MARÃO DIZ QUE NÃO VAI GOVERNAR PARA OS AMIGOS

Marão. Imagem: Thiago Dias/Blog do Gusmão.
Marão. Imagem: Thiago Dias/Blog do Gusmão.

Ilhéus vive um momento de otimismo e alimenta a esperança de que o próximo governo corresponda à responsabilidade obtida com a grande vitória nas urnas.

Na última terça-feira (4), durante a primeira entrevista coletiva que concedeu como prefeito eleito, Mário Alexandre (Marão – PSD) disse que tem muitos amigos, no entanto, não vai governar para eles, mas sim para as pessoas carentes que o elegeram.

Mário tem dito isso constantemente. Na coletiva sequer foi perguntado sobre o assunto, mas fez questão de abordá-lo. No primeiro depoimento que deu após a apuração dos votos no domingo, afirmou emocionado aos assessores de comunicação do PSD que fará de tudo para ser um bom prefeito para os mais necessitados.

Ilhéus realmente precisa de um governo que pense primeiro na cidade, não no bem-estar de determinado grupo político. Por mais que a sobrevivência seja uma preocupação necessária para qualquer equipe política, a boa gestão do município deve ser prioridade, pois é possível se fortalecer politicamente fazendo com que toda a população tenha melhores condições de vida.

A CAMINHADA DOS TUPINAMBÁS NA HISTÓRIA

Tupinambás de Olivença e região na abertura da caminhada que lembra massacre do Cururupe.
Tupinambás  na abertura da caminhada que lembra o massacre do Cururupe.

Reunidos em círculo, entre a cruz e a porta da Igreja de Nossa Senhora da Escada, os tupinambás iniciaram o ritual que abriu caminho para a décima sexta Caminhada em memória aos mártires do massacre do Cururupe.

Cacique Ramon Tupinambá.
Cacique Ramon Tupinambá.

O Blog do Gusmão acompanhou o ato realizado no último domingo de setembro (25). O cacique da Aldeia Tucum, Ramon Tupinambá, nos explicou que os índios mantêm a tradição de iniciar a caminhada diante da igreja para lembrar que o sangue e o suor dos seus antepassados caíram naquele solo, há 328 anos, durante a construção da capela. 

A escolha também explicita o caráter religioso da manifestação, além de referenciar o marco central do antigo aldeiamento jesuíta que deu origem à vila de Olivença.

O massacre do Cururupe ocorreu em 1559. O governador-geral Mem de Sá comandou e registrou a matança em carta endereçada ao rei português Dom João III. Disse no documento que os corpos enfileirados na praia ocupavam “perto de uma légua”.

A caminhada dos tupinambás também relembra a história do índio caboclo Marcelino. No final da década de 1920, ele organizou a resistência indígena contra o avanço dos coronéis do cacau sobre o território do litoral sul de Ilhéus.

Sob a influência da elite cacaueira, parte da imprensa da época deu amplo alcance ao discurso que ainda hoje questiona a existência dos indígenas em Olivença e região. No dia 18 de junho de 1928, ano da sua fundação, mesmo sem qualquer tipo de prova, o Diário da Tarde acusou Marcelino de praticar crimes hediondos. Referiu-se ao indígena como “o homem que se fez bugre”, tipo de frase que hoje ecoa em expressões como “falsos índios”.

A carnificina do Cururupe e a perseguição de Marcelino foram episódios marcados pela violência do Estado contra os indígenas, como toda a história da nossa colonização. O caboclo desapareceu em 1938, após ter sido preso como comunista.

O Estado brasileiro nunca respondeu pelo desaparecimento do caboclo Marcelino. Seu destino desconhecido encerrou o ciclo em que os índios exerceram significativa influência política em Olivença. A partir do final da década de 1930, o interesse latifundiário dos cacauicultores ganhou mais força com o apoio do poder político.

