A prisão de Temer e a reforma da previdência

Por Julio Gomes.

Tenho visto o entusiasmo exacerbado, quase orgásmico, com que grande parte dos brasileiros recebeu a notícia da prisão do ex-presidente Michel Temer, ocorrida em 21/03/2019, transmitida com grande estardalhaço de cobertura midiática. [Nesta segunda-feira, 25, o desembargador Antonio Ivan Athié, do TRF-2, concedeu liberdade ao ex-presidente].

Para parte expressiva dos brasileiros esta prisão é recebida com sabor de vingança pessoal, com uma sensação de gozo íntimo que, se por um lado é compreensível, ante os malefícios político-administrativos que Temer perpetrou quando se encontrava na Presidência, por outro lado nada tem haver com um desejo sincero de apuração de fatos, delimitação dos eventuais crimes e imposição de uma pena justa, após um julgamento no qual o acusado possa exercer plenamente seu direito de defesa, de forma a termos uma sentença que esteja de acordo com a Lei e com a Justiça. Não é isso o que as pessoas demonstram desejar. Elas, simplesmente, parecem querer vingança, pouco importando todos os aspectos anteriormente citados.

Em seu frenesi vingativo, no qual o fígado e as emoções em desalinho facilmente impedem o raciocínio lógico e calam a voz da razão em nossas consciências, as pessoas, ao menos momentaneamente, deixaram de prestar atenção a uma outra questão que se mostra ainda mais importante, pelas consequências que trará em um futuro próximo: a reforma da Previdência.

Proposta pelo atual Governo Federal, a propalada reforma pretende instalar no Brasil o regime de capitalização que já fracassou no Chile, onde idosos se suicidam por não conseguir pagar suas contas. Neste modelo o governo e os patrões deixam de contribuir para a Previdência, que pesará unicamente nas costas dos trabalhadores, que deverão depositar em instituições privadas (bancos) seus recursos para a sonhada futura aposentadoria.

Como estamos no Brasil, nenhuma surpresa haverá se após 30, 40 ou 50 anos de contribuição o brasileiro vier a descobrir que o fundo de aposentadorias e pensões ou a empresa para a qual contribuiu durante anos simplesmente faliu no momento em que deveria começar a pagar a aposentadoria de quem ali depositou. Como ocorre aqui, o dinheiro simplesmente “sumiu”. Ninguém pagará por isso e quem depositou ficará, na velhice, exposto ao mais completo desamparo social, em situação de miséria e incapaz para o trabalho.

Se você duvida do quanto foi exposto acima, é bom lembrar-se do que ocorreu com a Aerus, que eram os fundos de pensão das grandes empresas aéreas Varig, Cruzeiro e Transbrasil. Quando a Varig parou de operar, em 2006, o fundo Aerus simplesmente não teve recursos para pagar aos trabalhadores que haviam contribuído. Desde então e até 2014, os aposentados e pensionistas do Aerus receberam somente 8% do valor a que teriam direito. Somente em 2014, após uma Decisão Liminar da Justiça Federal, conseguiram voltar a receber regularmente, o que só foi possível porque havia dívidas da União com a Varig, o que possibilitou a retomada dos pagamentos.

E se o fundo privado para o qual você vier a contribuir falir na hora de pagar sua aposentadoria, quem pagará sua aposentadoria, ou a pensão aos dependentes?

Por tudo isso, antes de pular de alegria com a prisão do caquético e ultrapassado Temer, pense na sua aposentadoria, na pensão destinada ao cônjuge sobrevivente e aos filhos menores, pense na aposentadoria de seus filhos, que provavelmente nunca ocorrerá ou resultará em um valor de aposentadoria miserável, inferior a um salário mínimo, de acordo com as novas regaras.

E pense, sobretudo, que desabando a miséria e a necessidade sobre as pessoas que amamos, tais como nossos filhos, daqui a alguns anos nós não estaremos mais aqui. Já teremos morrido, e não poderemos ajudá-las em absolutamente nada.

Julio Cezar de Oliveira Gomes é graduado em História e em Direito pela UESC – Universidade Estadual de Santa Cruz.

Madre Thaís abre inscrições para curso de extensão “Como fazer um projeto de pesquisa”

Estão abertas as inscrições para o curso de extensão “Como fazer um projeto de pesquisa” da Faculdade Madre Thaís (FMT). O curso de extensão tem entre seus objetivos promover discussões e exercícios que colaborem com a construção dos projetos de pesquisa desenvolvidos pelos alunos de graduação.

O curso é ministrado e coordenado pela mestra em comunicação, Bruna Lapa. A atividade tem duração de um mês, de 6 de abril a 4 de maio, com carga horária total de 12h, divididas em quatro encontros semanais, aos sábado das 9h às 12h.

