PROFESSOR DESTACA POTENCIAIS DO PARQUE DA BOA ESPERANÇA

Emerson Lucena. Imagens: ADUSC e Castilho/Blog Acorda Meu Povo.
Emerson Lucena. Imagens: ADUSC e Castilho/Blog Acorda Meu Povo.

O Parque Municipal da Boa Esperança tem 473 hectares e é um dos poucos locais de proteção ambiental situados em zona urbana. A importância estratégica desse patrimônio vivo do município de Ilhéus é reconhecida há quase um século. Em 1927, a área foi destinada para conservação com objetivo de proteger os mananciais que mantinham o antigo sistema de abastecimento de água da cidade. Décadas depois, em 2001, a Lei Complementar Municipal nº 001/2001 regulamentou a criação da unidade ecológica.

No último domingo (3), as condições atuais do parque foram tema de parte da exposição do professor de biologia Emerson Lucena (UESC) durante encontro realizado pelo Núcleo de Resistência do PSOL de Ilhéus, no hotel Barravento. O Blog do Gusmão aproveitou a oportunidade para realizar uma entrevista rápida sobre os desafios para a gestão da área.

O biólogo destacou questões como a necessidade de estruturar o parque para visitação pública. Também falou da importância da área para o desenvolvimento de pesquisas e defendeu a realização de projetos que aproximem a população ilheense da floresta. Além disso, revelou a tentativa de convencer o Ministério Público a negociar, nas transações penais, contrapartidas em benefício da unidade. Leia.

Blog do Gusmão – O senhor disse que tenta convencer o Ministério Público Estadual a buscar contrapartidas nas transações penais para beneficiar o Parque Municipal da Boa Esperança. Por favor, explique essa ideia.

Emerson Lucena – Na verdade são conversas informais, na tentativa de estabelecer critérios para a abertura do parque para visitação pública. O objetivo é ter um parque divulgado, com trabalhos articulados com as escolas por meio da educação ambiental, com visitação programada, acompanhamento de guias e a criação de um ponto onde as pessoas possam de fato se sentir seguras. Um dos problemas do Parque da Esperança é a falta de estrutura que garanta segurança para os visitantes. Na minha concepção, isso seria fácil se houvesse uma articulação entre os órgãos públicos, a começar pela atuação do policiamento ostensivo.

O parque é importante por ser um remanescente de Mata Atlântica bem conservado, numa zona urbana, no meio de um corredor ecológico, dentro de um hotspot (ponto quente) de biodiversidade. Além disso, não é um local de difícil acesso. Com essa estrutura, poderia atrair mais pesquisadores não só aqui da região.

Blog do Gusmão – E como andam as conversas como o Ministério Público?

Emerson Lucena – É uma ideia que está amadurecendo em torno de um olhar diferenciado sobre as contrapartidas para beneficiar os serviços ambientais, como a proteção dos mananciais. Ali tem uma área importante e riquíssima de aquíferos.

Blog do Gusmão – Ainda mais importante nesse momento de crise hídrica, correto professor?

Emerson Lucena – Sim! Além disso, é possível trabalhar com a produção de sementes para reflorestar áreas próximas. Já temos projetos muito importantes aqui na região, como o desenvolvido pelo Instituto Floresta Viva em Serra Grande. Poderia haver troca de mudas garantindo a diversidade genética.

Por si só, ter aquela área conservada é importante. Isso é óbvio. Mas, além disso, é fundamental que o parque não seja um local isolado, como ocorre hoje. A ideia é que o povo não fique distante da floresta, que pode ser frequentada também por meio de atividades educacionais para a formação tanto nas universidades como nas escolas, com projetos de educação ambiental. A Bahia tem uma lei de educação ambiental, com diversas diretrizes que deveriam ser implementadas inclusive aqui em Ilhéus. Ilhéus é um espaço riquíssimo. Nós não podemos esquecer o grande potencial que a nossa cidade tem.

Blog do Gusmão – Inclusive com o turismo ecológico.

Emerson Lucena – Isso. E já existem propostas nesse sentido, com o turismo de base local e a chamada Floresta do Chocolate. O problema é que o parque, digamos assim, tem sido desprestigiado pelo poder público. E nós não podemos mais aceitar que esses espaços não sejam tratados de forma prioritária para a conservação da Mata Atlântica e para a educação do homem, tendo como premissa a continuidade do entendimento da importância desses lugares.

