مع السلامة MA’A AS-SALAMAH

Por Mohammad Jamal.

Há algo de muito sério dentro do processo de seleção. As necessidades da empresa e/ou da instituição são os elementos primordiais perseguidos pelo selecionador de mão de obra. Ela deve ser conduzida por normas e procedimentos criados para a atração de pessoas e deve estar ligada às necessidades e à cultura de cada empresa. Nesses últimos anos, novas abordagens de seleção tomaram conta do mercado de trabalho; refiro-me à metodologia de Seleção por Competências. Essa, por sua vez, tem como foco principal a perspectiva de resultados no cargo e na função, deixando de lado os critérios tradicionais das atribuições e perfis generalistas de personalidades, além de tornar mais ágil e objetivo o processo de seleção com foco único no sucesso que se pretende obter para a empresa através o selecionado. É Regra? É, mas apenas na iniciativa privada e/ou, em raros casos excepcionais, quando ao “selecionar-se” assessor alterego funcional para exercer a parte laboral de gestão executiva para algum incompetente, mas esperto, analfabeto institucional com aspirações políticas futuras, nomeado para cargo público de alguma relevância.

A grande maioria dos profissionais da área de Gestão de pessoas está atenta ao programa que traz uma forma inovadora de seleção, que coloca em desafio os participantes com o objetivo de avaliar o perfil de cada concorrente frente da função que lhe for atribuída, sem concessões de escusas diante inabilidades, incompetência ou falta de talento. Repito, no âmbito da iniciativa privada.

Agora vamos participar da simulação duma sessão política onde será discutido o rateio e a distribuição de glebas, lotes, sesmarias e feudos no âmbito dos serviços públicos. Estou falando sobre cargos por nomeação; subalternos diretos e indiretos das administrações federal, estadual e municipal, autarquias, estatais e empresas de economia mista. Mas não se esqueçam de tapar os ouvidos e tirar crianças da sala, porque quem entra pela porta dos fundos mercê da militância, dos favores de campanha, do servilismo eleitoral, não tem currículo, fala alto impropérios e não estão nem aí para os critérios que o guindaram ao cargo regiamente bem pago pela hasta pública.

Como tenho o hábito deselegante de proferir impudicícias, afrontas e vitupérios nas salas de espera dos geriatras, nas reuniões da prelazia das Filhas de Maria, nas sessões dos neuróticos anônimos, nos psicodramas, etc. vou saltar, por entender prudente, esse pernicioso relato sobre as sessões magnas dos leilões e rateios de cargos públicos no âmbito do município, suas vilas e arruados. Hoje não estou medicado! Seria pecaminoso.

A propósito. Semana passada a concessionária da Secretaria de Saúde do município foi destituída do seu poderoso feudo, governado com garras de tigresa ferocíssima e amparado pelas Muralhas de Jericó. Pois é, o buzinaço do povão, cristão, e fariseus, insatisfeitos, que soprou forte os seus sofás aos pés do muro da vergonha e, à chegada do “Josué”, o Magela, novo concessionário, o poderoso feudo não resistiu e veio a baixo em ruína; caíram tigresa e sua cidadela. Ato contínuo, ao esborrachar-se cá em baixo, tocada pela emoção, postou-se a acenar um adeus ao povo e, em contrita escusação, assegurar: “… desculpem por qualquer ato intransigente…”. Quando poderia ter sido transigentemente simpática com o povão ou, pelo menos simbolicamente, sido política. Ou não? Imaginem ela como inquisidora na Operação Lava Jato?

Aqui vamos fazer algumas breves divagações de cunho filosófico sobre a irrelevância corriqueira do fato, sem, no entanto, cair no vazio das tergiversações inócuas. Além do Bem e do Mal? Vamos apenas considerar que o mais fascinante na filosofia são as perguntas que ela suscita, e em especial, como nos encontramos personagens na obra do filósofo alemão Nietzsche; expostos à curiosidade que ela nos atiça. “Onde há Estado, onde há lucro como fim, aí está o “espírito do rebanho”, o consumo desenfreado, a avaliação da cultura monetária, a manipulação, a mediocridade.”. É certo que todo rebanho desconsidera aquele que não lhe é útil. E se há “instinto de rebanho”, também há o outro. Assim, “toda forma de sociedade e Estado teme um espírito livre, porque não quer viver em função deles.”. Nesse caso, nada a ver com o senso crítico ou sobre a noção da lei da sobrevivência. A consciência e o senso coletivos persistem em não se curvar a um Estado lhe é adversamente deletério. “É Humano, demasiado humano”, ou não? Um Estado Democrático, e não um estado corrupto-incompetente-democraticida, jamais se sobreporá insurgente contra o povo eleitor. Pois sim.

Mas o que vemos na atualidade é a monstruosa ambivalência democrática do nosso país, sob a prevalência de uma grande bolsa de valores e de negócios onde políticos compram e vendem commodities pessoais e partidárias com fins participativos que nada tem a ver com bem do coletivo. O oportunismo e a sede desenfreada pelo poder e seu status quo dão margem e conteúdo às atitudes mais estúpidas de menosprezo e desrespeito à mínima consciência racional do consciente e senso coletivos, hoje tratados como gado em confinamento; o tal voto em engorda.

No episódio recente em que a personagem importante deixa o palco numa cena patética, se despede e roga desculpas protocolares formais à massa eleitora; podemos até conceder vênias, mas não indultá-la jamais das omissões, incompetências, indiferenças aos clamores dos carentes, da imparcialidade e frieza ante as lágrimas dos enfermos que penaram sem médico, sem atendimento, sem remédios, nas filas dos postos fechados, nas antessalas lotadas dos hospitais, na fila ao relento da Regulação. Isso é imperdoável, embora nem de longe, possamos imaginar o fim desse calvário pelo simples advento de novo dono da Secretaria de Saúde. Claro que não.

* مع السلامة : Vá com Deus!

Mohammad Jamal é colunista do Blog do Gusmão.



Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *