CICLO DE DISTRIBUIÇÃO DE RENDA NO BRASIL ACABOU

cesar benajamin e dist de renda
Cesar Benjamin: “O ciclo de distribuição sem reformas, que marcou os governos do PT, foi superficial e já terminou”.

A afirmação é do cientista político Cesar Benjamin, editor da Contraponto Editora.

Leia o texto de Benjamin publicado no facebook, no último sábado, 26.

Tenho feito boletins trimestrais de conjuntura para a Fundação João Mangabeira, sempre temáticos. Os três primeiros foram sobre sistema elétrico, mercado de trabalho e indústria. O próximo será sobre concentração/distribuição de renda. Começo a pensar numa sequência preliminar de ideias:

1. Nos últimos anos, a afirmação mais frequente em defesa dos governos do PT tem destacado que eles promoveram um inédito e expressivo processo de distribuição de renda no Brasil. O estudo das séries históricas não confirma isso.

2. Processos de distribuição de renda não são inéditos no país. O mais substancial de todos ocorreu entre 1946 e 1964.

3. O ciclo de distribuição sem reformas, que marcou os governos do PT, foi superficial e já terminou. Está em curso uma reversão dos ganhos obtidos.

4. Ancorado em gastos bancados diretamente pelo Estado, esse ciclo curto deixou como herança uma gigantesca crise fiscal.

5. Nesse período, a economia brasileira experimentou retrocessos importantes em seu grau de complexidade e em sua inserção no sistema internacional. A pauta de exportações se deslocou para bens primários. O trabalho qualificado, base de um aumento sustentável da renda, regrediu. O preço disso será um ajuste para baixo na renda disponível nos próximos anos, independentemente de quem estiver no governo.

Não sei se, ao redigir, manterei essa sequência de ideias. Mas acho que vou adotá-la como ponto de partida.

O boletim anterior, sobre a desindustrialização do Brasil, está no link.

Abraços,
Cesar Benjamin.



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