao longo dos 1.022 quilômetros.

Hoje é dia de festa na Bahia. O governo finalmente cortou a fita de inauguração da Ferrovia de Integração Oeste-Leste (Fiol), a nova estrada de ferro que transformará a Bahia no novo corredor ferroviário de exportação do Brasil. Milhares de pessoas acompanharam a cerimônia em Ilhéus, município onde acaba o traçado de 1.022 quilômetros. Ao som de “O Trenzinho Caipira”, composição de Heitor Villa Lobos, a presidente Dilma Rousseff fez um curto passeio sobre os trilhos. O povo aplaudiu o discurso e a conclusão da obra.

Com mais ou menos floreios, esse deveria ter sido o capítulo escrito ontem, caso tivesse se cumprido a promessa que o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva cravou no balanço do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC) em 2010, quando garantiu que a Fiol estaria pronta em 30 de julho de 2013. Ontem, não houve nenhuma festa em Ilhéus. Não há muito o que comemorar.

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Depois de ter suas obras contratadas há mais de três anos, a Fiol ainda está distante do dia em que os trens finalmente poderão rodar em seu traçado. Até hoje, nenhum metro de trilho foi instalado. Para entender como o empreendimento chegou a essa situação, a reportagem do Valor percorreu cada lote do traçado da Fiol e cruzou, por estradas, mais de 40 municípios da região.

A viagem começou no oeste da Bahia, nas cidades de Luís Eduardo Magalhães e Barreiras, e avançou para a região central do Estado, até chegar ao município de Caetité. Do Cerrado para o sertão baiano, a equipe seguiu rumo leste e atingiu a Mata Atlântica, para finalmente alcançar Ilhéus, ponto final da ferrovia, onde está prevista a construção de um novo porto para receber a carga da Fiol.

Nos primeiros 500 quilômetros do traçado, que ligam Barreiras a Caetité, a ferrovia praticamente não existe. Essa etapa da obra inclui a construção de uma ponte de três quilômetros sobre o rio São Francisco. Deverá ser a maior ponte ferroviária do Brasil, mas hoje não passa de um local de acesso para o gado beber água. Alojamentos de trabalhadores que foram erguidos estão fechados há quase dois anos, sem nunca terem sido utilizados.

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Na região de Guanambi, uma fábrica de dormentes foi montada em 2011, com equipamentos novos, importados da Itália. Essa linha de produção, avaliada em alguns milhões de dólares, nunca forjou um dormente sequer até hoje. No canteiro de obras, uma britadeira de grande porte foi instalada para triturar a pedra que seria usada para forrar o traçado da ferrovia. O equipamento está parado há dois anos. O vigia que toma conta do local diz que um funcionário da empreiteira vai até o canteiro de obra uma vez por semana, dá uma manutenção básica no maquinário e vai embora.

A Fiol, orçada em R$ 4,3 bilhões, é uma obra federal coordenada pela estatal Valec. Todos os lotes do primeiro trecho da ferrovia têm empreiteiras contratadas desde 2010. A execução das obras, no entanto, nunca aconteceu, porque a empreendimento mergulhou num poço de complicações sem fim. A Fiol cometeu erro que tem punido com rigor a maior parte dos empreendimentos de infraestrutura do país: se baseou em estudos ambientais capengas e projetos de engenharia que não paravam de pé, uma receita infalível para transformar a ferrovia em estudo de caso dentro do Tribunal de Contas da União (TCU). Bastaram algumas auditorias para o tribunal alertar que quase tudo estava errado. O resultado é que, desde 2011, uma medida cautelar do órgão de fiscalização impede o avanço de frente de obras ao longo de todo o trecho oeste da ferrovia.

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A situação não é tão animadora do lado leste, entre Caetité e Ilhéus. Depois de quase dois anos de paralisação, a Valec finalmente conseguiu destravar as obras nessa segunda etapa de 500 quilômetros, dividida em quatro lotes. As empreiteiras foram mobilizadas e, desde janeiro, estão retomando as operações nos canteiros de obras. O avanço físico desse traçado, porém, só conseguiu atingir 21,5 % do total previsto até agora. Esse número é puxado, principalmente, pelas ações de pavimentação e de liberação do traçado, já que ainda não há trilhos disponíveis para instalação na ferrovia.

Com o avanço do trecho, descobrem-se novos problemas. Nos 118 quilômetros de extensão do lote 2, na região de Jequié, 90% do traçado está sendo aberto em pedra bruta, nas encostas das montanhas da região. Todos os dias, caminhões chegam ao local lotados de dinamite, material que é usado para explodir as pedras encontradas pelo caminho. Para evitar complicações com desapropriação neste lote, decidiu-se recentemente que o melhor a ser feito é construir um novo túnel de 700 metros de extensão. A obra acabou de ser contratada.

No lote 1, que liga a ferrovia a Ilhéus, a situação está mais complicada. Os estudos contratados pela Valec não entregaram todas as sondagens de solo que deveriam, uma brecha para que empreiteiras apresentem mais pedidos de aditivos, caso encontre dificuldades que não estavam previstas. O TCU detectou o problema e pediu que a Valec realizasse 340 sondagens complementares para atestar exatamente que tipo de solo encontrará pela frente. A Valec só conseguiu realizar, até agora, 40 dessas sondagens do trecho, segundo informações locais.

