A alegoria do incidente em Ilhéus

Por Mohammad Jamal.

O Incidente em Ilhéus. O incidente aconteceu na Rua Araujo Pinho. Passeios estreitos, carros sobre as guias dos passeios, vendedoras de capinhas e películas para celulares, tudo apertado, vocês sabem… Foi ali, perdido nos meus pensamentos que o asteroide me atingiu. Senti aquela coisa enorme e pesada esparramar-se esmagadora sobre as minhas costas. Era uma mão, não um mamão – na literatura antiga escrevia-se “u’a mão” – Era u’a massa de carne adiposa, mal coberta com roupas em desconformidade, apertadas; arrastava os pés inchados nuns chinelos enormes e, tinha no que chamamos rosto, oblongo, duas coisas parecidas com grandes almofadas; eram as bochechas tingidas de sangue, orlando um nariz ameaçador atufado de rapé logo acima de uma abertura, que deveria ser a boca, ungida pela filosofia dos borrões em vermelho pastel dos batons baratos e pintores anônimos.

Tremi, confesso; quando o senti o peso daquela mão enorme, uma pata de elefante da mulher paquiderme quase soterrar-me sob seu peso. Voltei-me, ou fui voltado ante a força descomunal empregada pela mulher adipócita cuja circunferência passava de um metro de raio encimada por uma cabeça minúscula para um rosto enorme. Aterrorizado, silencioso, ouvi quieto a sua expressão pantagruélica em forma de crítica. _ “O senhor escreve demais. Seus textos são longos e cansativos”. Eu: a senhora está certíssima. E fugi apavorado pelo medo de ser esmagado como um piolho entre as unhas de Gargântua, personagens de François Rebelais em “Gargântua e Pantagruel”.             

Conformidade humanista. A sensibilidade literária enquanto doutrina e os pressupostos que a constitui assentam na idéia de que o homem, enquanto inatamente virtuoso e benevolente, deseja de modo sincero o bem estar de todos e, consequentemente, é capaz de sentir e compreender não só as suas próprias emoções, mas também aquelas sentidas e experienciadas por outrem. Os ideais patentes nesta doutrina do século XVIII assumem-se como características indispensáveis enquanto definição do caráter do indivíduo, e em sentido mais lato, de ética social, de moralidade pública do humanismo.

Na serra fria e brumosa. Lembro-me que lá em casa tínhamos uma ampulheta muito antiga, uma relíquia que eu admirava extasiado. Ela servia para marcar o tempo das aulas de piano e por quanto tempo eu havia me dedicado aos meus estudos formais. A velha ampulheta teria sido dada de presente por meu avô a meu pai, por isso, ela ocupava lugar de destaque sobre o piano, enquanto o executávamos e depois, sobre a estante, imponente frente aos inúmeros livros, como se uma guardião das memórias que a literatura havia aprisionado.

As areias do tempo. Eu passava tempo admirando a ampulheta, ela capturava minha imaginação de uma forma que nunca vou saber explicar. A abertura pela qual escorria a areia é tão pequena que, à primeira vista, parece que o nível da areia da parte superior nunca se altera. Aos meus olhos de criança, transparece que a areia escoa apenas no final e, até que isso aconteça, não vale à pena pensar e falar a respeito. Ate o ultimo instante, quando não há mais tempo, quando não resta mais tempo para pensar a respeito daquele tempo impregnado de poesias, doces lembranças.      (mais…)

Vaias para Marão no show de Diogo Nogueira

Notinhas.

A popularidade do prefeito de Ilhéus escorrega ladeira abaixo.

Na última sexta-feira, 25, antes do show do sambista Diogo Nogueira na Concha Acústica da Avenida Soares Lopes, o público não poupou o gestor.

O radialista Bebeto Oliveira citou o nome de Mário Alexandre, em sinal de agradecimento, e ouviu vaias quase ensurdecedoras.

Marão não foi ao show, mas já deve ter ouvido os ecos.