ANTÔNIO ALCIATO BERBERT DE CARVALHO OU O GRINGO ALCIATO

Alciato.
Alciato.

Por José Henrique Abobreira e José Rezende Mendonça

Nasceu no Pontal no primeiro quarto do século XX. Curtiu intensa e ardentemente nas ruelas, praias e areias escaldantes do bairro, originalmente uma aldeia de pescadores. Homem de descendência alemã e francesa, de seus avós, gigante no tamanho e na generosidade, era também o mais típico dos nativos pontalenses, com seus pés sempre descalços e da cintura para cima, nu.

Amava as rodas de conversa dos pescadores, na banca do peixe, no estaleiro de recuperação das embarcações. Ao raiar do dia, no seu bote a motor, singrava a baía formada pela foz do Cachoeira e o oceano Atlântico, rumo à boca da barra, em busca de um bom pesqueiro no mar aberto. Com uma prole numerosa de dez filhos, adorava levar alguns deles para as aventuras de pescaria.

Viveu feliz com sua Angélica num pequeno bangalô, na rua da Frente, perto das casas dos seus grandes amigos Zé Figueiredo, pai de França e Luciano, e Lino Cardoso. Com eles, degustava as moquecas dos peixes capturados nas inúmeras pescarias que chegavam a durar uma semana, lá pelas bandas da barra dos Lençóis ou, perto, no seu sítio no litoral das Pedras de Una.

Chico, seu filho, herdou o dom no preparo dessas iguarias. Dizem que faz uma moqueca pra ninguém botar defeito.  Aliás, desses encontros e degustações na casa de seo Figueiredo, velho pescador de carapebas, robalos, tainhas e curimãs, nasceu e se concretizou o projeto de implantação do bar e restaurante Cabana da Sereia, o melhor estabelecimento gastronômico da praia da frente do Pontal entre as décadas de 60 e 80. Em frente à Cabana da Sereia ficava a praia mais badalada da época. Era frequentada pela juventude dourada de Ilhéus, com sua fauna de belas sereias trajando tangas. Uma maravilha só.

Avesso à vida social, praticava a solidariedade cristã ajudando aos mais humildes, mas sempre ao seu modo. De maneira espontânea e pessoal, socorria aos pescadores pobres quando em estado de doença, seja atacados pela tuberculose ou derrames provocados pela umidade e respiração do ar no mar impregnado de sal. Essas famílias necessitadas tinham nele o provedor misericordioso.

Alciato e família.
Alciato e família.

Nós, quando meninos, o víamos circular pelo bairro, hora na padaria de Pepeu, outra no açougue de Portela, no frigorífico do Mata Calado (a comprar gelo para as pescarias) e nos mercados e mercearias (a adquirir gêneros alimentícios para a prole ou para o povo que ele em muito ajudava). No caixa, brincava com as atendentes versejando:

– A mulher e a galinha são dois bichos interesseiros. A galinha pelo milho. A mulher pelo dinheiro.

Isso foi antes da visita dos filósofos Jean Paul Sartre e Simone de Beauvoir a Jorge Amado em Ilhéus. o policiamento feminista ainda não havia desembarcado na terra do cacau. Todos os funcionários, funcionárias e clientes caíam na gargalhada com o gracejo do machista.

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DEFENSOR PÚBLICO NÃO QUER SER CHAMADO DE DOUTOR

Aviso na porta do escritório de Renan.
Aviso na porta do escritório de Renan.

Do G1

Um aviso colado na porta do seu gabinete por um Defensor Público de Lago da Pedra, a 305 km de São Luís, chamou a atenção nas redes sociais. O comunicado diz: “O nome do Defensor Público é Renan. Não é Doutor. Não é Excelência. Não é Senhor. É, simplesmente, Renan”. A postagem teve mais de 1,4 mil compartilhamentos.

A repercussão nas redes sociais chegou a assustar o jovem defensor público de 28 anos, Renan Barros dos Reis. “Em um primeiro momento eu fiquei confuso. Depois refleti que essa era uma atitude que devia ser normal no funcionalismo público. O respeito que nós devemos ter é pelo nosso serviço, não por uma nomenclatura”, disse.

Renan, como prefere ser chamado, explicou que colocou o comunicado na intenção de ficar mais próximo às pessoas atendidas por ele, tentando compreender melhor como eles gostariam de ser atendidos. Na sua visão, algumas nomenclaturas servem apenas para “oprimir pessoas mais humildes”.

