ALISSON E A RETÓRICA DO ESQUECIMENTO

Foto: Jozé Nazal/Catucadas.
Foto: Jozé Nazal/Catucadas.

Thiago Dias e Emílio Gusmão.

Por Emílio Gusmão

Recém-aprovado no exame da Ordem dos Advogados do Brasil, o vereador Alisson Mendonça (PT) já iniciou a prática de buscar o convencimento usando discursos alheios à razão. 

Na última terça-feira (03), Alisson usou a memória seletiva para afirmar que o governo Jabes Ribeiro é “o pior de todos os tempos”. Corajoso e inteligente, disse que no tempo do ex-prefeito Newton Lima, “o município era outro”.

Reconhecemos a inteligência do vereador, mas, discordamos.

A gestão atual é realmente muito ruim. Não há planejamento, o governo vive de improvisos e peca na austeridade, haja vista a farra de diárias pagas ao próprio alcaide e assessores diretos. Já que o prefeito não cansa de repetir: “o município está em crise”, não se justifica contratar shows caros e terceirizar serviços (mediante contratos duvidosos) que podem ser executados pela força de trabalho da prefeitura.

Não podemos esquecer dos servidores municipais, escolhidos como inimigos e intimidados pelo Prefeito Jabes Ribeiro, que diante de qualquer dificuldade contábil ameaça promover demissões em massa. O aumento escorchante do IPTU também não faz sentido, pois não há perspectiva de melhoria na qualidade dos serviços públicos.

Entretanto, ao fazer comparações, Alisson não deve esquecer as séries históricas. Jabes tem dois anos de governo ruim. Newton destruiu a cidade em quase 6. Sendo assim, por enquanto o paradoxo é descabido.

Newton Lima vai responder 137 ações movidas pelo Ministério Público Estadual, dois indiciamentos por formação de quadrilha na Polícia Federal, 6 contas rejeitadas pelo Tribunal de Contas dos Municípios, 1 conta rejeitada pela Câmara de Vereadores (e outra à espera de apreciação) e dezenas de ações movidas pelo Ministério Público Federal. No governo passado, ocorreram denúncias sobre desvios de recursos na secretaria de educação (Projeto Semear), investigadas pelo MPF e encaminhadas à justiça federal em maio de 2014.

O histórico do governo passado dá a entender que houve pilhagem dos cofres públicos. O de Jabes necessita de tempo para ser avaliado no todo. Com influência política (ou não) junto ao Tribunal de Contas dos Municípios, o prefeito conseguiu aprovar as contas de 2013 (não se trata de um elogio, e sim, de uma constatação). Talvez fosse melhor comparar a gestão de Newton com os mandatos anteriores de Jabes (1997 a 2004), que renderam ao atual gestor 37 ações movidas pelo MPE. Mesmo assim, o ex-prefeito que assinou ficha de filiação ao PT sai perdendo.

Por fim, Alisson cita investimentos da iniciativa privada no período Newton Lima (setembro de 2007 a dezembro de 2012).

Vale lembrar que é impossível falar de economia sem levar em consideração a conjuntura do país, imersa na lógica do capitalismo mundial. Entre 2007 e 2012, o Produto Interno Bruto (PIB) do Brasil cresceu em média 3,8% ao ano. O consumo aquecido impulsionou atacado e varejo, justamente os setores das redes que se instalaram no eixo Ilhéus-Itabuna (Makro, Atacadão, Maxxi e G Barbosa). O crescimento expandiu o mercado imobiliário, com os bancos públicos aumentando suas linhas de crédito e financiamento. Apesar do momento positivo, os indicadores sociais de Ilhéus apresentaram índices baixos, prova de que as políticas públicas tocadas pelo município falharam, apesar do crescimento econômico.

Agora vivemos período de retração no PIB, com diminuição do crédito e dos investimentos. O discurso de Alisson não considerou o panorama atual. Baseou-se na oposição pura e simples.

Como exercício de retórica, o pronunciamento do vereador é válido, pois inteligentemente “defende o indefensável” com argumentos frágeis e eloquência singular. Talvez seja um mecanismo de autodefesa, uma vez que até hoje ele não conseguiu justificar porque, em 2010, deixou a oposição para compor o secretariado de Newton Lima.

Em março de 2010, Alisson pediu a cassação de Newton, meses depois assumiu a secretaria de planejamento. Sua capacidade de argumentação preferiu esquecer essa mudança.

Emílio Gusmão é comunicólogo e editor deste blog.



5 responses to “ALISSON E A RETÓRICA DO ESQUECIMENTO

  1. Assim como foi no governo de Newton, que quase foi cassado, também será no atual governo, basta o atual prefeito aceitar o apoio do PT, oferece-lhes algumas secretárias que todo fica logo certo e não haverá mais nenhum erro e críticas na atual administração. Me faça uma garapa de limão balão. Chega de tanta hipocrisia na política brasileira.

  2. Caro Emílio, boas falas. Acredito também que existe muita semelhança no “modus operandis” , tipo quem não chora não mama.

  3. Parabéns Gusmão, jornalismo justo sem pender pra esquerda ou pra direita, deu a Cezar o que é de Cezar e a Deus o que é de Deus.
    Que você continue assim.

    Parabéns!

  4. o que o atual governo esta enfrentando e resultado de gestão anteriores não esta bom mais pode ficar pior se aceita apoio a pesaria do PT chega de pt.

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