CHÁ DE ESPERA E BANHO DE SOL

Imagem cedida ao Blog do Gusmão.
Imagem cedida ao Blog do Gusmão.

Uma hora e quarenta minutos. Segundo um leitor deste blog, esse foi o tempo que uma criança e um homem esperaram nesse domingo (3) pelo ônibus da linha Ilhéus-Olivença. Como aquele ponto na zona sul de Ilhéus não tem cobertura, usaram um pedaço de papelão para amenizar o forte calor da tarde ensolarada.

MAMA ÁFRICA PARE SOZINHA, SILENCIOSA, SEM LÁGRIMAS

jamalPor Mohammad Jamal

Ah rainhas míticas, como amo aquelas negras! Lindas negras de olhos amarelecidos pela melancolia. Dorsos recurvados sob os panos da costa onde carrega apertada contra si, como um masurpial, a cria mirrada pela fome que a tolherá da vida no antever a manhã do amanhã quase imediato. Quase nada que não seja obstinadamente selvagem e forte, sobrevive nessa terra de ausências eletivas primárias, do calor tórrido, da seca permanente, da sede da água e do existir onde fartas apenas são as adversidades. Na África as mulheres parem. Parem e lutam as guerras dos homens, insensíveis à sobreposição de sofrimentos a que já se habitou desde que nasceu mulher. E ainda assim, amam a submissão, seus homens-senhores.

Ah como amo e me prosterno respeitosamente admirado diante essas negras de rostos pálidos ocultos sob o escuro manto da resignação, do pudor, do hijab, da exclusão e tradições pesadas no negro silêncio da obstinação. Negras… Esculturas cinzeladas no mais puro e resistente arenito. Pedras obsidianas paridas pelas chamas na convulsão dos vulcões; flores do cacto, frutos do cacto, águas das entranhas da terra. Ó negras, poesias das falésias, do Sahel escaldante; dos empoeirados desertos marroquinos, do Saara; do Nefud; o pão assado sobre as brasas da bosta do camelo. Há; na África as mulheres parem em silêncio e amam hirtas de quietude, sem um gemido de prazer. Na África é pecado gemer de for ou de prazer.

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LIMPEZA NÃO EVITOU ALAGAMENTO NA SOARES LOPES

Avenida Soares Lopes. Imagem de arquivo.
Avenida Soares Lopes. Imagem de arquivo.

A forte chuva que caiu em Ilhéus nesse domingo (3) aliviou o clima seco da estiagem prolongada, mas, também trouxe de volta o problema crônico dos alagamentos no centro da cidade. Quem estava na Avenida Soares Lopes ontem à noite não conseguiu escapar da água suja que rapidamente avançou sobre as calçadas.

Há menos de seis meses, em julho de 2015, a Prefeitura de Ilhéus divulgou a limpeza que realizou para desobstruir os bueiros da rede de escoamento pluvial da Soares Lopes. Os alagamentos desse domingo sugerem que o serviço não surtiu muito efeito.

Fedeu

Logo após o início da tempestade, um odor desagradável invadiu um bar da Avenida Soares Lopes onde a banda Quizila se apresentava. A água da chuva se misturou com o esgoto lançado clandestinamente na rede pluvial e exalou o “cheiro do ralo” que antecipou o fim da festa. O mesmo problema incomodou pessoas que jantavam numa pizzaria próxima ao cinema, também na Soares Lopes.

GOVERNO JABES RESPONDE ACUSAÇÃO DA APPI SOBRE O ESTATUTO DOS SERVIDORES

Prefeito Jabes Ribeiro e o vice-prefeito Carlos Machado (Cacá). Imagem de arquivo: Thiago Dias/Blog do Gusmão.
Prefeito Jabes Ribeiro e o vice-prefeito Carlos Machado. Imagem: Thiago Dias/Blog do Gusmão.

O governo Jabes Ribeiro negou que tenha descumprido acordo firmado com os servidores sobre o estatuto da categoria, ao contrário da informação divulgada pela Associação dos Professores Profissionais de Ilhéus (APPI). De acordo com a nota da prefeitura, as informações divulgadas pelo sindicato “não refletem a realidade”. Leia a íntegra.

Gabinete do Prefeito

Nota de Esclarecimento

Em relação a matérias veiculadas na imprensa regional, que reproduziram informações distribuídas pela Associação dos Professores Profissionais (APPI) de Ilhéus, sobre a sanção, pelo poder Executivo Municipal, do Estatuto dos Servidores Públicos do Município, o prefeito de Ilhéus, Jabes Ribeiro, vem esclarecer que:

  1. As informações divulgadas pela Associação dos Professores Profissionais (APPI) de Ilhéus, não reflete a realidade dos fatos, o que denota um claro interesse em manipular o conteúdo das mesmas informações em benefício próprio;

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INCÊNDIOS NA BACIA DO ALMADA SÃO TÃO GRAVES QUANTO OS DO LITORAL

Fogo na mata que cerca a bacia do Rio Almada. Imagens: Blog Acorda Meu Povo.
Fogo na mata que cerca a bacia do Rio Almada. Imagens: Blog Acorda Meu Povo.

Por Paulo Paiva do Blog Acorda Meu Povo

O sul da Bahia vive seca histórica e uma onda de desmatamento causados pelo fogo. Faltando água em vários municípios, e o fogo queimando a única salvação dessa lavoura. A Área de Proteção Ambiental está em chamas há vários anos, e o problema do abastecimento vem se agravando ano a ano. No ´primeiro documentário que dirigi sobre a APA Lagoa Encantada, em 2002, num parceria com a bióloga Márcia Virginia, guardamos um depoimento extraordinário de Marco Luedy, um militante pela recuperação do rio Almada: “Nós temos dois problemas. O primeiro é de engenharia florestal, reflorestar as nascentes e recompor os nascedouros do rio, manter a água; e um segundo problema que é de engenharia, para armazenar e distribuir essa água. 

Quem conhece a APA no seu interior sabe, que enquanto queima o litoral para a especulação imobiliária, queimam as florestas e cabrucas no interior para a expansão de pastagens. Se no litoral a fumaça é mais publicitária, certamente, no interior da APA é ainda mais dramática – mediática. É a transformação de uma paisagem em curso, e o fim de um grande rio, que adormece na decadência de um modelo falido, e a necessidade de transformação de um povo para melhor administrar seus recursos naturais. 

Áreas desmatadas nos arredores do Rio Almada.
Áreas desmatadas nos arredores do Rio Almada.

O cenário é crítico e caótico, falta água, topos de morro estão sendo queimados, a bacia está crise, a biodiversidade ameaçada. Nesse momento é preciso dizer ao governo que impactar com mais o desmatamento do Porto Sul, implica em proteger não apenas o remanescente da Tulha, mas como se comprometeu, criar um grande Parque nas cabeceiras do Almada, e pactuar com os proprietários rurais, o fim do avanço do desmatamento, e inicio imediato do reflorestamento de APP´s para que o rio Almada seja recuperado.   

As imagens abaixo são de autoria própria e foram realizadas na Bacia do Almada no final do mês de novembro-2015, além de outras fotografias que circulam nesses dias nas redes sociais sobre a triste imagem de um rio seco e uma floresta, esponja de água, a ser destruída. 

Imagem: Valério Dias.
Imagem: Valério Dias.
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