ESQUERDA DEVE IR “ÀS RUAS” CONTRA IMPEACHMENT, DIZ CID BENJAMIN

Imagem da manifestação do dia 18 de março a favor do governo Dilma.
Imagem da manifestação do dia 18 de março em São Paulo a favor do governo Dilma.

O jornalista Cid Benjamin publicou hoje no Facebook comentário sobre o processo de impeachment que ameaça o mandato da presidenta Dilma Rousseff (PT).

Crítico das concessões (para usar um termo leve) que os governos petistas fizeram em benefício das forças mais conservadoras do País, Cid argumenta que é o momento de ir às ruas para fortalecer os movimentos de esquerda.

Segundo ele, mesmo se o impeachment se consolidar, “quanto maior a resistência ao golpe, mais se terá acumulado forças para resistir no novo período”.

O novo período a que se refere seria o de um governo ultraliberal liderado pelo PMDB, com o apoio do PSDB, prenúncio de tempos difíceis para os movimentos sociais e a classe trabalhadora. A análise sugere que se a situação é ruim, só tenderia a piorar com o impedimento de Dilma.

Leia a íntegra do comentário que, sem ignorar as diferenças da crise brasileira, relembra a lógica que orientou os bolcheviques nas vésperas da Revolução Russa.

Cid BenjaminSobre analogias e diferenças

Por Cid Benjamin

No dia 10 de setembro de 1917, o general Kornilov tentou um golpe de estado contra o governo provisório de Kerensky, na velha Rússia, e marchou com suas tropas para Petrogrado, com o objetivo de esmagar as lutas operárias que desembocariam na Revolução de Outubro.

Os bolcheviques mobilizaram os trabalhadores para, junto às tropas legalistas, lutar contra Kornilov. Sabiam que, àquela altura, um golpe militar, com tudo o que viria a seguir, mataria a revolução, abrindo as portas para um massacre do proletariado.
Lênin lançou, então, a palavra de ordem: “Contra o canalha Kornilov, pelo canalha Kerensky”.

O golpe foi derrotado e a revolução triunfou 40 dias depois.

Claro que a situação brasileira, hoje, é inteiramente outra. Não estamos às vésperas de uma revolução, mas de um provável retrocesso, com a abertura de um período marcado pela hegemonia do conservadorismo. E, se vier um golpe aqui, não será militar, nem seria sucedido por uma ditadura como a que durou 21 anos. Ele pareceria mais com o golpe que derrubou o presidente Lugo, do Paraguai.

Mas, ainda assim, há razões para que a analogia com Kerensky e Kornilov tenha me vindo à cabeça. Vou às ruas contra um golpe, não por aprovar o governo Dilma, que é indefensável, mas para preservar a democracia, não permitir a abertura de um precedente perigoso e limitar o avanço da direita.

Esse avanço da direita, que ninguém se iluda, não deixa de se dar também com Dilma (é bom lembrar que, semana passada, ela sancionou a famigerada Lei Anti-Terrorismo). Mas em menores proporções do que se daria com um governo de peemedebistas e tucanos. Basta ver o tal programa “Ponte para o futuro”, do PMDB.

E há, além disso, outro fator: mesmo que haja o impeachment e se abra uma conjuntura de ainda maior defensiva para a esquerda e os trabalhadores, quanto maior a resistência ao golpe, mais se terá acumulado forças para resistir no novo período.

Às ruas, portanto.



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