ESQUERDA VERSUS DIREITA

jose eli da veiga (1)Por José Eli da Veiga/publicado hoje no jornal Valor

A importância da contradição entre esquerda e direita tenderá a diminuir no longo prazo? Perdão decepcionar quem faz essa aposta, ou conta com isso, mas as evidências disponíveis sugerem que a resposta negativa seja a hipótese mais plausível. Nem tanto devido a claras manifestações atuais de seu vigor (nas eleições do Canadá e dos EUA, por exemplo), mas principalmente porque fica cada vez mais claro que essa polarização é de natureza antes de tudo cultural e determinada por fatores que mal começam a ser descobertos pela pesquisa em ciência política.

Origens remotas

Em sociedades antigas a direita foi sistematicamente associada ao bem, à limpeza, à luz e à masculinidade. No cristianismo, o filho de Deus sempre esteve de seu lado direito, e na última ceia Cristo colocou à direita seu apóstolo favorito, João. Além disso, a contraposição entre “os caminhos da direita e da esquerda” faz parte de todos os esoterismos, dos mais antigos aos mais novos, das mais antigas magias à maçonaria, passando por todos os gnosticismos. E em quase todas as línguas direito é o que é certo e bom, enquanto esquerdo evoca sobras (inglês), coisas confusas (francês) ou sinistras (italiano). Em português algo errado pode ser chamado de canhestro, jamais de destro.

Não é de estranhar, portanto, que nos regimes absolutistas os nobres tanto se empenhassem em ficar à direita de seu rei, jamais à sua esquerda. Também não foi por mero acaso, portanto, que diante da Assembleia dos Estados Gerais, reunida em 1789 no Hôtel des Menus­Plaisirs, de Versalhes, Luís XVI tenha posicionado, logo abaixo de si, uma ala à esquerda formada pelas mulheres que não poderiam herdar o reino, e outra à direita com os homens que eram seus potenciais sucessores.

Foi em nítida manifestação de inércia evolucionária, portanto, que os representantes do Terceiro Estado, ao instalar a Assembleia Nacional, nem pestanejaram em disponibilizar os assentos da direita à nata da aristocracia e do alto clero, enquanto ocupavam os da esquerda, acompanhados de alguns raros nobres e expoentes do baixo clero.

Tal arranjo só mostrou o seu real impacto simbólico quando a assembleia começou a tomar decisões sobre direitos humanos e a adotar regras constitucionais sobre o poder de veto do soberano. Processo que logo deixou evidente que nada se mostrava viável sem a adesão e o engajamento de centristas. Eles se tornaram o fiel da balança, em incontornável “ménage à trois”.

A importância desse triângulo nem chegou à opinião pública antes da Restauração de 1815, mas a partir da segunda década do século XIX foi ele que passou a dominar todas as democracias constitucionais, legitimando e consagrando o pluralismo. Provavelmente também, ainda que em menor medida, a alternância.

Também é imprescindível lembrar que, por esses tempos, o centro se espremia entre o liberalismo da esquerda e o conservadorismo da direita. Isto é, entre, de um lado, fortes teores de reformismo, republicanismo, anticlericalismo, liberdade de mercado e pouco Estado, contra, do outro, doses cavalares de tradicionalismo, monarquismo, Estado forte, e assim por diante. Mas já ficava bem claro qual era o cerne comum e constante dessas clivagens, que se tornaria o principal divisor de águas entre esquerda e direita: fazer política para reduzir ou para prolongar desigualdades sociais.

Foi assim que, entre fins do século XIX e início do século XX, o centro é que se tornou o grande guardião do liberalismo diante da ascensão de uma esquerda cada vez mais socialista e de uma direita que conseguia ficar ainda mais conservadora. Com a exceção bem conhecida dos EUA, claro, onde a esquerda permaneceu identificada ao liberalismo por causa da forte resistência à importação do credo socialista, o que logo depois foi consolidado pelo peculiar fenômeno do New Deal.

Entrou-­se então na chamada “era dos extremos” em que, na Europa, o centro se viu literalmente esmagado nos confrontos entre dois titãs: a aliança entre socialistas e comunistas contra o conluio no qual os fascistas foram a reboque dos nazistas.

A barbárie do Terceiro Reich só acabou graças à grande coalizão essencialmente centrista dos Aliados, por mais que tenha sido crucialmente ajudada pelo Exército Vermelho e por heroicos movimentos de esquerda que se destacaram nas forças clandestinas de resistência interior.

Nesse contexto, nada sobrou daquele liberalismo inicial da esquerda. O stalinismo, logo depois replicado no maoismo, se notabilizou por torturas e execuções às soltas, duras perseguições étnico­religiosas, trabalhos forçados e hecatombes provocadas por devastadoras crises alimentares.