Os interessados devem se inscrever na sede da Faculdade Madre Thaís. As inscrições estão abertas de 25 de março a 4 de abril e o valor da taxa de inscrição é de R$ 120,00. Mais informações pelo e-mail [email protected] ou através dos telefones: (51) 98112-5818 e (73) 3222-2330.

E aí, Bolsonaro! Pega a visão, a poesia me impediu de odiar!

Por Caio Pinheiro.

Nesses tempos sombrios, onde a esperança encontra-se asfixiada pelo ódio, resistir deve ser a palavra de ordem dos amantes da democracia. Acreditemos que a verborragia difamatória dos inimigos do Estado de bem-estar social são castelos de areia; por isso, não suportarão a força avassaladora da realidade, hoje caracterizada pelo crescimento exponencial das iniquidades sociais, num país, que afora os equívocos, ensaiou associar crescimento econômico com o crescimento social ao longo de quase duas décadas.

O Brasil amanheceu em 2019 ainda gravemente doente, mesmo com muitos cidadãos acreditando que a vitalidade pátria seria restabelecida após removerem o “tumor vermelho”. É verdade que tumores sejam encarados pelos leigos como algo pavoroso, mas nem sempre eles são o mal em si. Sua ocorrência pode estar associada ao adoecimento sistêmico do organismo, por isso, um diagnóstico errado pode produzir respostas inadequadas contra a verdadeira patologia, diagnosticada como um mal improvável.

Não foi preciso esperar 100 dias como especulou Ciro Gomes para vaticinar o fracasso do governo Bolsonaro. O presidente ainda continua preso ao personagem que criou para chegar à presidência. Apoio de gente poderosa não foi problema para o “mito”. Setores da mídia corporativa, empresariado, agronegócio, sistema financeiro, importantes lideranças evangélicas, frações expressivas do judiciário, bolsonaristas de primeira hora e cidadãos desacreditados na democracia ratificaram nas urnas Bolsonaro presidente. Compraram e acreditaram na promessa da “nova política”, mesmo sabendo que o “presidente mito” já vivia no parlamento há mais de duas décadas.

Agora, os mesmos que elegeram Bolsonaro como redentor tramam sua queda. Caso emblemático são os homens do agronegócio. Animados com a possibilidade de liquidar a “petralhada”, acabar com a fiscalização ambiental e enquadrar como terroristas movimentos sociais como o MST, os “agropopis” deram com os burros n’água. Como informa Leonardo Attuch, a União Europeia já avisou que não aprofundará os acordos comerciais com o Brasil, em razão da perplexidade que Bolsonaro provoca no mundo civilizado. Pressionada pelos EUA, a China trocará a soja brasileira pela dos produtores americanos. Os países árabes retaliam o Brasil em razão da nova política externa, que chancela agressões do governo de Israel ao palestinos.

O cenário indica que Bolsonaro não resistirá, por isso, pedindo licença a Karl Marx, filósofo alemão do século XIX, deturparei sua máxima dizendo: “tudo que não é sólido se desmancha no ar”. Bolsonaro e sua claque são amorfos! Como apontou Rodrigo Maia, “vulgo botafogo”, o governo bolsonarista é um “deserto de ideias”. Exceção da reforma previdenciária draconiana de Paulo Guedes, sordidamente chamado de “Posto Ipiranga”, e as medidas plagiadas de combate à corrupção do ministro da justiça Sergio Moro, nada de novo foi proposto. É preciso lembrar a Bolsonaro que para acabar com programas comunistas (conceito bolsonarista!) como Bolsa Família, Minha Casa Minha Vida, FIES, PROUNI, PRONATEC, PETI, Luz para Todos, Brasil Alfabetizado, Educação de Jovens e Adultos e tantos outros, será preciso pensar em algo que lhes substitua.  

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Desembargador manda soltar ex-presidente Temer

Ex-presidente Michel Temer.

Do site de O Globo.

O desembargador Antonio Ivan Athié, do Tribunal Regional Federal da 2ª Região (TRF-2), decidiu nesta segunda-feira, 25, soltar o ex-presidente Michel Temer, o ex-ministro Moreira Franco e outras cinco pessoas, presas por decisão do juiz federal Marcelo Bretas.

A decisão está neste link.

O desembargador havia pedido que o caso fosse incluído na pauta de julgamento do TRF-2, na próxima quarta-feira. A decisão seria tomada pela primeira turma especializada do tribunal.

Além do ex-presidente Temer, Athié também determinou a soltura do ex-ministro e ex-governador Moreira Franco, o coronel Lima, amigo do ex-presidente, sua mulher, Maria Rita Fratezi, acusada de atuar na lavagem de dinheiro por meio da reforma de um imóvel da filha de Temer, Maristela; Carlos Alberto Costa e Vanderlei de Natale.

