HOMENAGEM AOS FUNDADORES DO PONTAL

Pescadores no Morro de Pernambuco. Foto do Facebook de Rezende.
Pescadores no Morro de Pernambuco. Foto do Facebook de Rezende.

Os amigos José Henrique Abobreira e José Rezende Mendonça estão empenhados numa missão: homenagear os antigos pescadores do Pontal. Abobreira e Rezende se preocupam com o resgate e a conservação da memória popular. 

Segundo eles, é preciso reverenciar a memória das famílias que fundaram o Pontal do São João da Barra. Além dos pescadores, lembram também dos primeiros comerciantes que se instalaram no bairro. Ao redor e para suprir as demandas da economia pesqueira, nasceu o comércio pontalense. 

Rezende e Abobreira sugeriram uma singela homenagem aos fundadores do bairro. Através de pesquisa, eles pretendem relembrar os nomes dos primeiros pescadores que se instalaram no Pontal, vindos do litoral norte de Sauípe. Feito isso, sugerem que esses homens sejam lembrados em algum lugar da Praça São João, o que seria contemplado pelo projeto de reestruturação do espaço.

Além dessa homenagem, Abobreira e Rezende pensaram na construção de uma réplica dos antigos saveiros de vela – usados pelos pescadores daquela época. O monumento seria instalado na Baía do Pontal e aberto para visitantes, como um museu flutuante, com informações sobre a história do bairro. A viabilização do projeto ficaria por conta da Prefeitura de Ilhéus, numa parceria com empresários locais, sugeriram os amigos. 



8 responses to “HOMENAGEM AOS FUNDADORES DO PONTAL

  1. Ótima iniciativa!
    Além das opções, sugiro a homenagem por escrito, ou seja, publicação do livro contando toda a história do bairro.

    Parabéns.

  2. OS PESCADORES
    ELES FUNDARAM ESTE BAIRRO NO SÉCULO XIX – ANO DE 1875
    BREVE HISTÓRICO

    Informações oficiais de 1831 dizem que o Pontal, na vila de São Jorge dos Ilhéos, chamava-se Parte D’Além e era patrimônio do conselho. Esta, e mais as aferições, estavam arrendadas por 30$866 réis anuais.

    O bairro do Pontal, um dos principais e tradicionais de Ilhéus, surgiu por volta de 1875, com a chegada dos primeiros pescadores, caracterizando-se como colônia de pescadores até aproximadamente 1920.

    Todas as casas da localidade eram até então de palha, sendo edificada a primeira de telha por certo indivíduo cujo nome a tradição guardou, e vai aqui mencionado: Inácio das Neves.

    Em 1875, recebe o nome de Pontal de São João da Barra, devido à circunstância de virem habitar aqui muitos pescadores de Palame, lugarejo da costa norte da Província, alguns deles acompanhados de suas famílias.

    Seu loteamento se inicia por volta de 1915 e termina mais ou menos no final da década de 40 e a partir daí começa seu desenvolvimento recebendo pessoas de outros estados, principalmente de Sergipe.

    Já a partir de 1940, os moradores do centro de Ilhéus vinham veranear no bairro, principalmente os mais ricos. Era um veraneio local que viria a ser impulsionado a partir de 1990 com a crise do cacau (vassoura-de-bruxa), aproveitando-se de sua beleza natural, para investir na atividade turística.

    Mesmo antes da inauguração da ponte em 1966, o Pontal já havia se desenvolvido como bairro e os seus moradores até pensavam que aqui se tratava de outra cidade independente de Ilhéus.

