Governo Marão arrecada R$ 4.7 milhões em multas de trânsito

Foto: Secom/Ilhéus.

Dados do Tribunal de Contas dos Municípios (TCM-BA) mostram que a Prefeitura de Ilhéus, sob o governo Marão, arrecadou de janeiro a outubro de 2018 mais de 4 milhões e setecentos mil reais em multas de trânsito (veja aqui).  

Quando comparamos com o mesmo período do ano anterior, percebemos que houve um aumento de 73,94%. Em 2017, a arrecadação com infrações de trânsito atingiu quase dois milhões e quatrocentos mil reais.

O artigo 320 do Código de Trânsito Brasileiro diz que a receita arrecadada com a cobrança das multas será aplicada, exclusivamente, em sinalização, engenharia de tráfego, de campo, policiamento, fiscalização e educação de trânsito.

De acordo com informações do TCM, o governo Marão utilizou dinheiro das multas para pagar ações trabalhistas e outras despesas não previstas em lei.

Confira.

Governo Marão abandona canais do bairro Hernani Sá

Canal de águas pluviais repleto de lama e sujeira. Imagem extraída de vídeo.

Augusto Argolo, morador do bairro Hernani Sá, em Ilhéus, cobra promessa feita por Marão no Carnaval de 2017 em cima de um minitrio elétrico.

O prefeito prometeu cobrir os canais do bairro, mas infelizmente, a realidade está muito aquém das promessas fantasiosas.

Sequer a manutenção dos canais a atual gestão consegue fazer.

Em tom de súplica, o morador decidiu gravar um vídeo para reforçar o pedido.

Veja e confira a situação.

A imbecilidade é incompatível com o progresso

Por Julio Gomes.

Estes últimos tempos de vivência no Brasil nos têm proporcionados lições duras, ácidas, porém preciosíssimas, que convém, a bem de nós mesmos, aprendermos definitivamente, aplicando-as em nossas vidas, para não andarmos de marcha à ré.

Uma delas é o altíssimo custo que a imbecilidade, tanto individual como coletiva, está trazendo e trará para cada um de nós, se não for combatida, debelada, ultrapassada.

Vimos o ideólogo de extrema direita Olavo de Carvalho e setores ligados a grupos religiosos indicarem, ente muitos outros, alguns nomes desastrosos para compor o Primeiro Escalão da Administração Pública Federal, que iniciaram suas gestões juntamente com o Presidente Bolsonaro, em 1º de janeiro de 2019. Vejamos:

– Damares Alves, Ministra da Mulher, da Família e dos Direitos Humanos, que após pavimentar sua ascensão com manifestações tais como aquela em que diz que conversou pessoalmente com Jesus em cima de uma goiabeira continua, como Ministra, se atribuindo mestrados “autoreconhecidos” (sem que o sejam por nenhuma instituição de ensino), e trazendo para o cotidiano questões irrelevantes e, não raro, risíveis ou ridículas, tais como a polêmica em torno do azul e rosa.

– Ernesto Araújo, Ministro das Relações Exteriores, que classifica o aquecimento global como  “uma invenção marxista”, que a culpa é da “globalização econômica que passou a ser pilotada pelo marxismo cultural” e, ainda, que somente o atual presidente de extrema direita dos EUA pode nos salvar: “somente Trump pode ainda salvar o Ocidente”.

– Ricardo Vélez-Rodríguez, Ministro da Educação que, num rasgo de reacionarismo, se declarou favorável ao retorno da Monarquia ao Brasil e que recentemente tentou fazer com que os professores de todo o Brasil lessem o tema da campanha eleitoral de Bolsonaro no primeiro dia de aula, e ainda filmassem e divulgassem imagens de alunos sem autorização dos pais, ambos atos expressamente proibidos por lei.

Como as manifestações da imbecilidade estão na moda, não se pode esquecer as do líder maior no campo das asneiras, nosso atual Presidente da República, tais como as declarações contrárias ao governo da China que azedaram as relações comerciais com o Brasil e levaram os chineses a preferir, em 2019, voltar a comprar soja dos EUA, fazendo com que o Brasil perdesse bilhões de dólares em exportações, entre dezenas de outras sandices que aqui poderiam ser citadas.

Não coloquemos, porém, o peso das asneiras nossas de cada dia tão-somente sobre os mandatários de nosso país. Nós, cidadãos comuns, também temos contribuído muitíssimo para o império dos impropérios e dos absurdos que hoje azedam nossas vidas. E fazemos isso todas as vezes que incorporamos e externamos posturas machistas, homofóbicas, misóginas, preconceituosas, xenófobas, carentes de base científica, e outras do mesmo gênero, que são fundamentais para que a ignorância reine nós.

Houve um tempo na humanidade em que nossa ignorância causava menos estragos. Morávamos no campo, carregávamos lenha para fazer fogo, pastoreávamos animais, viajávamos a pé e para causarmos destruição possuíamos apenas instrumentos como espadas e machados. Os efeitos de nossa ignorância eram limitados por nossa primariedade tecnológica.

