O CASO DO DIAGNÓSTICO ERRADO, DEU BANQUETE

Por Mohammad Jamal.

Cena: Kieseweter, nu e sem cuecas, fritando teorias filosóficas imponderáveis na cozinha. Começo citando os exemplos de silogismos que alguns poucos aprenderam no compêndio da lógica de Kieseweter: “Caio é um homem, os homens são mortais, logo Caio é mortal” – e encerra-se assim raciocínio comum que transparece a todos exato, em se tratando de Caio, mas não em se tratando distintamente de si próprio, sua pessoa, sua própria vida. Caio era um homem em geral e devia morrer. Mas cada um em sua singular autorreflexão não é um Caio. Caio que morra lá quando quiser ou o destino determinar; nós não! Nós não somos o Caio. Caio era um homem ou poderia ser uma mulher em geral e assim poderá morrer quando se lhe aprouver à predestinação. Nós não somos Caio; não somos homem ou mulher em geral, somos homem ou mulher à parte, inteiramente à parte, então porque comigo ou conosco? Porque a morte vem bater à nossa porta assim? Isso é injusto e indevido segundo o destaque que nos autoatribuímos indiferentes às impessoalidades e imponderabilidades dos eventos trágicos que recaem sobre os vivos como meteoritos, sem destinatário certo. Morrer? È ruim!

Ovelha assada com tahine (gergelim) esparramada sobre creme de homus (grão de bico). Núbia passou o resto da tarde muito triste e deprimida; percebera como lhe fora dito, que a morte era iminente por isso arrumava suas poucas coisinhas numa trouxa para retornar às pressas à casa dos pais lá no longínquo interior do sertão de Carangola. Queria beijar os pais e abraçar os irmãos antes de morrer. Não importava trabalhar na cozinha de um simpático casal onde o cônjuge Dr. Apinagé (o nome é fictício) era médico respeitado e famoso na cidade; pois fora ele mesmo que a alertara do pouquíssimo tempo que lhe restava em vida, sinalizando no seu clássico silogismo clínico que nada se poderia fazer para salvá-la do triste evento final; logo ela, na flor da idade?

Dados antropológicos da Vênus Milo de Vidas Secas de Graciliano Ramos no Os Sertões de Euclides da Cunha, a Núbia. Núbia nascera numa família de retirantes das secas nordestinas. Era a 10ª filha numa prole de dezessete rebentos, dos quais nove morreram antes da puberdade, ainda criançinhas. Mas Núbia enfrentou a fome com farinha de mandioca, umbu e rapadura; um café “mijo-de-égua” bem ralo com “biscoito avuador”, vez em quando um preá assado. Mas núbia venceu, cresceu, floresceu e, desabrochou de menina para mulher como uma flor de girassol, uma cabaça de coité, uma mexerica enorme e suculenta. Três vezes por semana à boquinha da noite Núbia caminhava os quatro quilômetros de estrada de chão até o açude, para se banhar. Ah… Era uma festa! Antes disso já estavam por lá à espreita, a molecagem empoleirada nos pés de cobi, entrincheirados atrás das moitas de chique-chique e arranha-gatos para assistir àquele festival de opulenta beleza enquanto descascavam uma jurema sonhada a Núbia. Estou dizendo isso, porque a Núbia cresceu e apareceu com rosto alvo e feições harmoniosas; cabelos negros ligeiramente cacheados, olhos castanho-claros, lábios carnudos; era o retrato da brejeirice. Os ombros delicados sustentavam eretos, um belo par de seios túrgidos. Daí para baixo era só alegria! Uma cintura delicadamente fina desaguava a retaguarda num quadril oblongo que conduzia às curvas rotundas das ancas, encimadas como se por duas bandas de melancia irmanadas. Pelo caminho mais perigoso que conduz ao vale frontal, o Nirvana; uma barriguinha aplainada e aveludada levava ao capinzal do vale dos sonhos, que entendo prudente e assaz omitir as minudências do detalhamento. Saltando essa parte pudenda, chegamos a coxas grossas e firmes, produto das atléticas caminhadas para trazer sobre a cabeça os pesados latões com água potável para casa onde vivia com os pais. Fora isso, o olhar e a voz de núbia exalavam um “quê” de “você não está me vendo aqui?”. E foi assim, até o dia em que dona Evipargina, (este nome também é fictício) esposa do Dr. Apinagé, esteve por aquelas bandas arrebanhando crianças que ainda não haviam frequentado uma escola. Foi numa dessas missões da diretora do Grupo Escolar do Município – D. Evipargina era a Diretora – que ela viu aquela moça bonita e forte e a convidou para trabalhar com os serviços domésticos na casa dela, casal sem filhos… E ajudar com o salário à própria família, pai, mãe, sete irmãos que passam por necessidades e desnutrição na caatinga. Caiu do céu com a graça do “Padim Padi Cíço”! E lá se foi aquele favo de mel trabalhar na cozinha e arrumação de casa daquele cordial e bondoso casal: Evipargina e Dr. Apinage. (desculpem o longo parágrafo).

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PRAIA DO CRISTO NÃO OFERECE CONDIÇÕES PARA BANHO DE MAR

Praia do Cristo, em Ilhéus. Foto encontrada no Google.

Levantamento realizado pelo Instituto do Meio Ambiente e Recursos Hídricos da Bahia (Inema), divulgado na última sexta-feira, 21, testou a balneabilidade do mar de Ilhéus. Seis praias foram desaprovadas para o banho:

  • Marciano (próxima ao Bar do Litrão e da escultura da sereia, no bairro Malhado);

  • Avenida Soares Lopes (próxima à lanchonete Subway);

  • do Cristo (próxima da Barraca Point do Conde Badaró);

  • do Sul (em frente às barracas, acesso Km 0, em direção ao Aeroporto de Ilhéus);

  • do Hotel Opaba (próxima à barraca Brilho do Luau);

  • Praia da Ceplus (próxima da estação de tratamento da Embasa).

Especialista ouvido pelo Blog do Gusmão, que prefere não ser identificado, adverte pessoas que se aventuram a tomar banho em praias sujas. “Essas corajosas estão sujeitas a diversos tipos de doenças veiculadas pela água, como por exemplo, infecções intestinais, verminoses, conjuntivite, doenças de pele e hepatites (tipo A e E). Na região, isso ocorre, principalmente, por conta da alta infestação de coliformes fecais (de fezes) espalhados por esgotos domésticos”.

CIPPA APREENDE VEÍCULO E EQUIPAMENTO DE SOM NO BOCA DU MAR

Foto: CIPPA/Porto Seguro.

No último sábado, 22, a Companhia Independente de Polícia de Proteção Ambiental (CIPPA/Porto Seguro), apreendeu um Fiat Palio (placa JMX-3966) que fazia muito barulho na casa de eventos Boca du Mar, no bairro Pontal, em Ilhéus.

O flagrante aconteceu por volta de 1h20min., da madrugada, após denúncia de moradores. A aparelhagem sonora do carro causava poluição de 82,8 decibéis, sendo o máximo aceitável de 50 db.

Veículo com alto potencial de poluição sonora. Foto: CIPPA/Porto Seguro.

Os policiais da CIPPA lavraram termo circunstanciado contra o responsável, José Volas dos Santos, de 30 anos. A aparelhagem sonora e o veículo foram levados pela PM.