AMIGOS PANGLOSIANOS SHUKRAN MASHA’ALLÀH!

jamal-padilha (1)Por Mohammad Jamal

São por esses e outros atributos morais, culturais, espirituais e as condutas impecáveis que regem firmemente o comportamento desses dois exemplares cidadãos, que me fazem admira-los como pessoas especiais, queridas, estimadas e merecidamente imitadas. Eu os invejo num ponto específico das suas filosofias e existencialidades: eles ainda acreditam no homem! Por panglossianos inveterados, a eles jamais falta otimismo! A palavra assumida ainda tem valor! O bem coletivo é o interesse primordial que move suas mentes. Ambos democratas; seguem espontâneos à Prova Quádrupla dos Rotarianos e aos aditivos espirituais como os legados pelas Sagradas Escrituras que caracterizam os bons cristãos.

Ambos são servidores públicos: um é servidor estadual, o outro servidor autárquico aposentado. Em comum, trazem consigo a natureza do comprometimento e a abnegação pelas causas para o bem coletivo; compartilham o mesmo amor pela musa Ilhéus e persistem apaixonados pelo atual, outrora bucólico Pontal. Cultos, são arqueólogos autodidatas empenhados em preservar e resgatar a cultura, a história, o urbanismo, o folclore, a memória fotográfica e a pictografia que ainda resta do Pontal, além de, paralelamente, trabalharem pelo seu desenvolvimento urbano e social com sustentabilidade. Admiro-os por isso e muito mais por serem como são: dois cidadãos exemplares, excelentes pais e ótimos amigos. Alem de tudo, panglossianos por natureza, nada os desanima, nada obscurece suas esperanças quanto a um futuro melhor para todos os Ilheenses. Ainda traçam planos e metas futuras; ainda acreditam; ainda aram, gradeiam, adubam, lançam sementes na esperança de que filhos, netos e as futuras gerações de ilheenses usufruam a possibilidade de degustar esses frutos plantados com tanto carinho.      

Invejo-os por esse detalhe que aperfeiçoa suas mentes com esperanças imorredouras. É muito difícil para os seres de mentes pragmáticas; os resolvidos; os impacientes e os desencantados com “sistema”, por justas razões, encontrar nas palavras dos “sistematizados” alguma consubstancialidade ou um mínimo substrato de verdade que possa nos servir de alento para manter viva a nossa moribunda esperança e fé nos compromissos do homem terminal. A mentira é uma arma poderosa quando apontada contra as incertezas dos coletivizados. Será que vão aumentar o tamanho da bolsa igualando-a a uma sacola?

Nas várias situações em que nos postamos crédulos cordiais aos discursos, ouvimos falácias utópicas; promessas inverossímeis; projetos inexequíveis, quimeras; mas naqueles momentos nós queríamos acreditar. Ou melhor, ansiávamos por algo em que acreditar, mesmo que um tênue e cambaleante resquício de verdade vindo do sistema. Frustrou a todos novamente. Votamos a broxar com intratáveis disfunções de fundo erétil humoral. Uma Hurzhun; diria um amigo turco.

Ante os arroubos enfáticos e o vernáculo; simbolicamente postávamo-nos estáticos ao sistematizado. Fomos e agíamos naqueles momentos como se fôramos compulsivos compradores de sonhos das mil e uma noites; quimeras baratas a preços de bananas! Explico: como fazem quase todos brasileirinhos que arriscam semanalmente seus economizados reais nos incertos prêmios lotéricos, mega sena, etc. Digo ate que baratíssimos, porque com dois ou três reais (não sei o preço exato, porque nunca jogo) se compra de verdade, uma semana de projetos luminosos: só alegria, riqueza e felicidade. Ilhas Fidji, Polinésia francesa, Dubai, Istambul, Taj Mahal, compras em Miami; jantares no Bateau Mouche… Vinhos franceses, carros elegantes, hotéis luxuosos, mansões, mulheres lindas, dinheiro farto, etc.; tudo por dois ou três reais com duração limitada a uma semana. Precinho não!

Na maioria das vezes apostadores contumazes nem se dão ao trabalho de conferir as dezenas sorteadas. Basta saber o Estado da Federação onde reside o feliz ganhador. O prêmio? Ah… O premio! Esses todos nós somos ganhadores por antecipação – porque os retiramos nas casas lotéricas à vista, no ato da aposta, em espécie: sob a forma de sonhos! Uma semana de sonhos bem dormidos à revelia da dura realidade que tomba anestesiada por meros dois ou três reais. Alheios a despeito de tudo, inclusive do aviso da Caixa, que nos assevera que a probabilidade de um jogador com uma única aposta acertar o prêmio maior é de 1 (umazinha) em 50.063.860! É sonho de 1,99 ou não? E baratíssimo! Quanto à aposta com zero ponto, tudo se passa sem um esgar de tristeza ou arrependimento quando ao conferir das dezenas, se constata que os cavalos voltaram a ratos; a carruagem ao estado original de abóbora e, que o sapatinho de cristal tamanho 34 não ajustou a um pé que calça 44. C’est la vie! Quem sabe na próxima?

Mas voltemos ao princípio filosófico que sustenta o engodo, a mentira, a desfaçatez, o impudor; o cinismo eufêmico que dá cor e odor aos discursos promissórios dos políticos; vestais de bordéis! – “Você é o primeiro! Sou virgem e apertadinha, (só se for por dinheiro).”. Repito aqui, que Já não dá para fazermos hoje, com um holofote, o que fez Diógenes, o cínico, que perambulava pelas ruas de Corinto carregando uma lamparina acesa, em pleno dia, alegando estar à procura por um homem honesto. Para nós, na atual situação, bastar-nos-ia um homem simploriamente franco quanto à sinceridade evanescente dos seus propósitos; quais fossem eles, contanto que conhecêssemos de antemão a etiologia e o método vitimológico reservado ao povo durante seu mandato. Um Projeto de Governo onde a mentira houvesse sido erradicada; brincadeirinha… Uma utopia, claro.

Como povo, ansiamos alguém que nos conceda algo em que possamos crer. De tal forma e a ponto de nos permitir construir projetos e divagações oníricas gratificantes; onde o acordar já não seja tão traumático quanto o desagrado da realidade que desperta junto às primeiras luzes do amanhecer e, que ainda assim, à noite, não satisfeita, também assombra o sono convulsivo dos necessitados e carentes. Vai chover hoje?

Estamos no 336º (tricentésimo trigésimo sexto) dia do primeiro ano de mandato do prefeito municipal. Breve, teremos que festejar um Ano Novo simulado, como se ainda estivéssemos nas melhores condições como àquelas do ex-prefeito, o matemático inglês, de saudosa memória. E tudo isso porque o atual, que de fato tomou posse, ao que nos transparece, teima em não assumir o comando e a administração do município por razões que o povo desconhece. A cidade está um caos total; desorganizada, indisciplinada, imunda e caindo aos pedaços e encostas. O odor e a erosão de Ilhéus são perceptíveis lá do alto, nos aviões a jato, aqueles mesmos que o prefeito se vale para as idas e vinda à capital baiana, onde reside.

Eu quero apenas uma molécula; um átomo, um nêutron; pode ser ate um fóton para grudar minhas esperanças no futuro da cidade que adotei como minha. Mas não como fizeram com aquela “praguinha” de campanha que colaram à minha camisa: manchou feio o meu tergal.



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