    O bairro também foi chamado de Pontal dos Ilhéus e hoje simplesmente Pontal.
    Pontal desde os idos de 1940 era considerado como sítio muito pitoresco que já contava com sete ruas e aproximadamente 4.000 habitantes e cerca de 500 edificações, muitas das quais de linhas modernas e elegantes; aeroporto, padaria, cemitério, cinemas, correios, igreja matriz, clubes desportivos, sociedade recreativa, grupo escolar e várias escolas, inclusive a da colônia de pescadores e grande número de “casas de negócios” (vendas, bares, restaurantes, ferragens, lojas etc.). SANTOS Nilmací Silva (2007: Fragmentos dos Capítulos: (L, XXVI, XXXI)

    O Pontal hoje, conta com uma população aproximada de 15.000 habitantes, com um complexo hoteleiro invejável, além de uma feirinha própria, mercados, sacolões de verduras, açougues, frigoríficos, restaurantes, posto policial, corpo de bombeiros, correios, casa lotérica, aeroporto, unidade de saúde, colégios e uma universidade ambiental – MARAMATA, pizzarias, bares, academias de ginásticas, armarinhos, padarias, clínicas médicas, igrejas, salões de belezas, revendedores de veículos, postos de gasolina, “lan houses”, lavanderia, churrascarias, lanchonetes, sorveterias, etc. Apesar de ser um bairro tipicamente residencial, mantém uma estrutura comercial (“de tudo um pouco”) e lazer, que o faz dentre os bairros da cidade, o mais cobiçado. Sem falar no mais belo cartão postal da cidade que é a baía que leva o mesmo nome. Hoje é um dos maiores bairro da cidade ao ponto de se subdividir em loteamentos; Jardim Pontal, Sapetinga e Nova Brasília.

    O maior desafio do bairro, que já poderia ter sido resolvido, é o saneamento, que é ainda à base de fossa séptica, levando a maioria dos moradores de forma clandestina (oficializada), ligar seus esgotos na rede pluvial, contribuindo para a poluição da baía e comprometendo a saúde dos banhistas e pescadores.

    CAPÍTULO – I

    OS PESCADORES

    Aqui começam os relatos de minha memória e nada mais justo relembrando estes bravos homens do mar. Foram eles os primeiros moradores do bairro (1875), e tem uma importância muito grande na história do bairro. Praticamente se dividiam em dois grupos: os pescadores de calão (pesca de rede) e os pescadores do “alto mar” ou pescadores de “barra afora”. Os de calão encontravam-se na praia no final da Rua da Frente, hoje Avenida Lomanto Júnior, onde reparavam os furos de suas redes e as tinturavam imergindo nuns tanques à base de cascas de árvores do tipo “mangue vermelho” (Rhizophora mangle), que é bastante rica em tanino, e que servia de impermeabilizante, fortalecendo os fios de algodão das redes.

    Na minha época de criança e adolescente (1957-1967), essa praia servia de partida das canoas com suas redes para a Praia da Concha, ambiente invejável de pescaria, onde era comum o arrasto de cardumes num só lanche de calão. As outras opções eram: Praia da Alvorada, Praia da Cabana da Sereia e Praia da Ponta de Eustáquio.

    Já os pescadores do “alto mar”, encontravam-se na Banca do Peixe, também na Rua da Frente, no mesmo local onde se reúnem até hoje. Daí partiam pela “boca da barra” afora, rumo sul ou norte, em busca do melhor “ponto pesqueiro”, retornando normalmente de 10 a 12 dias depois, onde a população já aguardava a chegada para comprar o peixe salgado à base de sal grosso, pois naquela época ainda não se tinha gelo, por falta de uma fábrica, devido seu custo e a constante falta de energia elétrica. Às vezes, alguns barcos saíam à noite e retornavam pela manhã trazendo o peixe fresco. Tínhamos de fartura os peixes: vermelho, olho de boi, mero, dourado, atum, arraia, agulhão, xaréu, dentão, guaiúba, bom nome (peixe da rainha) etc., e o famoso peroá, que naquela época era peixe para os pobres, hoje o peroá é disputado também pela classe média e rica, principalmente na Semana Santa, pois a culinária o transformou num delicioso prato de moqueca desfiado ou em postas.