“Na Defensoria Pública nós atendemos pessoas que não ter recursos, pessoas pobres, necessitadas, muito humildes. E elas tinham um travamento para falar. Resolvi colocar o aviso na intenção de ‘quebrar o gelo’. Isso quebrou um paradigma. Falar a linguagem deles”, contou Renan.

O dia-a-dia da Defensoria de Lago da Pedra mudou depois do comunicado. Muitas pessoas já entram rindo na sala depois de lerem o aviso na parede. E, segundo Renan, isso ajuda a conquistar a confiança delas. “Como eles entram mais descontraídos eu consigo tirar informações importantes que ajudam a própria pessoa”, disse.

Renan que é carioca e foi criado em Teresina está ocupando o cargo de defensor público em Lago da Pedra desde setembro de 2015. Sobre o futuro na carreira, ele disse que deseja continuar ajudando as pessoas. “É como uma pitada de sal em um barril de água. Pode não mudar o barril, mas muda o sabor da água”, finalizou.

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PROJETO DA MADRE THAÍS DEMOCRATIZA ACESSO À JUSTIÇA

faculdade madre thaísA direção da Faculdade Madre Thaís explica que a responsabilidade social é uma das marcas dessa instituição de ensino ilheense. Daí a realização de projetos capazes de retribuir a confiança que recebe dos moradores de Ilhéus. Por isso, o Balcão de Justiça e Cidadania surgiu como mais uma iniciativa pensada para atender a população local, sobretudo sua parte mais carente.

O projeto facilita o acesso da população à Justiça por meio de serviços gratuitos. O balcão funciona na sede da faculdade, número 1.491, na Avenida Itabuna. O atendimento ocorre de segunda a sexta, entre as 13h30min e 17h30min.

Além de beneficiar a comunidade, o programa evita que as varas judiciais da região fiquem ainda mais sobrecarregadas, pois realiza audiências de mediação e tem autoridade para formalizar acordos sobre pensão alimentícia, divórcio consensual, desfecho de união estável e reconhecimento espontâneo de paternidade, entre outros negócios jurídicos.

Outro ponto importante é a participação dos estudantes de direito da Madre Thaís como estagiários, sob a supervisão da professora Caroline Bráulio.

PRAIA DA CONCHA NÃO TINHA SALVA-VIDAS QUANDO JOVEM MORREU

Harrison tinha 20 anos e morreu afogado na Praia da Concha.
Harrison tinha 20 anos e morreu afogado na Praia da Concha.

A afirmação é de Stephanie Lauren. Ela era noiva de Harisson Bulgarelli, jovem que morreu afogado na Praia da Concha, perto do Morro de Pernambuco, em Ilhéus, no último dia 22. Seu corpo foi encontrado três dias depois – lembre aqui.

O casal se afogou numa segunda-feira, por volta das 14h40min. Stephanie sobreviveu porque conseguiu nadar até as pedras. Segundo ela, a praia não tinha nenhum salva-vidas naquele momento.

Um representante do grupo Anjos da vida, que atua de forma voluntária nas praias de Ilhéus, procurou o Blog do Gusmão para criticar o número reduzido de salva-vidas na cidade. Segundo ele, o concurso divulgado pelo município prevê a contratação de 19 servidores para essa área, no entanto, seriam necessários mais 50, pois a faixa costeira ilheense é muito grande e quase toda frequentada por banhistas.

O outro lado

Telefonamos ontem duas vezes para o número terminado em 5515, mas não conseguimos contato com Alexandre Mendonça, coordenador dos salva-vidas do município. Falamos com o secretário de comunicação Valério de Magalhães, que encaminhou nossas perguntas a Mendonça por e-mail.

A resposta contradiz a afirmação de Stephanie. Conforme Mendonça, de 26 de dezembro a 28 de fevereiro, a Praia da Concha contou com salva-vidas todos os dias, entre as 9 e 17 horas, assim como outras praias de Ilhéus. Apesar disso, o município registrou cinco mortes por afogamento nesse período. Por outro lado, ocorreram “muitas ações de salvamento”.

Mendonça listou as praias que têm salva-vidas: Mamoam, Jóia, Luzimares, São Domingos, Yemanjá, Barraca do Cabeça, São Miguel, Boca da Barra, Catedral, Cristo, Concha, Opaba, Jardim Atlântico, Costa do Cacau, Guarani, Soro Caseiro, Gabriela, Palmito, Cururupe, Rio e Mar, Porto da Lancha, Batuba, Milagres, Siriyba e Balneário de Olivença.