Na decisão, o desembargador afirma que é “a favor da operação chamada “Lava-Jato” e que as investigações e decisões devem “observar as garantias constitucionais, e as leis, sob pena de não serem legitimadas”.

“Ressalto que não sou contra a chamada “Lava-jato”, ao contrário, também quero ver nosso país livre da corrupção que o assola. Todavia, sem observância das garantias constitucionais, asseguradas a todos, inclusive aos que a renegam aos outros, com violação de regras não há legitimidade no combate a essa praga”, disse o desembargador.

O ex-presidente Temer foi preso na manhã de quinta-feira pela força-tarefa da Lava-Jato. Agentes da Polícia Federal (PF) cumpriram 10 mandados de prisão — oito preventivas e duas temporárias — em São Paulo, Rio, Porto Alegre e Brasília. A ordem dos mandados de prisão foi decretada pelo juiz Marcelo Bretas, da 7ª Vara Federal Criminal do Rio de Janeiro. A ação, denominada Descontaminação, foi um desdobramento da Operação Radioatividade, que investiga desvios nas obras da Usina de Angra 3 e tem como base a delação do empresário José Antunes Sobrinho, dono da Engevix, que menciona pagamentos indevidos de R$ 1 milhão em 2014.

Hospital Costa do Cacau não paga médicos e atendimentos são realizados sem remédios e insumos básicos

HRCC “é só fachada”, dizem os médicos.

Informações de médicos que atendem no Hospital Regional Costa do Cacau relatam dificuldades vividas pelos profissionais.

O hospital inaugurado em dezembro de 2017, com show de Vanessa da Mata e outras pompas, “é só fachada”. As administrações se sucedem e os problemas continuam. Além de “não pagar salários, faltam insumos e medicamentos básicos”, afirmam os médicos.

Segundo uma das fontes, o desabastecimento gera improvisos. “Ficamos tateando medicação que tem na farmácia para substituir a padrão, fio de sutura e etc..”.

O Governo do Estado, que tem a responsabilidade política e administrativa, deve 22% dos salários de setembro e a totalidade dos vencimentos de outubro, janeiro e fevereiro.

Não conseguimos contato com a assessoria de imprensa do HRCC.

Inscrições abertas para aulas de dança afro e percussão

Ogan músico Marinho Rodrigues.

Abertas inscrições para novas turmas de dança afro e percussão na Escola Ngomas, em Ilhéus. Os interessados podem realizar sua inscrição preenchendo o formulário clicando neste link.

As aulas de percussão terão início no dia 16 de abril, no Terreiro de Matamba Tombenci Neto, localizado na Av. Brasil, 485, Alto da Conquista, sempre às terças e quintas, das 19h às 21h.

As aulas de dança afro terão início no dia 18 de abril e serão realizadas no mesmo horário e local, sempre às quintas-feiras.

O curso de percussão será ministrado por Marinho Rodrigues, Tata Kambomdo, ou seja, Ogan – músico – do Terreiro de Matamba Tombenci Neto, cantor e compositor da Orquestra Gongombira.

Neide Rodrigues, ministrante da oficina de dança afro, é Makota do terreiro, dançarina e coreógrafa, atual rainha do Maracatu de Serra Grande e possui no currículo participações em espetáculos como Kianga e Malunda.

A taxa de inscrição é 30 reais, a ser paga no dia da aula inaugural de cada curso. A mensalidade será 60 reais.

Mais informações: telefone: (73) 3633 3008 ou 9 8809 3958 (WhatsApp)

Facebook: /escoladepercussaongomas .

E-mail: [email protected] .

Contrato do lixo: distrato ou emergência forçada?

Mirinho Duarte e Uildson Nascimento.

Ademais, não cabe na cabeça de quem tem juízo a falta de recursos do município que ao negar condições de pagar mensalmente o valor de R$ 979.158,83 à Solar Ambiental, celebra um contrato emergencial por noventa dias com a CTA Empreendimentos Eireli por R$ 3.600.657,00, importando num valor médio mensal de R$ 1.200.219,00, ou seja, pagando um valor a maior no importe de R$ 221.060,17. Somando-se a isso as parcelas pactuadas com a Solar Ambiental, pergunta-se: Onde está a falta de recursos?

Por: Mirinho Duarte e Uildson Nascimento.

O fato da aparente ”normalidade” da coleta de lixo não impede que o gestor preste esclarecimentos a população diante de nítidas obscuridades que permeiam o seu contrato, suscitando dúvidas que indiciam e nos levam a crer na possibilidade de irregularidades. 