    Estes peixes eram também vendidos “fresquinhos” nas portas das residências, só com uma diferença pra hoje, que já são vendidos descamados, limpos e cortados em postas. Cabia às donas-de-casa (esposas) e/ou empregadas esta tarefa.

    Os pescadores já mantinham a Colônia de Pesca Z-19, fundada em 1921 e nela uma escola e a capelinha de São Francisco, apesar de o padroeiro ser São Pedro, situação que nunca entendi e só agora fui tirar esta dúvida com “seu Oscar”, um dos pescadores mais antigos do bairro, que me falou que quando aqui chegou já encontrou desse jeito e nunca se preocupou em saber desta distorção. Em outro capítulo escreverei a parte religiosa que cercava esta comunidade.

    Dessa época me lembro dos pescadores: Durval, Mané Preto, Jerônimo, Agenor, Artur, Adamastor, Zuza, Valdivino, Jadaraí, Benedito (Paripe) e Mané Maia (calão), Fausto, Oscar, Dalmo, Inocêncio Correia, Esterlino, Rôxinho, Sebastião Torpedo, Jonas Gomador, Ernesto Tarzan, Abdias, Luiz Parangolé, João de Deus, Crispin, Selé, Nelson de Baia e Pedro de Lúcia (alto mar).

    Hoje a banca do peixe já foi reformada várias vezes e as duas praias deixaram de existir, com o asfalto e uma proteção de pedras para conter o “avanço de maré”, as praias perderam seus encantos sem o calão, sua gente e o farto pescado do lugar.

    Do livro: Pontal Ontem & Hoje – Memórias
    José Rezende Mendonça.

  3. Entendo que é muito complicado lembrar de todo mundo, mas esquecer de Valdez Maia(UM DOS MELHORES MESTRE DE ILHÉUS), Jair Batista(Jajá Barra Mansa), Gilbertinho e muitos outros é não lembrar da história de Ilhéus.

  4. Prezados

    Da minha parte, no livro do Pontal, fui bem claro, o livro não é de pesquisas e sim de MEMÓRIAS. Portanto, os nomes dos pescadores citados, foram os que estavam na minha memória de adolescente.

    E foi por isso mesmo, que preferi fazer o livro do Pontal de memórias, porque sempre haverá quem diga, que está faltando nomes. E é assim mesmo, até mesmo em pesquisas, já que muitos já morreram, incluindo suas viúvas. Seus filhos, muitos deles não moram mais aqui. Viu como é complicado!.

    Então, não lembrei de todo mundo como sugere o amigo Waldeck Batista Maia, e que só esqueci do pescador e mestre, o senhor Valdez Maia e mais uns dois.

    Não lembrei de uma infinidade, e também fui claro no livro sobre isso, e lá mesmo pedi minhas desculpas. Lá no livro citei mais de 300 nomes de moradores do Pontal, que foi uma coisa inédita e desafio alguém fazer isto, o que não pude e nem posso, é ter uma mente de elefante.

    Portanto, mais uma vez deixo bem claro, o que você leu no texto, aqui publicado foi da minha memória e não pesquisa.

    Desculpe meu jeito de protestar, sou assim mesmo, sou real, sou sincero, e não suporto comentários relâmpagos, sem ao menos a pessoa racionar, a filosofia do que se pretende.

    Um abraço
    Rezende

  5. Olá..pessoal.
    Incrível sim reviver a memória do dos moradores do Pontal. Fui desse período maravilhoso que era nosso bairro. Mas se lembram de um morador muito conhecido foi o padeiro Josias(Josias padeiro da calça com bocas largas) que trabalhou em padarias de Ilhéus (como agente chamava o outro lado). E tbm na padaria de Sr Vivente no Pontal ali na rua do carro. E seus filhos vendiam sonhos e pastéis no Porto da lancha PONTAL ali perto da saída do Barão de Macaúbas. Todos meus irmãos indianos para complementar o sustento da família.

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