Além disso, informou que a prefeitura colocou cinquenta placas de sinalização no litoral ilheense.

ILHÉUS RECEBE ESPETÁCULO PREMIADO

Imagem: Lara Cosan.
Imagem: Lara Cosan.

O espetáculo “Calango deu! Os causos da Dona Zaninha” vai circular por Juazeiro, Vitória da Conquista e Ilhéus por meio do programa Petrobras Distribuidora de Cultura 2015/2016. Sucesso de público e crítica, dirigida por Isaac Bernat, essa é a primeira obra da Cia. Caititu, escrita e interpretada por Suzana Nascimento.

Baseado na cultura popular mineira, o espetáculo indicado a 8 categorias ao prêmio FITA 2015, recebeu os prêmios de melhor atriz para Suzana Nascimento e melhor cenário para Desirée Bastos.

O monólogo foi construído ao longo de 5 anos de uma pesquisa que abrange vocabulário, hábitos, histórias, músicas e crenças. Dona Zaninha é uma guardiã desses ricos acervos de memórias – uma genuína contadora de causos, hilária por seu jeito e seu linguajar, mas profunda com suas “sabências” sobre o tempo.

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ESTUDO ANALISA SE PERNILONGO COMUM PODE TRANSMITIR ZIKA

pernilongoDa Folha de S. Paulo

Uma pesquisa da Fiocruz em Pernambuco identificou a presença do vírus da zika no mosquito Culex quinquefasciatus, o pernilongo comum.

Alguns resultados do trabalho, que ainda está em andamento, foram divulgados pelo “Jornal Nacional”, da TV Globo.

Pesquisadores infectaram 200 mosquitos e analisaram glândulas salivares e aparelhos digestivos dos insetos. A ideia é tentar identificar se os pernilongos conseguem, sozinhos, transmitir a zika.

Os resultados ainda são preliminares, e é preciso checar se os mosquitos podem ser infectados em ambientes naturais e se conseguem transmitir a doença aos seres humanos. O estudo vai ser concluído, segundo o jornal, em até oito meses.

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ESPECIALISTAS NÃO QUEREM MAURÍCIO BARBOSA NA SNSP

Maurício Barbosa, secretário de segurança pública da Bahia.
Maurício Barbosa, secretário de segurança pública da Bahia.

A informação é da Coluna do Ancelmo Góes. Segundo o jornalista d’O Globo, “cerca de 80 especialistas em segurança mandaram carta ao novo ministro da Justiça, Wellington César Lima e Silva”, para se posicionar contra a possibilidade do secretário de segurança pública da Bahia, Maurício Barbosa, assumir o comando da Secretaria Nacional de Segurança Pública (SNSP), órgão ligado ao ministério.

Barbosa é acusado de acobertar os policiais militares que mataram quinze jovens negros em Salvador, em 2015. O episódio ficou conhecido como a chacina do Cabula, nome do bairro da capital baiana. A defesa dos acusados alegou que as vítimas se preparavam para assaltar um banco.

Wellington César é ligado ao ministro da Casa Civil, Jaques Wagner. O ex-governador da Bahia tem dado sinais inequívocos da sua influência sobre as decisões do segundo governo Dilma Rousseff.

PASTOR ADILSON TIRA MANTENA DO “BOM DIA NA GRAÇA”

Fábio Mantena.
Fábio Mantena.

O radialista Fábio Mantena publicou ontem (2) um desabafo no Facebook sobre sua saída do “Bom dia na graça”, programa que apresentou nos últimos cinco anos na Conquista FM, rádio comunitária de Ilhéus.

O depoimento sugere que a saída teve motivação política. No dia 2 de fevereiro, ao abrir o programa, o apresentador disse que há “pastores que correm mais atrás de voto do que das ovelhas”. Segundo Mantena, o editorial contribuiu para a decisão da emissora dirigida pelo Pastor Adilson.

De acordo com Mantena, o segundo “ponto decisivo” foi sua recusa em atender “de imediato”, enquanto apresentava o programa, o “diretor da rádio”. Na última segunda-feira (29), foi informado que não apresentaria mais o “Bom dia na Graça”.

Fábio faz parte do grupo político da deputada estadual Ângela Souza (PSD), adversária política do prefeito Jabes Ribeiro (PP). JR, por sua vez, mantém boa relação com a diretoria da Conquista FM.