ACUSADO DE PEDOFILIA É PRESO EM FLAGRANTE NO CENTRO DE ILHÉUS

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José Luis Moura foi preso na Rua Almirante Barroso. Imagem: facebook.

José Luis Moura, proprietário da empresa “Rei dos Notebooks”, foi preso em flagrante na manhã deste sábado, 26. O microempresário é acusado de cometer abusos sexuais contra crianças e adolescentes.

Agentes da polícia civil prenderam José Luís quase despido (apenas de cueca), na presença de um adolescente de 13 anos, no local em que funcionava a empresa do acusado, localizada na Rua Almirante Barroso, no centro de Ilhéus.

Antes, a mãe da vítima acionou a polícia após o filho lhe contar que um homem propôs um encontro misterioso. Agentes da Policia Civil montaram uma operação para acompanhar o adolescente.

Segundo informações de familiares do adolescente, em depoimento na 7ª COORPIN José Luis Moura confessou o crime. Admitiu ter distúrbios que o levam a praticar esse tipo de transgressão. A polícia investiga a possibilidade de ele ter se relacionado criminosamente com outras vítimas. Foram encontradas imagens de crianças e adolescentes sem roupas no celular do acusado.

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José Luís Moura preso na 7ª COORPIN. Imagem: Polícia Civil.

FIDEL CASTRO, POR EDUARDO GALEANO

Texto do escritor uruguaio Eduardo Galeano publicado pelo Blog do Gusmão em homenagem ao Comandante Fidel Castro (líder da Revolução Cubana) que faleceu nessa sexta-feira, 25 de novembro de 2016, em Havana.

O texto é de 2008 e foi copiado da fanpage do MST no facebook, assim como a imagem.

Sem tirar, nem pôr, a reflexão proposta por Galeano representa a opinião deste blog sobre o líder revolucionário.

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Fidel Castro (13 de agosto de 1926 — 25 de novembro de 2016).

Fidel, por Eduardo Galeano.

Seus inimigos dizem que foi rei sem coroa e que confundia a unidade com a unanimidade.

E nisso seus inimigos têm razão.

Seus inimigos dizem que, se Napoleão tivesse tido um jornal como o Granma, nenhum francês ficaria sabendo do desastre de Waterloo.

E nisso seus inimigos têm razão.

Seus inimigos dizem que exerceu o poder falando muito e escutando pouco, porque estava mais acostumado aos ecos que às vozes.

E nisso seus inimigos têm razão.

Mas seus inimigos não dizem que não foi para posar para a História que abriu o peito para as balas quando veio a invasão, que enfrentou os furacões de igual para igual, de furacão a furacão, que sobreviveu a 637 atentados, que sua contagiosa energia foi decisiva para transformar uma colônia em pátria e que não foi por feitiço de mandinga nem por milagre de Deus que essa nova pátria conseguiu sobreviver a dez presidentes dos Estados Unidos, que já estavam com o guardanapo no pescoço para almoçá-la de faca e garfo.

E seus inimigos não dizem que Cuba é um raro país que não compete na Copa Mundial do Capacho.

E não dizem que essa revolução, crescida no castigo, é o que pôde ser e não o que quis ser. Nem dizem que em grande medida o muro entre o desejo e a realidade foi se fazendo mais alto e mais largo graças ao bloqueio imperial, que afogou o desenvolvimento da democracia a la cubana, obrigou a militarização da sociedade e outorgou à burocracia, que para cada solução tem um problema, os argumentos que necessitava para se justificar e se perpetuar.

E não dizem que apesar de todos os pesares, apesar das agressões de fora e das arbitrariedades de dentro, essa ilha sofrida mas obstinadamente alegre gerou a sociedade latino-americana menos injusta.

E seus inimigos não dizem que essa façanha foi obra do sacrifício do seu povo, mas também foi obra da pertinaz vontade e do antiquado sentido de honra desse cavalheiro que sempre se bateu pelos perdedores, como um certo D. Quixote, seu famoso colega dos campos de Castela.

(GALEANO, Eduardo. Espelhos. Porto Alegre, RS: L&PM, 2008)