As desapropriações também têm causado transtornos graves. A maior parte dos imóveis dessa segunda metade da Fiol já foi desapropriada, com 87% do traçado entre Caetité e Ilhéus liberado para o avanço das obras. Na primeira metade de 500 quilômetros, porém, as desapropriações caminham lentas, com apenas 43% de trajeto livre. O dia a dia encarado pelos profissionais que vão a campo para notificar as desapropriações, ou mesmo para fazer as sondagens de solo, dão uma ideia das dificuldades em tocar a obra.

Profissionais que atuam em diversos lotes da ferrovia relataram que têm recebido ameaças de morte por donos de terras e posseiros, que impedem o acesso às terras. “Essa é a realidade que nós vivemos aqui e que não aparece nos papéis do governo”, diz um técnico responsável por um dos lotes da ferrovia.

 O governo revigorou seu cronograma para a Fiol. A nova promessa é entregar o traçado inicial, entre Barreiras e Caetité, até o fim de 2015. A segunda etapa, que chega até Ilhéus, ficaria pronta antes, em dezembro do ano que vem. Para os engenheiros que estão à frente das obras, e até mesmo para o governo baiano, o novo cronograma é apenas um instrumento de pressão para que as empreiteiras avancem. “Sabemos das dificuldades. A promessa de entregar o trecho de Ilhéus até o fim de 2014 está muito apertada. Do jeito que a obra está, só sai mesmo em meados de 2015”, diz Eracy Lafuente, coordenador de acompanhamento de políticas de infraestrutura do governo da Bahia.

Em Brasília, a hipótese de um novo adiamento virou assunto proibido. O governo quer ter ao menos um trecho pronto da Fiol até o fim de 2014, custo o que custar. Incomoda o fato de que, desde que chegou ao Palácio do Planalto, a presidente Dilma não conseguiu inaugurar nenhum trecho de ferrovia. Garantir a entrega de pelo menos metade do trecho seria uma forma de fazer a festa que estava prevista para ontem. (Colaborou Ruy Baron)



8 responses to “FERROVIA OESTE-LESTE AINDA ESPERA PELOS TRILHOS

  1. Tudo isso se deve a perseguiçoes, gente de todo o tipó tentando atrapalhar o governo. Ate mesmo os empresarios que deveriam construir os trilhos estao botando dificuldade para nao fabricar os mesmo e talvez o governo que quer dar preferencia a industria nacional tenha que comprar fora. isso é empresario por acaso?isso é gente pessimista. que quer ver o Brasil pelas costas.

  2. Fico pensando…No Brasil tudo é complicado por incompetência dos gestores…não sei para que serve os estudos prévios do empreendimentos…isso tudo era para está no projeto…Quando usa o meio ambiente precisa saber tudo o que pode acontecer no meio da execução do projeto….vejo que existiu incompetência na analise de produção da ferrovia, isso é complicado no Brasil…permiti empresas de consultorias e construtoras de segunda categoria para fazer esses empreendimentos de grande porte…..o que vemos é isso incompetência geral…O governo brasileiro deveria usar o chineses para executar as obras brasileiras, garanto que as empresas brasileiras ia aprender a trabalhar…

  3. Lamentável, já usaram a ferrovia fantasma em uma eleição, agora vão querer usar a mesma ferrovia fantasma em outra…e o povão continua votando nos PeTralhas. Qualquer um sabe que PT e infraestrutura são coisas incompatíveis, basta ver a brilhante obra de transposição do São Francisco, que também foi utilizada para fins eleitoreiros e até agora nada.

  4. Mais uma das tantas mentira contada ao povo brasileiro pelo governo petista. Lembram do estardalhaço que Lula fez com o pré-sal? Pois é. Era tudo mentira. O Brasil continua importando gasolina como nunca e importando petróleo também. Transposição do Rio São Francisco… outra grande mentira. Os petistas cometem esse tipo de erro de maneira recorrente porque são péssimos gestores. Essa lambança que se vê na construção da ferrovia, da mesma forma que nas demais obras, ocorre por falta de planejamento. Obra boa para o governo é aquela que se faz nas cochas e a tempo de ser inaugurada em época de eleição. Domínio do imediatismo. o Eurotúnel foi construído em sete anos, só que antes de construir, fizeram dez anos de planejamento. os petistas não entendem isso não é por maldade, não. É apenas por desconhecimento de causa.

  5. boa noite,gostaria de saber o que aconteceu com os funcionários da spa engenharia,onde aconteceu uma chacina,porem 4 mortos e 6 feridos,dentre eles Vilson Miranda rodrigues da função encarregado de terra planagem foi morto.queremos uma resposta,para tais conforto da familia

  6. porque vc não coloca esse tipo de violência,no seu blog,,,
    na qual os envasores chegaram atirando em pais de família e a resposta do governo baiano,,nessa pouca vergonha;

  7. Meus caros, quanta gente derrotista,pessimista,não pensam para frente,deviam saber, que o Brasil era bem servido em ferrovias nos anos 50 e por incompetência dos governos passados,sucatearam as nossas ferrovias,o governo federal,esta fazendo o q

  8. continuação….. que pode, apesar das fiscalizações,que dificultam as construções das ferrovias.Devíamos é agradecer,pessoal…

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