PONTA DA TULHA: O ERRO GROSSEIRO DA BAMIN

Parque Estadual Ponta da Tulha. Imagem aérea de José Nazal.
Parque Estadual Ponta da Tulha. Imagem aérea de José Nazal.

Editorial do Blog do Gusmão.

É preciso fazer uma reflexão a respeito do recém-criado Parque Estadual Ponta da Tulha sobre a costa litorânea do Sul da Bahia. Houve um erro que deve ser exposto para que sirva de exemplo histórico.

Em 2007, a Ponta da Tulha foi apontada como área ideal para a construção de um porto de escoamento de minério de ferro. Esse equívoco foi cometido originalmente pela Bahia Mineração, quando elegeu esse local como de seu interesse para construir uma retroárea, onde seria armazenada a “commodity” trazida de Caetité, via mineroduto. A ideia inicial indicava exatamente a região de corais da Ponta da Tulha como local mais indicado para a construção do porto, devido à profundidade. O estudo de impacto ambiental realizado por empresas contratadas pela Bamim omitiu a existência dos recifes de corais.

Essa escolha, supostamente técnica feita pela Bahia Mineração, induziu o Governo do Estado da Bahia a orientar sua política de desenvolvimento logístico para esse local. Posteriormente, os dirigentes estaduais abriram mão do mineroduto e decidiram incorporar essa região no traçado da ferrovia Oeste-Leste. A partir do momento que essa decisão foi tomada, houve uma magnetização ainda maior para o litoral norte de Ilhéus.

Em novembro de 2010, quando o IBAMA constatou o erro técnico grosseiro da Bahia Mineração, surgiu a tentativa de consertá-lo levando o porto para Aritaguá.

Parque Estadual Ponta da Tulha. Imagem: José Nazal.
Ponta da Tulha. Imagem: José Nazal.

Novamente, outro erro está posto. Aritaguá também é uma área sensível, caracterizada pelo cacau cabruca e remanescentes de Mata Atlântica. Mais de 5 mil pessoas vivem na área de influência direta do porto, nos povoados ou distritos de Aritaguá, Castelo novo, Itariri, Valão, Juerana e no Assentamento Bom Gosto.

Essa região é fundamental para a subsistência dessas comunidades. Os estuários e manguezais são provedores de comida (robalo, caranguejo e etc). A qualidade ambiental do Rio Almada é imprescindível para o dia-a-dia de muitas pessoas. O patrimônio costeiro dessa região é fundamental para o turismo de longo prazo, atividade geradora de emprego e que mantém muita gente.

Antes do IBAMA sugerir que a Mata Atlântica da Ponta da Tulha fosse transformada em unidade de conservação, diversas vozes já haviam questionado o empreendimento naquele local. Por sorte ou capacidade técnica do governo brasileiro, o erro grosseiro não aconteceu.

O processo de licenciamento do porto em Aritaguá não passou despercebido pelas mesmas vozes que se levantaram contra a primeira alternativa locacional. Os alertas sobre as consequências sociais e ambientais nocivas à região são de conhecimento das autoridades.

Apesar das evidências contrárias, tudo indica que dessa vez o mais novo equívoco será ignorado. Infelizmente, o exemplo histórico de Ponta da Tulha não faz sentido quando se objetiva privilegiar um setor da economia em detrimento dos outros.