Não obstante, ao longo da segunda metade do século XX, várias das teses liberais foram reabilitadas nas principais democracias, tanto pela esquerda quanto pela direita, fazendo que frequentemente o centro se visse atordoado entre os mutantes liberal-­socialismo e liberal­-conservadorismo. O que não impediu que a esquerda mantivesse a clara preferência dos que mais seriam prejudicados pela indiferença da direita às desigualdades.

Dúvidas recentes

Nos cinco últimos anos do século passado, no entanto, a perestroika fez parecer que essa regra geral estaria sendo radicalmente descumprida, o que deu muito alento à suposição de que as coisas mudariam nas sociedades ditas “pós­-comunistas”. Hoje, porém, tanto na Rússia quanto no conjunto do Leste Europeu, se constata que esquerda e direita voltaram a se opor em função das desigualdades.

Também não faltaram episódios recentes em que governos de esquerda tomaram iniciativas claramente de direita e vice­-versa. Dois exemplos espetaculares são o de Tony Blair na invasão do Iraque, em 2003, e o de Angela Merkel na acolhida aos refugiados do Oriente Médio, no ano passado.

No caso britânico, pode ter demorado 12 anos, mas Blair acabou tendo que ir a público pedir desculpas, em didática entrevista à CNN. E sua trapalhada direitista em nada mudou a orientação do Labour Party, que ainda passou a ser liderado em 2015 por um expoente de sua ala mais à esquerda, Jeremy Corbyn.

Com certeza ocorrerá algo semelhante no caso alemão, mesmo que Merkel não precise vir a se desculpar pela mão estendida aos refugiados de guerra. Os partidos que ela lidera (CDU/CSU) permaneceram solidamente à direita, condenando sua atitude e colocando­-a em situação de inédito isolamento.

Por outras razões, a tendência à superação da contradição esquerda-­direita nas mais avançadas democracias também chegou a ser anunciada por precária interpretação dos resultados do World Values Survey: periódicas sondagens que começaram a ser realizadas em 1981 por uma vasta rede internacional de cientistas sociais.

Tais pesquisas evidenciaram que, em situações de maior segurança existencial, um número expressivo e crescente de pessoas ­ e particularmente de jovens ­passava a dar muito mais importância a novos temas que pouco ou nada tinham a ver com a tradicional divisão entre menos e mais favorecidos no plano socioeconômico, bem distantes, portanto, da resistência de trabalhadores à exploração patronal. Principais exemplos: campanhas pela conquista dos direitos das mulheres, rejeição à intolerância contra comportamentos afetivos e sexuais até então abominados ou, com ainda mais destaque, a causa ecológica, que no início da década de 1980 fez emergir partidos verdes.

Alguns intérpretes viram nisso um fenômeno “pós­-materialista” que contrastaria com a anterior natureza eminentemente materialista dos conflitos que opunham esquerda e direita. A deficiência desse tipo de interpretação é reduzir a questão das desigualdades apenas à desigualdade de renda. Aliás, um vício que permanece muito comum: o emprego do termo desigualdade no singular, como se fosse sinônimo exclusivo de concentração de renda.

Decorre de atroz economicismo essa redução das desigualdades à desigualdade de renda. Pois também expressam desigualdades os temas que, por equívoco, foram tachados de “pós­-materialistas”. Nada poderia ser mais óbvio na causa feminista, cuja principal bandeira é a conquista da equidade de gênero. Quase tão óbvio na luta dos LGBT pela redução da desigualdade de direitos civis fundada em orientações sexuais. Mas também ­mesmo que bem menos óbvio ­na legitimação desse novo valor que é a sustentabilidade, pois ele diz respeito à desigualdade entre gerações: pretendesse garantir que as próximas tenham ao menos o mesmo leque de escolhas e oportunidades que as atuais.

Em suma, a polarização político-­ideológica entre esquerda-­direita só poderá recuar com o desaparecimento dessas e de diversas outras desigualdades, o que por muito tempo permanecerá um belíssimo sonho. De resto, dúvidas sobre a consistência dessa contradição que até podiam ser consideradas aceitáveis perderam tal status desde que se dispõe da formidável base de dados construída pelo Manifesto Project.

Muito além da política

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Cidade húngara na fronteira com a Sérvia, onde Exército e operários tentaram construir muro para barrar imigrantes: a polarização político-­ideológica só poderá recuar com o fim de várias desigualdades.

É necessário, contudo, insistir que esquerda e direita estão muito longe de se distinguir apenas na política, âmbito em que tal dicotomia mais se consolidou na modernidade. Os avanços de pesquisas em ciência política vêm demonstrando que essas são duas predisposições básicas que existem entre os indivíduos de qualquer grupo social, mesmo que uma preponderância da moderação possa frequentemente obscurecer a significância dos extremos.

