A HORA E A VEZ DE DILMA “CORTAR NA CARNE, DOA A QUEM DOER”

Dilma tem a oportunidade de provar que seu discurso contra a corrupção não é um sofisma do PT. Foto: Ricardo Stucker.
Dilma terá de provar que seu discurso contra a corrupção não é um sofisma do PT. Foto: Ricardo Stucker.

Por José Henrique Abobreira

A sétima fase da operação Lava Jato, deflagrada ontem (14) pela PF, oferece à presidente Dilma Rousseff a oportunidade de realizar a sua promessa, feita no calor da refrega eleitoral do segundo turno, de que não restará pedra sobre pedra após a apuração dos ilícitos cometidos contra a empresa PETROBRAS, grande patrimônio do povo brasileiro.

Essa etapa da operação promoveu o lancetamento da face oculta do tumor: escancarou a corrupção ativa de grandes empresas nacionais, as gigantes da construção civil, detentoras de contratos milionários com o governo federal, envolvendo obras e projetos do arcabouço dos programas tipo o PAC, espinha dorsal das iniciativas estruturantes para o país.

Após as prisões do dirigente da estatal Paulo Roberto Costa e do doleiro Youssef, ambos já na fase da delação premiada, cujo resultado vazou por intermédio de publicação de reportagem da revista Veja, hoje já se fala em noventa envolvidos, principalmente ligados aos partidos PT, PMDB e PP.

Não será surpresa se aparecerem mais envolvidos no espectro político partidário, afinal, das nove empresas que tiveram diretores presos ontem, seis delas fizeram doações à campanha presidencial de Aécio Neves. A probabilidade da LAVA JATO alcançar outras legendas é muito grande.

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SOBRA DINHEIRO E FALTAM REMÉDIOS NA SAÚDE DE ILHÉUS

Charge do blog de Milton Barão.
Charge do blog de Milton Barão.

A constatação é do Conselho Municipal de Saúde. Nessa quinta-feira, 13, todos os conselheiros aprovaram parecer da Comissão de Análises das Finanças do Fundo Municipal de Saúde de Ilhéus. O relatório abrange dados financeiros e processuais do primeiro quadrimestre de 2014. A contas foram aprovadas com ressalvas.

Conforme o documento, nesse período o município investiu apenas 9,72% da receita própria no sistema de saúde, porém, a Lei Complementar 141, de 2012, determina investimento mínimo de 15%. Ao final do primeiro quadrimestre de 2014, o caixa da secretaria acumulou R$ 18 milhões. Desse total, R$ 3 milhões eram para a compra de remédios. Enquanto isso, “os postos continuam sem medicamentos”, aponta o relatório do conselho.

Perguntamos ao secretário Antonio Ocké o que impediu a Secretaria de Saúde de usar aqueles recursos. Ele explicou que assumiu a pasta em janeiro de 2014 e, desde então, o governo passou a expandir os investimentos. De acordo com o gestor, a realidade do primeiro quadrimestre não é a mesma desse final de ano. “Nós avançamos bastante e estamos procurando avançar mais para melhorar a Saúde de Ilhéus. Tá difícil, encontramos uma casa derrubada, em ruína. Devagarinho, passo a passo, nós estamos chegando onde queremos. O prefeito [Jabes Ribeiro – PP] tem solicitado sempre um cuidado todo especial com a secretaria para ajudarmos a comunidade carente de Ilhéus”, concluiu.

Destinatários

O parecer solicita que as irregularidades sejam informadas aos Ministérios Públicos Federal e Estadual. Alguns conselheiros queriam incluir a Polícia Federal na lista. A ideia não vingou.

Questão de linguagem

Trecho do parecer da comissão de finanças.
Trecho do parecer da comissão de finanças.

O conselheiro Yolando Souza chamou a atenção dos seus pares a respeito de uma frase do parecer. Segundo o texto, o governo “demonstra que não tem capacidade” para gerir os recursos da saúde. Conforme Yolando, essa sentença encerra uma conclusão precipitada. A conselheira Enilda Mendonça, uma das autoras do relatório, discordou do colega e defendeu a manutenção dos termos. Acompanhamos a reunião do conselho até o final. Parece que a questão de linguagem foi esquecida. Ao menos, não voltou à baila.

De olho

Promotor Pedro Nogueira acompanha reunião do Conselho de Saúde de Ilhéus.
Promotor Pedro Nogueira participa de reunião do Conselho de Saúde de Ilhéus.

Promotor do Ministério Público Estadual, o Dr. Pedro Nogueira tem participado das reuniões do conselho. Ontem, em uma de suas intervenções, lembrou os casos dos pacientes que foram atendidos no mutirão de oftalmologia da Secretaria Estadual de Saúde e sofreram complicações após o atendimento. Ele questionou se o município dava suporte a esses cidadãos. O secretário respondeu que eles recebem toda a assistência necessária e são transferidos para Salvador quando preciso. Ocké também afirmou que os problemas registrados foram exceções entre os mais de dois mil atendimentos.