O etnólogo alemão Curt Nimuendaju visitou a vila em setembro de 1938. Registrou o encontro com o indígenas em carta enviada ao diretor do Museu Goeldi, Carlos Estêvão de Oliveira. “Aproveitei a demora em Ilhéos para fazer uma visita aos índios descendentes dos Tupinaki que habitam nas vizinhanças de Olivença. […] Estes índios são amáveis e de fácil tratamento, mas os seus vizinhos neobrazileiros procuram por todos os meios, por vexames e ameaças fazer com que lhes ‘vendam’ as suas terras, e como elles não acham quem os defenda, o desmembramento do grupo é questão de pouco tempo”, escreveu o visitante.

O etnólogo grafou a palavra vendam com aspas. Foi uma forma de ironia em relação ao que ficou conhecido como caxixe, regime de permuta em que os índios eram obrigados a se desfazer de suas terras para quitar dívidas muitas vezes fraudulentas.

O professor de história Casé Angatu, da UESC, falou sobre o assunto durante uma entrevista  de 2015 ao Blog do Gusmão. “Na década de 1940, a elite local foi para cima das terras de Olivença. Criminalizaram todos os índios que foram contra. Valeram-se de vários instrumentos para avançar sobre a terra. Tem uma coisa chamada caxixe. É muito local: você endivida o índio, por exemplo, no armazém ou vendendo cachaça, depois compra a terra dele ‘a troco de banana’. Aqui em Ilhéus é muito comum ouvir assim: ‘Ah, quem mandou os índios venderem as terras deles assim?”. Ora, é preciso pensar o contrário, porque houve má-fé de quem comprou a terra dessa maneira. Se o índio vendeu enganado, quem comprou, não. Comprou espertamente no regime de caxixe”, explicou.

Outro documento corrobora os depoimentos de Casé Angatu e Curt Nimuendaju. Em 1933, o Serviço de Proteção aos Índios denunciou a violência dos coronéis movidos pela cobiça. Alberto Jacobina, funcionário do órgão, relatou as queixas dos índios que eram “enxotados de seus lotes quando recusavam concordar na venda”. Ele denunciou o papel dos antigos delegados de terras, que eram remunerados conforme o tamanho dos terrenos invadidos pelos cacauicultores. Esses funcionários públicos corruptos tinham vínculos com os latifundiários e ajudaram a forjar a legalidade da posse sobre grandes áreas invadidas. “Os delegados de terras, no estado da Bahia, são por toda parte o instrumento das invasões desse gênero”, disse Alberto Jacobina em seu relatório.

A demarcação

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SALVA-VIDAS DENUNCIAM FALTA DE SEGURANÇA NAS PRAIAS DE ILHÉUS

"Ilhéus não merece alto índice de afogamentos". Imagem cedida ao Blog do Gusmão.
“Ilhéus não merece alto índice de afogamentos”. Imagem cedida ao Blog do Gusmão.

Salva-vidas  realizaram ato público na última quinta-feira, no Centro de Ilhéus, para exigir a convocação dos aprovados no último concurso. Segundo eles, com o número reduzido de profissionais, falta segurança para os banhistas nas praias do município.

De acordo com os manifestantes, casos de afogamento já viraram rotina em Ilhéus. Infelizmente, parte deles terminou de forma trágica com a morte das vítimas.

O caso mais recente ocorreu na Praia da Bica, em Olivença. O governo Jabes Ribeiro admitiu que o local não tem salva-vidas.

Após o ato, o prefeito Jabes Ribeiro (PP), que se recusa a receber os concursados para um conversa, disse que não vai convocar ninguém. Argumentou que o limite legal de despesas com funcionários o impede de realizar  a convocação. Também afirmou que as manifestações públicas não lhe sensibilizam.

VEJA A VOTAÇÃO PARA PREFEITO NA ZONA SUL DE ILHÉUS

Clique na imagem para ampliar.
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A imagem acima mostra o resultado da eleição para prefeito de Ilhéus nos bairros da zona sul. O prefeito eleito Mário Alexandre (PSD) foi o mais votado no Hernani Sá, Nelson Costa, São Francisco e Nossa Senhora da Vitória. Os dados do Tribunal Superior Eleitoral foram organizados pelo vice-prefeito eleito José Nazal (Rede Sustentabilidade).

Clique aqui para ver a votação na zona centro-leste. O resultado dos distritos está neste link.