Porém hoje em dia qualquer um de nós consegue ter acesso a uma arma de fogo automática (fuzil), da qual frequentemente se faz mal uso. Dispomos de veículos velozes que tanto transportam como matam. Temos ao nosso alcance drogas poderosas que podem atuar muito deleteriamente sobre o corpo e o meio ambiente. Comunicamo-nos com milhares ou mesmo milhões de pessoas ao mesmo tempo e as influenciamos, muitas vezes de forma negativa. E nossos governantes, em uma decisão equivocada, podem, simplesmente, destruir o planeta, matando instantaneamente bilhões de seres humanos.

A ignorância, mais do que nunca, é um perigo, um entrave, um risco ampliado exponencialmente por nossa capacidade tecnológica, que parece estar mais avançada para destruir do que para salvar vidas.

Não é exagero: ignorância mata! Com moderníssimos aviões de guerra, com potentes agrotóxicos, com armas de fogo em mãos erradas, com carros dirigidos por pessoas em estado de embriaguez, enraizada na mente daqueles que não admitem o fim de um simples relacionamento sexual ou afetivo e se julgam no direito de assassinar a(o) ex com requintes de crueldade.

O combate à ignorância, em suas diversas formas de manifestação, deve ser uma prioridade humana, a começar por cada um de nós, até atingir a todos, sem exceção.

Julio Cezar de Oliveira Gomes é graduado em História e em Direito pela UESC – Universidade Estadual de Santa Cruz.

Câmara de Vereadores realiza sessão especial em homenagem às mulheres

Na próxima quinta-feira , 14, a Câmara Municipal de Ilhéus vai realizar Sessão Especial às 15h no Plenário Gilberto Fialho em homenagem ao Dia Internacional da Mulher. Trata-se de uma celebração de conquistas sociais, políticas e econômicas das mulheres ao longo dos anos.

Estarão presentes as sete últimas vereadoras, além de mulheres que representam a sociedade ilheense nos mais diversos segmentos.

Ao longo da história do legislativo ilheense a presença da mulher na política sempre foi marcante e várias mulheres se destacaram como legisladoras. Nomes como: Maria Célia Lemos, Zenaide Maria Magalhães de Oliveira, Ana Margarida Assunção Amado, Vitória Berbert de Castro, Maria de Lourdes Paixão Cardoso, Marlúcia Paixão, Carmelita Ângela Oliveira, além da já falecidas Almerinda de Carvalho Santos, Maria da Conceição Soares Lopes e Ida Viana fazem parte do legado da casa do povo.

De acordo com o presidente da Câmara Municipal de Ilhéus, vereador César Porto “Esta homenagem é uma oportunidade de evidenciar e lembrar os serviços prestados pelas ex-vereadoras, a necessidade de uma maior participação da mulher na política local e a posição de destaque que as mulheres possuem na cidade de Ilhéus”.

Obra no Alto do Socorro continua paralisada e o governo Marão permanece calado

Foto enviada por um visitante do BG.

Receosos com a chegada das águas de março, moradores do Alto do Socorro, na Conquista, em Ilhéus, reclamam da paralisação da obra que vai atender a comunidade.

Iniciada em julho de 2018, a intervenção deveria ser entregue em dezembro passado, mas com as operações Sombra e Escuridão e Elymas Magus, da Polícia Federal, o serviço de contenção de encostas parou.

As investigações constataram indícios de irregularidades na licitação realizada pelo governo Mário Alexandre. As investigações prosseguem e as supostas fraudes ainda não foram provadas (publicamente). Os recursos utilizados, cerca de um milhão e meio de reais, são do governo federal.

Com o fim do verão e início das chuvas, os moradores temem novos desmoronamentos.

Das razões do Ser (minha filosofia performática)

Por Mohammad Jamal.

Começo citando um dos meus “gurus“ da filosofia. “Desde que a experiência me ensinou serem vão e fútil tudo o que costuma acontecer na vida cotidiana, e tendo eu visto que todas as coisas que me arreceava ou que temia não continham em si nada de bom nem de mau senão enquanto o ânimo se deixava abalar por elas resolvi, enfim, indagar se existia algo que, achado e adquirido, me desse para sempre o gozo de uma alegria contínua e suprema.”. “Tratado de Correção do Intelecto” (Bento Espinosa).  

Escrevo esse texto para refletir sobre algumas características fundamentais daquilo que entendemos por ‘filosofar’ a partir de uma perspectiva pragmática que a poeira do tempo obscureceu no esquecimento. Foi naquele tempo, quando ainda ensinavam o Latim no curso médio (ginasial), que aprendi garimpando curioso uns velhos textos em latim, que a forma geométrica do universo reflete o esquema da vida; que eles são o mesmo. Aprendi que o universo é delimitado por cinco lados e que a vida tem cinco estágios. “Primum”, a dor do nascimento. “Secundum” o trabalho da maturação. “Tertium” a culpa de viver. “Quartum” o terror de envelhecer. “Quintum” a finalidade da morte. Mas não está completo, pois cinco lados demandam um sexto espaço, um centro. É ele que devemos esperar ansiosamente. O que é o sexto espaço?  É o Vazio, a escuridão, o vácuo! Em outras eras igualmente ignorantes como a atualidade, dizia-se que o fogo eterno sucederia à morte. Mas no meu entender digo que não há fogo. Eu digo que o fogo não é punição bastante. Não meus amigos! O vazio do qual eu falo é o total horror da loucura, a consciência do nada. Então, nossas vidas, mesmo que miseráveis, de fato, são a felicidade suprema. Esse é o prêmio. Você deve amar sua vida mesmo que torturada, porque é uma pausa, uma interrupção no vácuo precedente e posterior. Se você busca uma resposta, olhe muito além dos fatos que você tem… E adicione mais um… O desconhecido. Porque somente quando você considera o desconhecido você tem uma esperança, uma chance de resolver o dilema do viver.