EMPRESÁRIA MORRE EM ACIDENTE NA ILHÉUS-ITACARÉ

Iolanda.
Iolanda.

O casal Gabriel e Iolanda sofreu um acidente de carro nessa sexta-feira (8), quando voltava de Ilhéus para Barra Grande. Ela morreu. Com ferimentos graves, ele foi socorrido pelo SAMU e levado para o Hospital Geral Luiz Viana Filho. As informações são do site Maraú Notícias.

Gabriel dirigia um Fiat Uno e teria perdido o controle do carro numa curva perto de Serra Grande, na rodovia Ilhéus-Itacaré (BA-001). O veículo saiu da pista e se chocou contra uma árvore.

Em Barra Grande, vila turística do município de Maraú, Iolanda era proprietária da lanhouse Floresta Digital.

PROFESSORA DA USP EXPLICA POR QUE RECUSOU CONVITE DA GLOBO

Patricia Jaime.
Patricia Jaime.

A professora Patricia Constante Jaime, da Faculdade de Saúde Pública da USP, foi convidada a participar de um programa da Rede Globo, mas, recusou o convite.

Segundo Patricia, apesar do convite ser relacionado com o tema nutrição, sua discordância com a linha editorial do jornalismo da Globo lhe impediu de aceitá-lo. Ela criticou a postura da emissora na cobertura do processo de impeachment contra a presidenta Dilma Rousseff (PT). O texto foi publicado no último dia 5 no Facebook. Leia.

Chegou a minha vez de dizer não à Rede Globo

Hoje recebi um convite para participar, mais uma vez, de um programa matinal da emissora para falar sobre alimentação, com o tema “SAL, AÇÚCAR E GORDURA”.
Reproduzo a resposta que dei ao convite, sem aqui expor a pessoa da produção que estive em contato.

Olá XXXXX,
Agradeço o convite. Poderia falar com você, mas participar do programa não será possível. Tenho visto com preocupação a linha editorial que a Rede Globo vem adotando na cobertura do momento histórico que vivemos. No passado, a emissora já se colocou contra as conquistas democráticas do Brasil e me parece que a empresa segue no mesmo sentido.
Mesmo não sendo o tema em questão diretamente relacionado à agenda política, mas, por outro lado, em reconhecimento aos avanços recentes que tivemos em questões nutricionais no país, eu não me sentiria confortável com a colaboração neste momento.
Antes de ser pesquisadora em nutrição e saúde pública, sou uma cidadã comprometida com a defesa da democracia em meu pais.

Atenciosamente,
Patricia Constante Jaime, Professora do Departamento de Nutrição da ­Faculdade de Saúde Pública da USP.

RAIZ E BLOG DO GUSMÃO DEFENDEM A CEPLAC

Unidade regional da CEPLAC.
Unidade regional da CEPLAC.

Na carta abaixo, o Movimento Cidadanista (Raiz) de Ilhéus e o Blog do Gusmão se posicionam contra o rebaixamento da CEPLAC. O documento não se limita a criticar a medida do Ministério da Agricultura. Mais que isso: destaca a importância do órgão na condução de pesquisas científicas e como meio de promoção do desenvolvimento endógeno a partir das potencialidades do sul da Bahia. Leia.

MANIFESTO EM DEFESA DA CEPLAC E DA LAVOURA CACAUEIRA

Nas últimas décadas coube a CEPLAC o protagonismo para atender as necessidades do setor produtivo cacaueiro de todo o Brasil, e principalmente do sul da Bahia. Foi essa instituição que desenvolveu inúmeros instrumentos para o fortalecimento da cacauicultura e a diversificação agrícola, além de ter desenvolvido ampla pesquisa e extensão rural.

Ao tomarmos conhecimento do decreto que definiu o rebaixamento da CEPLAC, tornando-a um mero departamento no Ministério da Agricultura comandado por Kátia Abreu, no governo da presidenta Dilma, sem autonomia financeira e administrativa, manifestamos a nossa total indignação e reprovação a este ato. Essa medida vai paralisar as pesquisas e dificultar a implementação de projetos muito importantes como: o Cacau Cabruca, a clonagem do cacau e o combate às pragas. Com o aumento progressivo do consumo de chocolate, o cacau tende a se tornar cada vez mais escasso e caro, sem contar que existem novas pragas como o fungo moniliophthora roreri, que também tem contribuído para a redução da produção.