No geral, os indivíduos de direita são os mais avessos à incerteza. Ficam desconfortáveis em situações incomuns ou imprevisíveis. Os de esquerda, ao contrário, são inveterados novidadeiros. Os de direita estão sempre muito atentos a qualquer sinal de ameaça, seguem instruções a menos que sejam obviamente falsas, evitam objetos e experiências que não lhes pareçam familiares.

Os de esquerda são mais atraídos por novas informações, mesmo quando não gostam delas. Só seguem instruções quando não têm escolha, não temem complicações e quase sempre topam novas experiências, mesmo quando elas envolvem algum risco.

Mas esquerda e direita também diferem em arte, humor, preferências gastronômicas, lazer, estilo, destinos de viagem, modelos de automóveis ou decoração. São bem contrastantes seus modos de procurar informação, de pensar e de enxergar os outros. Suas arquiteturas neurais são muito distintas, seus sistemas nervosos não ficam antenados nas mesmas coisas, e é díspar até aquilo que as estimula e excita.

Em geral, o que mais causa curiosidade na tribo da esquerda costuma ser visto como perigo pela da direita. Onde a primeira enxerga ambiguidades intrigantes, a outra identifica debilitante insegurança. Por isso, choques comportamentais acabam por se dar entre indivíduos de esquerda que valorizam o novo, que preferem a expressão individual e toleram as diferenças, e indivíduos que se inclinam mais para ordem e segurança, respeitam tradições e exaltam a lealdade grupal.

É verdade que são contrastes emocionais, psicológicos e provavelmente até mesmo biológicos, que se manifestam num gradiente contínuo entre duas extremidades quase sempre minoritárias. Só que o amplo centro, resultante de insuficiente predisposição por um dos lados, costuma ser persuadido por um deles, em vez de ziguezaguear ou de ficar à deriva.

Esses são achados cruciais, pois permitem evitar as sempre duvidosas classificações baseadas apenas em opiniões políticas, que são altamente dependentes de circunstâncias, como se viu mais acima. Além disso, opiniões que não poderiam se formar antes da adolescência.

O que vários pesquisadores andam mostrando é que as pessoas se inclinam para um dos lados por estar, desde muito cedo, de certa maneira “psicologicamente programadas”.

Essa expressão não é rigorosa, pois analogia com programação é inadequada para abordar aspectos relativos à personalidade. Mas talvez seja a que melhor se aproxime e transmita o estado da arte, pois há muitas evidências de que até a hereditariedade desempenhe papel dos mais relevantes nessas predisposições, mesmo que ela não chegue a ser genética.

As evidências em que se baseia essa tese sobre fortíssimas predisposições para um dos lados da contradição se multiplicaram exponencialmente quando a internet começou a permitir a realização de enquetes capazes de facilmente obter centenas de milhares de respostas anônimas. Nessa linha, o pioneirismo parece ter sido do website hunch.com, rapidamente comprado pelo eBay por US$ 80 milhões.

O mesmo não ocorreu, contudo, com o neuropolitics.org, que se dá por missão desvendar as diferenças entre “liberais” e “conservadores” americanos, os dois termos que, vale repetir, melhor exprimem a oposição esquerda/direita na terra de Tio Sam.

Também continua bem firme, desde 2001, o britânico politicalcompass.org, dedicado a desfazer a frequente confusão com outra disjuntiva: a que opõe propensões autoritárias e libertárias. Distinção bem esclarecida pela psicologia desde 1954.

O maior obstáculo é que não se deve confiar em resultados de enquetes on­line, pois são sujeitas a desvios impostos pela impossibilidade de se apoiar em amostras estatisticamente representativas, embora imensas. Daí porque tais resultados só se tornam evidências científicas se confirmados por estudos que respeitam as melhores metodologias e quando aceitos por conceituados periódicos, isto é, após meticulosa verificação por pareceres de especialistas anônimos.

No meio de campo, entre enquetes não confiáveis e rigorosos estudos científicos, mostram-­se bem significativos os frequentes levantamentos realizados por empresas especializadas para partidos políticos ávidos em melhor conhecer as preferências de suas bases militantes e eleitorais. Ou, do outro lado do balcão, estudos realizados por organizações cuja missão é vasculhar os bastidores desses partidos com o propósito de dar maior transparência ao jogo político.

Contudo, as melhores evidências sobre a tese de predisposições à esquerda e à direita foram as que já surgiram em pesquisas psicológicas que não se voltaram diretamente à clivagem política, mas, em vez disso, procuraram estabelecer características ou padrões de personalidade.

Traços psicológicos

Questionários consolidados nesse gênero de pesquisa evitam questões com conotação ideológica fazendo perguntas do seguinte teor: se seu pai permitisse, você lhe daria uma tapa na cara em ensaio de peça de teatro? Quando de manhã você sai correndo para o trabalho, é frequente que deixe uma bagunça em sua casa ou apartamento? O que é mais importante ensinar às crianças: bondade ou respeito?

