FILHOTE DE BEAGLE OU CRIANÇA ESCRAVA: QUEM FOI MAIS LONGE NA SUA TIMELINE?

sakamotoPor Leonardo Sakamoto

Uma amiga fez um comentário no Facebook, reclamando que a libertação de cachorrinhos gera uma comoção pública muito maior que a de pessoas em situação análoga à de escravo. Ela se importa com os animais, claro, mas entende que houve um descompasso na divulgação do caso dos beagles resgatados em São Roque (SP) que diz muito sobre a gente.

Vamos por partes, até porque este é um daqueles posts em que as pessoas não lêem, tiram conclusões a partir do que não leram e saem xingando o blogueiro em cima do que ele não escreveu. Na internet, aliás, esse é comportamento padrão.

Particularmente, sempre me irritei com testes em animais para o desenvolvimento de cosméticos, produtos de beleza em geral. Ou encontra-se outra forma de verificar a eficácia e os efeitos colaterais ou que se use menos. Afinal, há marcas que conseguem desenvolver produtos sem esses testes.

Com relação ao desenvolvimento de medicamentos, precisamos substituir o que for possível por softwares de simulação, reduzir o uso de cobaias, refinar os experimentos e educar pesquisadores e estudantes da área para tornar a participação de animais cada vez mais desnecessária. E os testes não podem ser feitos sem a devida justificava junto a um comitê de ética médica, sendo acompanhados para garantir a integridade do animal e o mínimo de desconforto possível. Falei com alguns pesquisadores que disseram que a meta é zerar os testes mas, no momento atual da medicina, isso é impossível. E que é preciso construir um caminho para que testes em animais sejam desnecessários e proibidos.

Mas o tema do post não é esse. Não estou discutindo se ações em defesa dos animais são válidas ou não, pois elas são. Também não estou sugerindo que o sentimento sincero de dedicação a uma causa vale mais que a outra (não sei porque estou fazendo esse “porém”, tem gente que vai ignorar que ele foi escrito mesmo…) E, sim, o comportamento da sociedade diante de tudo isso.

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ILHÉUS: PALESTRA SOBRE ECONOMIA CRIATIVA

Clique na imagem e amplie o convite.
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No dia 29 de outubro, o Movimento Pontalense de Cidadania oferecerá uma palestra com o tema: Economia criativa, bairros criativos. O evento será realizado no Salão Paroquial da Igreja São João Batista do Pontal, às 19h30. A participação é gratuita.

A palestra será ministrada pela coordenadora regional do Sebrae, Claudiana Figueiredo.

Cabe lembrar que a praça do Pontal já tem um projeto de reestruturação, que contempla os comerciantes locais. Por isso, a palestra pode servir aos interesses dos empreendedores que pretendem reformar seus espaços comerciais, levando em consideração as informações de uma profissional habilitada a ensinar sobre esse processo. 

CARTA DE REPÚDIO À POSTURA ARBITRÁRIA DO DCE UESC

Universidade Estadual de Santa Cruz (UESC).
Universidade Estadual de Santa Cruz (UESC).

Ontem (sexta-feira, 18), a ANEL (Assembleia Nacional de Estudantes – Livre) e o Coletivo Retomada nos encaminharam uma carta de repúdio à postura arbitrária do DCE – UESC. Os autores se dirigem à comunidade acadêmica da Universidade Estadual de Santa Cruz e ao Diretório Central dos Estudantes.

Caso o DCE pretenda apresentar resposta às acusações, este espaço está aberto. O documento segue abaixo.

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GOVERNO JABES DEIXA ANÊMICOS FALCIFORMES “AO DEUS DARÁ”

Clínica Municipal de Atendimento Especializado - CMAE.
Clínica Municipal de Atendimento Especializado – CMAE.

Ontem (sexta-feira, 18), mais uma denúncia sobre a situação das unidades de saúde de Ilhéus foi encaminhada a este Blog. Dessa vez, o flagrante de abandono foi registrado na CMAE (Clínica Municipal de Atendimento Especializado).

De acordo com a denúncia, os portadores de anemia falciforme estão sendo “massacrados” devido à precariedade do serviço de saúde que é prestado na CMAE. A origem do problema? Em janeiro de 2013, a Prefeitura de Ilhéus exonerou quase toda equipe multidisciplinar dedicada ao tratamento desses pacientes.

No começo do seu 4º mandato, o prefeito Jabes Ribeiro (PP) demitiu muitos funcionários do serviço municipal de saúde. Os agentes lotados no CMAE estavam entre eles, segundo a denúncia. Na época, Jabes alegou que as demissões foram necessárias para ajustar as contas da Prefeitura de ilhéus e, desse modo, obedecer a Lei de Responsabilidade Fiscal. 

Atualmente, apenas um especialista em hematologia atende toda demanda dos portadores de anemia falciforme. Assim, o profissional fica sobrecarregado,  ameaçando a qualidade do serviço público. Além disso, segundo a denúncia, o prédio que abriga o programa e sua estrutura estão combalidos. Funcionários e pacientes sofrem com a falta de água potável e com o fechamento da farmácia. Ainda assim, o denunciante destacou a sensibilidade dos servidores que, contra todos os obstáculos, mantém o atendimento aos pacientes. 

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COMO A DESIGUALDADE SOCIAL EXPLICA O VIDEOGAME DE R$ 4 MIL

P$4mil (Fonte: http://blog.br.playstation.com/).
P$4mil (Fonte: http://blog.br.playstation.com/).

Por Leonardo Rossatto Queiroz

Um texto de uma frase no blog do Playstation no Brasil desencadeou uma reação em cadeia nas redes sociais: como é possível que um videogame de 400 dólares nos EUA custe R$ 4 mil no Brasil? Nem mesmo a justificativa padrão dos empresários, de que “os impostos são muito altos no Brasil”, é capaz de justificar um preço que é quase o dobro do preço do concorrente direto.

Para começar, é conveniente fazer um cálculo direto, considerando que o valor do console nos EUA já tem embutido em si uma margem razoável de lucro. São 400 dólares no videogame. Normalmente, o governo cobra uma alíquota de 60% na importação sobre o preço original, elevando o valor do produto para US$ 400 + (60% x US$ 400) = US$ 640. Além disso, podemos inserir, sendo muito generosos, um custo de 10% do valor total do produto, já com impostos para serviços de logística: US$ 640 + (10% x US$ 640) = US$ 704.

Atualizando esse número com uma cotação GENEROSA do dólar, que segue instável no Brasil, temos que o custo final de um Playstation 4 no país deveria ser:

US$ 704 x R$ 2,40 = R$ 1689,60.

Vamos arredondar para R$ 1700,00, com custo de transporte e com os impostos cobrados. E daí constatamos que os R$ 2.300,00 adicionais que a Sony vai cobrar no console são APENAS lucro adicional.

Mas por que isso acontece no Brasil? E por que acontece não apenas com vídeo games, mas com eletrônicos em geral, com carros, com casas, com taxas bancárias, com produtos de supermercado e de todas as demais coisas que o brasileiro consome?

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