O HOMEM PASSOU POR AQUI. ARREGAÇOU!

Por Mohammad Jamal.

Administradores mentecaptos, mas muito expertos, diga-se! Quando me deparo com a nossa Ilhéus, tão debilitada, empobrecida e endividada; toda esburacada, suja e fedorenta, fico pensando cá com meus botões e fazendo minhas contas tentando identificar quem foi o causador de tantos estragos e degradação. Dificílimo identificar o fator etiológico de tanto mal. É que eles saem de fininho e não deixam por rastro sequer um antígeno vacinal. Isso porque são redicivantes. Eles sempre voltam, travestidos de Aníbal Barca; quando deveriam retornar na fantasia de Geraldo Viramundo, “O Grande Mentecapto”, uma espécie de Dom Quixote de La Mancha do romance do escritor Fernando Sabino.

Quem foi que fudeu tudo por aqui? Teria sido um uiofóbico ensandecido? Um huguenote… Um filisteu ou um abássida apóstata? Quem, com tanta ânsia e vigor destrutivos lutaria ate à quase exaustão com tanto empenho contra a nossa terna e ninfa Ilhéus? Um huno que ainda trouxe consigo um exército de formigas de correição e as saúvas incumbidas de eliminar todas as migalhas do repasto da sua passagem? Quem tão meticulosamente sistemático faria a sua obra se estender às minudencias perfeccionistas para infringir dor e sofrimento a toda população da urbe? A nossa menina, possuída e descabaçada, jaz exangue após todo esse festim de luxúria “caligular”; perdoem o neologismo. Coitadinha da nossa Ilhéus… Está um caco. Exaurida… Tísica, irreconhecível!

Esperando Godot. Eu e Samuel Beckett pra sabermos quem matou Laura Palmer na ‘Twin Peaks’ de Ilhéus? Tenho pavor do cometimento de inculpabilidade injusta a partir de ilações ou apriorismos. Andei a esmo vasculhando meus velhos livros de filosofia; importunando sábios pensadores e ate futurologistas do pós-modernismo, existencialistas do cotidiano, e nada… Nada encontrei como ponte entre a ficção e a dura realidade. Esta improbabilidade me deixa em dolorosa angústia justicialista. Explico: A quem vou empalar em praça pública? De quem vou retirar uma tira da pele lombar ou vergastar na chibata purgatória por ter sido o causador de tanto sofrimento e degradação praticados contra esse povo casmurro? Ah… Essa ansiedade angustiosa sedenta e judiciosa faz brilhar ao escuro o meu enorme facão do revide. Eu que confiei tanto.

Passei a noite procurando tu; procurando tu! Corri desvairado pelas vielas escuras e imundas sob um céu de cinzento colorido em busca da razão das razões; de um pedaço indiciário daquilo que já estava aos pedaços; da sombra ou da réstia escura da predação e seu produto. Cacei a indiferença, a omissão e a alísia nos antigos tratados da psiquiatria forense e, exausto, ainda encontrei forças para debruçar-me sobre as obras mais densas e arrebatadoras dos meus escritores preferidos do teatro pós-dramático; do teatro do absurdo e da dramaturgia fragmentária. Mas nada encontrei em Georges Gagneré; em William Forsythe; de Sebastian Baumgarten; Samuel Beckett; Marguerite Duras e tantos outros remorados literatos em busca silenciosa da memória eletiva das minhas emoções de leitor – eu escrevi “leitor”- porque em eleitor não me incluo. E nada, nada encontrei por subsídio referencial.

Vão mamar num jumento! Exausto, sentei-me e tentei deixar a mente respirar a tranquilidade da razão. E, livre, leve e solta, ela me esfregou cara, com toda a franqueza, a injustiça que, prematuramente havia cometido precipitado. Que a erudição e a intelectualidade; que a elite do pensamento criacionista, filosófico e literário não é privilégio exclusivamente de europeus! Grandes focos luminescentes da literatura contemporânea iluminam o Brasil de ponta a ponta. É, este mesmo Brasil que tantos alienígenas obtusos lutam interesseiramente para levar à obscuridade intelectual, convertendo o seu povo numa geração cornucópia de apedeutas miseráveis nas baias de ordenha onde os sugam à exaustão.   

A diversidade de gêneros explica.  Voltando ao nosso “homem”, o nosso “político terminal”, o huguenote alísio. Vou encontrar na musicografia do Chico, o Buarque de Holanda! A ode, quase um autoepistolar; a meritocrática e apologética galanteria à nossa hoje, muito mais cultuada e endeusada Gení em sua diversidade de gênero e sua epopeica submissão ao lascivo e apaixonado tarado, Homem do Zeppelin. Aquele que cheirava a “brilha cobre” ufa!…

 _ “… Quando vi nessa cidade, tanto horror e iniquidade… Resolvi tudo explodir.”. Quanta mentira e desfaçatez! Aqui não havia horror nem iniquidade porra nenhuma! Só após a longa aterrissagem do seu Zeppelin e a concretização das suas ameaças, é que a cidade foi coberta pelo horror e a iniquidade. “Mas de fato, logo ela. Tão coitada e tão singela. Cativara o forasteiro invernal que aparecera de repente todo afoito por aqui, bombachas arriadas e um enorme falo hígido à mostra. O guerreiro tão vistoso, Tão temido e poderoso” não obstante mentiroso, de tão formosa cabeleira, escondia na algibeira as intenções do pecaminoso. Um tarado.

O priapismo e a fome de anteontem. Ele passou o rastelo em tudo! Pois é; ele comeu; bebeu, fornicou, fez tanta sujeira; lambuzou-se o quanto pode. Mas insaciado, ainda convidou toda sua tripulação de nababos e preguiçosos para o grande festim. “E nem bem amanhecia, quando já imaginávamos que partiria numa nuvem fria com seu zepelim prateado.” Entre preces de vai com São Jorge guerreiro na frente e São Benedito atrás. E deixa por lembrança as marcas indeléveis da sua erosiva e debilitante passagem, ale ainda grita alto e bom som de lá da proa, enquanto balança o falo num performático exibicionismo pecaminoso: “Olha aqui o que ainda tenho pra vocês! Dá pra todos! Serviti prego!”. Ah E ainda tem eleitor que pergunta: Ele comeu? Ah fala sério vai! Vai fazer o teste da farinha do reino e verás se as treze meninas ainda estão lá, incólumes, íntegras!

Mohammad Jamal é colunista do Blog do Gusmão.



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