A TARDE QUENTE DO FIM DE VERÃO

imagePor Florentino Ariza

Retorno à calma depois das exacerbações da alma. Junto palavras e saio com elas para um passeio solitário nos jardins do Museu de Arte Sacra. É quarta-feira e às quartas poucas pessoas aparecem ali. O jardim quase se torna uma propriedade privada que desfruto observando o mar e tirando as palavras brancas do bolso para tentar colar no papel azul que trago comigo.

O mar de luzes transitórias reflete cores inesperadas, manchadas pelos imensos navios de carga, estacionados no horizonte dos meus azuis. Brinco com as palavras em branco e o papel azul convidando colar sentidos em orações subordinadas.

Penso em tudo que gostaria de dizer com essas palavras brancas sobre esse fundo azul. Contar os sonhos que sonhei quando o pássaro vermelho pousou suavemente sobre a jabuticabeira carregada de fantasias e esperanças.

Observo bem e logo desisto de qualquer gramática, pois não tenho palavras suficientes para dar sentido ao que quer que seja. Acabaram-se os és e não tenho uma só alegria. Só restaram tristezas tristes e alguns absurdos. Sobraram ainda muitas verdades e requerimentos. Não sei para que tantos requerimentos, quando não vejo nenhuma alegria entre as palavras que vieram comigo. Talvez, quem sabe, seja pelo fato de que são as palavras que se impõem e não que possamos escolhê-las. 



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