9 responses to “PONTA DA TULHA: O ERRO GROSSEIRO DA BAMIN

  1. A alternativa locacional é um procedimento praxe no processo de licenciamento ambiental, independente da profundidade do diagnóstico, por isso que a primeira licença se chama: Licença de Localização. A escolha da segunda área é um processo natural de qualquer licença, independente do porte, atividade ou área contemplada. Quanto a viabilidade socioambinetal da segunda área fica os questionamentos:
    1- A cabruca da área é rentável?, ou seja, os produtores rurais tem lucro com sua produção de cacau?
    2 – A cabruca ainda funciona como corredor?, ou seja, se há capina seletiva e há uma frenquente substituição das árvores velhas por novas ela promove a conectividade com os remanescentes florestais.
    3 – Os remanescentes florestais são realmente importantes? Se a cabruca for funcional ela liga esses remanescentes a outros, se não, eles estão fadados a perder seu valor biológico.
    O que não podemos é patrocinar interesses de empresas de cosméticos (Natura), financeiras (Itaú) e celulose (Klabin) a usar nossa região como manobra política e de especulação imobiliária, já que esses mesmos empresários apoiam o governo de Marina Silva e já lotearam a parte litorânea mais nobres do Município de Uruçuca.
    Finalizando: a construção da porção da BA 001 que conecta Ilhéus a Itacaré e a Camamu não promoveu mais impactos negativos do que pode promover o Porto Sul?

  2. Na deixa de Armando cito a construção da estrada ios – itacare onde a classe ambientalista se conformou na migração de pequenos proprietarios do campo para as favelas de itacare e ilheus onde grande parte das nossas belezas naturais estao na maos de estrangeiros sendo proibido em boa parte do litoral a entrada de pessoas. os marinho tem fazenda nesta regiao.

  3. Erraste de pessoa e de adjetivo,
    E até me fizeste perder o ânimo.
    A palavra errada me deixou pensativo
    Querias talvez dizer heterônimo.

    Editor responde.

    Insisto na pessoa e no adjetivo
    Por mais que a certeza lhe enerve
    Vargas é sobrenome de chefe do executivo
    Homônimo desse falso que me escreve.

  4. Armando, muito bom! são falsos ambientalistas, que digam as outras áreas na cidade de Ilhéus que eles nem se quer levantam as suas bandeiras em pró do meio ambiente: rios, encostas, desmatamentos, esgotos, etc…

  5. Gusmão,

    Diz que é a favor do desenvolvimento…fica contra o porto e a ponte…dá p entender…

    Editor responde.

    Ledo engano. Não somos contra a ponte. Apenas acompanhamos o processo e ouvimos a comunidade de Nova Brasília. Em relação ao Porto, não acreditamos nesse modelo de desenvolvimento, baseado na exportação de uma commodity e concentrador de renda. Não acreditamos no mito do progresso.

  6. Ilheus quando ganhou o porto do malhado, cresceu? A cidade progrediu? Não entendo como que não se consegue enxergar o progresso!

  7. Olha eu não aguento mais esses comentários sem fundamentos e embasamentos técnicos que muitas vezes são levantados aqui,sempre tem alguma coisa, mas tecnicamente falando não sai nada, querem ser mais que o REI, o IBAMA quando identificou um erro no projetou entrou em cena e cumpriu seu papel e novamente está cumprindo sendo rigoroso em seus questionamento e aqui aparecem pessoas que querem a todo custo provar ao contrário do que diz os estudiosos e entendidos do assunto, estes que antes quando barraram o primeiro projeto era os DEUSES para alguns e que para estes mesmos hoje são OS DEMÔNIOS. Chega deste estica e puxa, vai vir e que venha o PORTO SUL !!!!!

  8. O modelo de desenvolvimento, baseado na exportação de uma commodity e concentrador de renda pode ser um mito do progresso se as áreas destinadas para as indústrias não absorverem a matéria prima que inicialmente será escoada pelo porto. É uma visão de médio e longo prazo. Assim o porto pode escoar bens de consumo industrializados no Brasil, agregando valor e fortalecendo a nossa soberania em todas as instâncias. Não temos mais tempo para ir contra o Porto Sul, temos que unir forçar para fazer a melhor região portuária do mundo, através de estratégias de comando e controle que garanta a eficácia do aproveitamento racional dos recursos naturais e humanos da região de abrangência desde a mineração, passando pela industrialização e o escoamento via porto. Depende de nós essa garantia de escoamento a médio e longo prazo de produtos distribuídos pelo mundo com o selo Made in Brazil!!!!

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