Sêneca me ensinou um pouco a viver melhor diante do inesperado digamos, do imprevisível ao qual jamais imaginávamos, pois nos é vedada a antevisão do amanhã. Apesar de todas as dificuldades, Sêneca, um dos mais conhecidos filósofos romanos, não era um homem amargurado, depressivo, sorumbático. Ele foi sábio quando percebeu que os fracassos são inevitáveis, e que o segredo das pessoas mais bem-sucedidas na vida é saber lidar com eles. Fracassos raras vezes são evitáveis, já que estão implícitos em tudo aquilo que representa atitude. E já que os problemas inesperados são os que mais nos atingem; que estejamos sempre preparados para o pior, embora essa “prevenção” possa transparecer pessimismo é, na verdade, um racional e precavido resguardo generalista.

Todas as vezes que você entrar num avião ou num carro, saiba que essa poderá ser sua última viagem. Se não for, aproveite cada nova oportunidade para explorar a vida ao máximo. “Descobrir que as fontes de satisfação estão além de nosso controle e que o mundo não funciona da forma como gostaríamos é um choque de infância de que muitos não se recuperam”, diz o filósofo britânico Marcus Weeks. As imprevisibilidades que decorrem do nosso existir devem ser encaradas com leviana serenidade. Nada é mais sério e importante que nosso equilíbrio sobre essa corda bamba da existencialidade. Cair no vácuo? Jamais.

Para o grande Sêneca, frustrações todos as vivenciamos alguma ou muitas vezes no transcurso da vida, o segredo é saber lidar com elas sem raiva, ansiedade, paranoia, amargura ou autopiedade. Precisamos manter o senso de realidade para não sucumbir à tentação de culpar os outros à nossa volta por tudo o que dá errado conosco.

O sucesso a ser alcançado consiste em se manter a paciente e emocionalmente estável diante dos problemas que fogem do nosso controle, e focar firmemente no que, de fato, depende só de você. Contra o breu existencial que circunscreve e fatiga o humor, ele fazia um exercício metodológico relativamente simples num certo sentido. Antes de dormir, listava suas frustrações, os insultos que havia escutado ao longo do dia e como havia se saído disso. Se algum resquício de malogro persistisse, ele o despejava fora dos seus sentimentos memoriais como algo impuro, indesejado, um chorume infecto contaminante. Ressentimentos? Não.

A busca pelas razões do existir e preservar o “ser” incólume é uma guerra permanente travada no campo do ambiente transpessoal. O SER é um estado difícil e de onerosa manutenção, todavia vale qualquer esforço, uma vez que “em sendo”, se adquire algo permanente e não passageiro como simples objetos assessórios. “Em sendo”, tem-se o tesouro do autoconhecimento que atrai outras riquezas com a solidez e a segurança da paz interior.

Sobre o poder da resiliência que vence o pessimismo do fracasso, trago um poema do indiano Kabir Das. Nem todas as palavras do idioma árabe, do Hindi, do Urdu, encontram no Português o verdadeiro sentido da literalidade e conotação por isso, nenhuma tradução simplesmente literal poderá representar sentido, conteúdo e expressionismo literário da intelectualidade, filosofia e pensamento nesses idiomas. Contudo, mesmo sendo uma língua consonantal entremeada de sinais diacríticos, não é totalmente impossível transliterá-la ao riquíssimo Português. Segue a tradução não literal do poema, na justa medida dos nossos limites. Kabir, sabiamente substitui o abstracionismo entreguista da religiosidade pela força vital que impulsiona a vontade, a Jihad (meta, objetivo, premissa) onde o Ser deve predominar a todo custo. E o Ser persegue a vontade, a Jihad.

Onde me procuras? Estou contigo.

Não nas peregrinações ou nos ídolos, tampouco na solidão.

Não nos templos ou mesquitas, tampouco na Caaba ou no Kailash.

Estou contigo, ó homem estou contigo.

Não nas preces ou na meditação, tampouco no jejum.

Não nos exercícios iogues ou na renúncia, tampouco na força vital ou no corpo.

Estou contigo, ó homem, estou contigo.

Não no espaço etéreo ou no útero da terra, tampouco na respiração da respiração.

Procura ardentemente e descobre, em um instante único de busca.

Escuta com atenção! Onde está tua fé, lá estou!

Mohammad Jamal é literato e articulista do Blog do Gusmão.