Mesmo considerando que a cacauicultura possui um passado de muitas desigualdades sociais, admitimos que a CEPLAC tem uma importância fundamental. Por meio dela, o cacau pode ser uma atividade capaz de promover o desenvolvimento endógeno, ou seja, de acordo com as características da região, respeitando várias espécies da flora e fauna da nossa Mata Atlântica.

Estamos encaminhando à Câmara de Vereadores de Ilhéus uma solicitação para que seja realizada uma sessão pública especial com o objetivo de discutir o tema.

Manifestamos nosso repúdio e insatisfação com o ato da ministra Kátia Abreu. Conclamamos todos os interessados no assunto, assim como os parlamentares da região, Câmaras de Vereadores Municipais, bancadas de deputados baianos, Governo do Estado da Bahia, sindicatos patronais e de trabalhadores rurais, universidades públicas e privadas e a sociedade civil organizada para juntos tentarmos reverter esse decreto nocivo para a região cacaueira.

CACIQUE BABAU NO ARISTON CARDOSO

Teity e Babau. Imagem cedida ao Blog do Gusmão.
Teity e Babau. Imagem cedida ao Blog do Gusmão.

O Blog do Gusmão recebeu imagem que mostra Rosivaldo Ferreira da Silva, o Cacique Babau, no Presídio Ariston Cardoso, em Ilhéus. Ele foi levado para a unidade nessa sexta-feira (8).

Babau e seu irmão, Teity Tupinambá (José Aelson Jesus da Silva), foram presos em Olivença pela Polícia Militar na quinta-feira (7), acusados de portar armas de fogo. Eles negam a acusação – lembre aqui e aqui.

O povo Tupinambá de Olivença reivindica a demarcação do território reconhecido como indígena pela Funai. A área se divide entre os municípios de Ilhéus, Buerarema e Una.

Babau e Teity são da Serra do Padeiro, na divisa entre os municípios de Ilhéus e Buerarema. O Conselho Indigenista Missionário (CIMI) classificou a prisão dos tupinambás como forma de criminalização da sua luta pela terra.

SEM TERRA FORAM MORTOS COM TIROS NAS COSTAS

Imagem do MST do Paraná.
Imagem do MST do Paraná.

Do Jornalistas Livres

O MST do Paraná esclareceu na manhã desta sexta (8/4) que os sem terra atacados em emboscada pela Polícia Militar ontem em Quedas do Iguaçu foram atingidos pelas costas, o que desmente cabalmente as versões do governo de Beto Richa (PSDB) de emboscada ou confronto por iniciativa dos moradores do Acampamento Dom Tomás Balduíno na tarde de ontem.

Os sem terra ocupam parte das terras da fazenda Rio das Cobras desde maio de 2015. Moram no acampamento cerca de 1,5 mil pessoas. A região foi grilada ilegalmente pela madeireira Araupel. Em dezembro do ano passado o juiz da 2ª Vara Federal de Cascavel, Leonardo Cacau Santos, declarou a área ocupada como de domínio da União para fins de reforma agrária.

Os sem terra foram atacados por uma força conjunta integrada por soldados da PM, seguranças da Araupel e capangas por ela contratados. Informa o MST que foram assassinados os trabalhadores rurais Vilmar Bordim, 44 anos, casado, pai de três filhos e Leomar Bhorbak, de 25 anos, que deixa esposa gravida de nove meses. “Também foram feridos mais sete trabalhadores e dois foram detidos para depor e já foram liberados.”, diz a nota do movimento.

O relato das vítimas na nota do MST da manhã de hoje:

“Não houve confronto algum segundo o relato das vítimas do ataque. A emboscada ocorreu enquanto aproximadamente 25 trabalhadores Sem Terra circulavam de caminhonete e motocicleta, a 6 km do acampamento, dentro do perímetro da área decretada pública pela justiça, quando foram surpreendidos pelos policias e seguranças entrincheirados. Estes alvejaram o veiculo onde se encontravam os Sem Terra, que para se proteger, correram mato adentro em direção ao acampamento, na tentativa de fugir dos disparos que não cessaram. Em relato a PM admite que os dois corpos foram recolhidos de dentro da mata. Todas as vítimas foram baleadas pelas costas o que deixa claro que estavam fugindo e não em confronto com a PM e seguranças.”

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