ILHÉUS: MÃE E FILHO AFIRMAM QUE PASSARAM MAL APÓS CONSUMIR POLPAS DE FRUTAS CONTAMINADAS

Imagem da embalagem da Nutripolp no laudo pericial.

Em março deste ano, Regina Duarte Silva, uma senhora de 63 anos, e seu filho, Helberlan Silva, 18 anos, compraram boa quantidade de polpas de frutas da marca Nutripolp. Adquiriram o produto no Supermercado Filezão, no Nossa Senhora das Vitórias, bairro onde moram na zona sul de Ilhéus. Após consumir parte das polpas, mãe e filho relataram que sentiram dores abdominais.

O desconforto físico os levou a analisar amostras do produto. Afirmam que encontraram pequenos objetos misturados com as polpas em outras embalagens. Tiveram a impressão de que eram partículas de vidro. Revoltada com a situação, Dona Regina recorreu ao Facebook para fazer uma reclamação pública contra a Nutripolp, cuja fábrica fica na Fazenda Nova Vida, no Rio do Braço, distrito da zona rural de Ilhéus.

A revolta da consumidora repercutiu muito na internet e chegou ao conhecimento de representantes da fabricante. Um deles foi até a casa dela. Durante a visita, Regina mostrou-lhe o vaso do liquidificador, onde havia deixado uma polpa da Nutripolp.

Segundo ela, o funcionário da fábrica viu que o produto continha corpos estranhos. Em seguida, conta Regina, ele pegou o vaso do liquidificador e levou consigo, depois de entregar duzentos reais à consumidora.

Dona Regina tinha outras polpas da Nutripolp guardadas no congelador e decidiu levar o caso ao Ministério Público do Estado da Bahia (MP-BA), que requisitou a abertura de um inquérito policial.

Liderada pelo delegado Tiago Almeida, uma equipe da Polícia Civil abriu o inquérito 0263/2018 para investigar o caso. A perícia técnica detectou a presença dos corpos estranhos nas polpas entregues por Regina e retirou 5,51 gramas de poliestireno delas (o poliestireno é usado na fabricação de copos descartáveis, embalagens plásticas e similares). Regina entregou as polpas lacradas às autoridades policiais.

Enquanto a Polícia Civil apura a possível existência de crime contra os consumidores, a 11ª Promotoria do Ministério Público, por meio do promotor de Justiça Paulo Sampaio, iniciou procedimento para investigar a possibilidade de responsabilização civil da fabricante. A investigação avança no inquérito civil 001.9.129843/2018.

A Nutripolp não registra as suas polpas com números de lote. Sem esse registro, caso a Justiça determine a retirada do produto de circulação, é possível que toda a mercadoria da fabricante deva ser recolhida.

OUTRO LADO

Na manhã desta terça-feira (31), o Blog do Gusmão conversou por telefone com o engenheiro agrônomo Javan Lopes, responsável técnico da Nutripolp Ind. e Com. Ltda. Ele negou a acusação da consumidora. Segundo Lopes, os resíduos que a mulher diz ter encontrado nas polpas, na verdade, são pedaços de parte da tampa do liquidificador que foram triturados quando ela preparou o suco. O aparelho, afirma Javan, estava “cheio de durepoxi, que caiu, e ela bateu e tomou o negócio dela”.

Informamos ao engenheiro a existência das análises técnicas das polpas entregues por Regina à polícia. “Ela não tem análise técnica nenhuma. Ela pegou o negócio aberto, violado e levou. Parece que ela tá ganhando dinheiro de alguma outra empresa para fazer esse tipo de coisa. Não tem nada a ver isso aí. Ela vai ser processada”, retrucou o profissional da Nutripolp.

Sobre a Nutripolp não registrar as embalagens com os números dos lotes, Javan explicou que esse controle é feito pela data de fabricação. “A gente tem técnico de alimentos na fábrica”, acrescentou.

“Nossa polpa é embalada a vácuo, [passa por] uma peneira de cinco milímetros, não tem como passar nada. É toda embalada a vácuo, quando vai qualquer impureza a máquina não sela. [O sistema] é pneumático, o funcionário não tem contato, ela [a polpa] vem pela tubulação. Não tem como fazer sabotagem. A gente tem as câmeras que filmam tudo. Nossa produção é toda filmada”, enfatizou o engenheiro agrônomo.

Javan Lopes disse ao blog que ele mesmo foi à casa de Regina, pegou o liquidificador da consumidora e deixou duzentos reais para que ela comprasse um novo. “É bom que você tire a foto desse liquidificador e bote no blog. Está todo colado de durepox, totalmente anti-higiênico, fora dos padrões de normalidade”. “Fui sem maldade nenhuma”, concluiu.

O engenheiro ficou de enviar ao blog uma resposta escrita acompanhada pela foto do liquidificador, até as 14 horas de hoje.

Atualizado às 15h30min.

Javan Lopes nos enviou imagens do liquidificador.

Às 15h03min de hoje (31), Javan nos enviou a seguinte mensagem via WhatsApp:

“Segundo nossa consulta técnica, a tampa pequena do liquidificador caiu dentro do mesmo quando a cliente estava batendo o suco. Em seguida colocou em um recipiente para beber e constatou o acrílico dentro do suco. Além da tampa ter caído no suco, o copo do liquidificador estava todo colado com Durepoxi. Podemos garantir que nossa polpa é toda refinada em peneira de 5mm, em aço inoxidável e transportada por tubulação até a embaladeira, onde são envasadas a vácuo, sendo seladas pneumaticamente. Segundo o parecer técnico do material que a cliente levou para análise, o mesmo já chegou violado, não provando adulteração da polpa, como constatado no processo de difamação e calúnia feito pela sua defesa”, diz o texto, que chegou acompanhado por fotos do liquidificador. As imagens mostram o aparelho sem a tampa pequena e com Durepoxi.



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