Outras vezes esses testes propõem alternativas que melhor descrevam o jeitão de quem responde: excêntrico ou convencional? Flexível ou enérgico? Cabeça aberta ou moralista? Imaginativo ou prático? Outras procuram identificar preferências que podem ser entre cidades pequenas ou grandes, filmes românticos ou comédias, livros sobre música ou sobre esporte.

Também há experiências que solicitam acordo ou desacordo com afirmações do tipo: há pessoas que valem mais do que outras; haveria menos problemas neste país se as pessoas fossem tratadas com mais equidade; todas as nações seriam iguais num mundo ideal; provavelmente é bom que certos grupos estejam no andar de cima e outros no andar de baixo.

Tem sido muito usada uma medida que ficou consagrada com os nomes dos dois psicólogos que a lançaram em 1968: a escala Wilson­Patterson de conservadorismo. Mas no âmbito da ciência política o emprego dessa medida costuma ser combinado a um índice bem mais recente que explora diversos dilemas mediante uma bateria de perguntas que sempre começam com a seguinte frase: “A sociedade funciona melhor quando…” Por exemplo: funciona melhor quando são seguidos valores tradicionais ou quando eles são ajustados para corresponder a circunstâncias que mudam?

Mas todos esses procedimentos dão resultados ainda mais impressionantes em estudos que se concentraram na análise de histórias de vida afetiva de filhos adotados ou que foram trocados por erro hospitalar. Costumam ilustrar até demais a dimensão hereditária dos traços de personalidade que definem o contraste entre esquerda e direita. Indivíduos com predisposição a um dos lados criados por famílias com predisposição inversa, por terem sido adotados ou por trapalhadas de maternidade, até podem não comer o pão que o diabo amassou, mas passam quase uma vida inteira na condição de estranho no ninho ou de patinho feio.

Outra vez, porém, são estudos de caso sem nenhuma base estatística, pois é até muito raro que se consiga entrevistar o trio: o indivíduo, sua família biológica e a que o adotou. E barbeiragens em maternidades também não vêm ao conhecimento público com grande frequência, além de serem raras as vítimas e famílias envolvidas que se dispõem a conceder entrevistas em profundidade aos pesquisadores que as procuram.

O mesmo não ocorre, contudo, com os numerosos estudos sobre gêmeos, nos quais são muito fortes as correlações que confirmam a natureza hereditária de inclinações à esquerda ou à direita. Os coeficientes são quase sempre altos: superiores a 0,60 para monozigóticos e a 0,35 para heterozigóticos.

Mostram-­se precárias, porém, as evidências de que um determinado alelo possa predispor seu portador a ser de esquerda. Em 2010 um grande ruído em torno da especulação sobre o longo alelo “DRD4” chegou a motivar o anúncio da criação de um “genopolitics movement”. Só que, além do estudo de origem não ter sido bem entendido pelos que de imediato soltaram fogos, o que se confirmou é que nessa, como em várias outras investigações, continua dificílimo identificar quanto um fenômeno hereditário pode ter de genético, de epigenético, de comportamental ou mesmo de “simbólico” (memes).

Moral da história

Por mais que venha a ser difícil superar esse obstáculo, as evidências científicas já acumuladas são suficientes para indicar que a contradição entre esquerda e direita continuará tão significativa quanto sempre foi. É bem provável que só possa desaparecer com a extinção da espécie humana.

A principal implicação prática dessa constatação aponta para a necessidade objetiva de que a coexistência entre os dois polos possa trazer o máximo de benefícios para a sociedade, em vez de prejudicá­-la. E, para começar, algo assim só poderá ocorrer se as pessoas de esquerda e de direita perceberem que jamais poderão se ver livres dos que consideram seus adversários, quando não inimigos. O principal, portanto, é que petralhas, coxinhas e centristas entendam que formam o sistema trifásico da mesma corrente alternada.

Não se trata de pedir que escondam, disfarcem ou amenizem suas convicções. Muito menos que tentem se colocar no lugar do outro com o intuito de tentar compreendê­-lo. Apenas que saibam que a humanidade experimentou essa contradição nos 12 milênios do holoceno, por mais que muitos imaginem que ela seja apenas política e só tenha surgido há pouco mais de dois séculos, com a Revolução Francesa. E não há indícios de que isso mude, mesmo quando cair a ficha de que já se está no antropoceno.

José Eli da Veiga é professor sênior do Instituto de Energia e Ambiente da Universidade de São Paulo (IEE/USP) e autor de “Para Entender o Desenvolvimento Sustentável” (Editora 34, 2015). Página web: www.zeeli.pro.br

 



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