ILHÉU – O NOVO LIVRO DE EDSON CRUZ

gustavo-felicissimo

Por Gustavo Felicissímo

Conheci Edson Cruz quase por acaso. Ele era o editor da revista eletrônica Cronópios, onde com alguma frequência eram publicados alguns dos meus artigos sobre literatura, poemas e crônicas. Logo, era a ele a quem submetia os textos. Não demorou muito e o fluxo de comentários a respeito da obra de autores sulbaianos que enviava passou a chamar-lhe a atenção. E a amizade, muito embora limitada ao campo virtual, floresceu, tão logo ele me revelou ser natural de Ilhéus. Para os íntimos, Principado de Ilhéus. Isso ocorreu justamente no momento em que eu organizava Diálogos (Editus/Via Litterarum), que é um panorama da poesia sulbaiana contemporânea. Publicado, dessa vez entre os seus, a “ovelha desgarrada” estava, desse modo, reinserida no universo grapiúna.

Sobre Diálogos, o mestre Jorge Araújo disse que se trata de uma obra em que cada poeta “expõe suas vísceras existenciais em signos impressivos de uma personalidade em vigília, expondo também as marcas referenciais da leitura de outros poetas, alguns canônicos, outros icônicos”. E referindo-se ao poema Uivo, do Edson Cruz, afirmou que o poeta “com seu ludismo anagramático, sobe de nível a madurez dos projetos estético e ideológico de um bardo com asas de Ícaro e recheios de um longínquo Rimbaud”. Impossível melhor chancela.

Sei que Edson é orgulhoso das suas origens, muito embora viva na capital paulista desde criança. Seu trajeto literário compreende diversas variáveis, como a de poeta, editor de revistas eletrônicas como a Musa Rara, por exemplo, ou como coordenador de oficinas literárias. Publicou alguns livros: Sortilégio (2007), O que é poesia (2010), uma adaptação do épico indiano, Mahâbhârata (2011). Contemplado com a Bolsa de Criação da Petrobras Cultural, lançou Sambaqui (2011). Participou das duas edições de Diálogos – Panorama da Nova Poesia Grapiúna.

Perceberá o leitor que todo esse prólogo serve apenas para anunciar que Edson Cruz está com um recomendável livro novo na praça. Falo de Ilhéu (Editora Patuá), a ser lançado dia 26 de outubro, às 17 horas, em São Paulo, na Casa das Rosas, obra que se distingue por ser diretamente uma afirmação de suas raízes, mas também por asseverar (a julgar pelo título) o fato de que todo ser humano não passa de uma ilha ensimesmada, o reflexo, em verdade, do homem contemporâneo.

Por fim, ressalte-se que Ilhéu seguramente reafirmará o Edson Cruz naquele seleto, e por isso mesmo raríssimo, grupo de escritores que possuem apurada consciência literária. Como se percebe, aliás, também na sua produção anterior. Tanto é verdadeira a nossa afirmação que a obra foi digna da apresentação de um dos últimos titãs da poesia nacional, o Thiago de Mello, e da análise crítica do renomado ensaísta português E. M. de Melo e Castro.

Para confirmar o que afirmamos nada melhor que um poema do autor:

 

VASSOURA-DE-BRUXA

Aquelas águas-vivas

envolvidas em algas e sargaços

brilhavam na areia da praia

diamantes não lapidados.

 

Traziam a memória de um tempo

sem começo.

Uma infância irrealizada

entre as praias e a brisa

de Ilhéus.

 

Um menino arrancado

de seu berço de sal e sol

atirado sem dó,

sem nota qualquer

no abraço concreto

das noites frias do sul.

 

Um cacau tomado

pelo fungo.

 

O exílio em outras terras

do sem fim.

Para conhecer outros poemas de Ilhéu e adquirir o livro antecipadamente com a devida dedicatória, acesse o site da Editora Patuá.



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