Ressalta-se que a coleta de lixo é um serviço essencial e o seu contrato deve ser precedido de licitação, com vigência de até 05 (cinco) anos, por tratar-se de prestação de serviço contínuo como estabelece o art. 57, inciso II da Lei 8.666/93. Logo, o contrato 026/2014 celebrado entre o município de Ilhéus/Solar Ambiental em 12/02/2014 poderia ser prorrogado tantas vezes quanto necessária até 12/02/2019.

O referido contrato parece-nos celebrado ao lume da lei e vigeu inicialmente pelo período de 02(dois) anos -2014/2016– mediante paga de R$ 637.620,51/mês pela execução dos serviços de coleta e transporte de resíduos hospitalares, limpeza e desobstrução de redes de drenagem e galerias de águas pluviais com equipamentos de vácuo e de alta pressão, lavagem e desinfecção de feiras livres e vias, limpeza de praias.

O valor do contrato original –R$ 637.620,51- foi mantido até 31/12/2016 e o primeiro reajuste de 53,5645% concedido pelo atual prefeito em janeiro de 2017, elevou-o estratosfericamente para R$ 979.158,83 e instigou a criatividade popular a batizar o ato como “Contrato Mário do Pulo”, numa alusão e relação ao salto triplo do atleta brasileiro João do Pulo.

Com esse ato o prefeito violou a cláusula segunda do contrato que estabelecia reajuste anual com base no IGPM e, por isso, ao invés de 53,5645%, deveria aplicar o índice de 1,066608%  sobre o valor original -R$ 637.620,51- visto não ter havido majoração até ali, obtendo o valor de R$ 680.091,14 que vigeria de Fev/17 a Fev/18 e, em fev/2018 aplicar sobre esse valor, 0,995860% – índice do IGPM – resultando no valor do contrato de R$ 747.818,6, para viger de fev/2018 a fev/2019, quando da expiração do contrato.

Mas dos males esse foi menor do que a cristalina probabilidade da “forçação de barra” para a criada situação de emergência e conseqüente contratação emergencial direta – sem licitação – da empresa CTA Empreendimentos Eireli, fazendo soar estranho e nebuloso o tal contrato emergencial, quando analisados os atos praticados e documentados pela própria gestão contratante nesse norte.

O Contrato 026/2014 foi fiscalizado por uma comissão de servidores especificamente constituída e nomeada para esse fim, através da Portaria nº 001/2017 de 30/06/2017 assinada pelo Secretário de Serviços Urbanos. No dia 08/01/2019 o gestor fez o nono aditamento ao contrato, prorrogando-o e validando-o para o período de 09/01/2019 a 07/02/2019, ressaltando que finda essa prorrogação, o contrato estaria extinto. Mesmo assim, no dia 07/02/2019 o gestor ensaiou um ato de “mágica administrativa” usando um “Termo de Prorrogação Excepcional” para estender a validade do contrato até 07/08/2019, o que violaria o art. 57, inciso II da Lei 8.666/93.

Depura-se desses atos o engenhoso propósito do gestor na articulada manobra em não realizar, como não realizou a nova licitação em tempo hábil para eleger a substituta da Solar Ambiental e assim impediu o prosseguimento legal da continuidade dos serviços da coleta de lixo, preferindo expor a riscos a Saúde Pública e criar pânico na população, atemorizando-a com o acúmulo de lixo espalhado pela cidade e de repente num toque de mágica apresentar, como apresentou ao povo, uma saída emergente através da solução milagrosa da contratação direta da empresa CTA Empreendimentos Eireli,  conforme seu interesse e livre escolha sob o argumento de que a empresa Solar Ambiental rompera o contrato, em razão da falta de recursos do município para cumprir com a sua obrigação contratual cuja dívida importava em R$ 4.584.576,32.

Não há argumentos que justifique o prefeito não ter realizado a nova licitação, bem assim, os motivos expostos no Decreto Emergencial nº31 de 07/03/2019  não configuram uma situação de emergência, porquanto distam-se e muito das exigências legais para o decreto emergencial. Não passam de definição de princípios constitucionais que não se adéquam, nem fundamentam o caráter emergencial de uma real situação de emergência, mas, satisfaz apenas a emergência que o gestor pretendeu criar, cuja “emergência” decorreu da falta de cumprimento das suas obrigações que embora tivesse conhecimento do dever de licitar, por má fé, ou interesses próprios, prevaricou.

O argumento da ruptura do contrato 026/2014 também não procede primeiro, porque, não se rompe contrato vencido sem condições legais de prorrogação. Segundo, se não havia recursos para pagar a divida, como o município pactuou com a Solar, o pagamento de R$ 1.100.000,00 divididos em três parcelas, todas vencíveis em março em curso e o saldo restante divididos em 18 parcelas iguais? Terceiro, em se tratando de uma ruptura contratual, pressupõe-se um litígio, assim como, considerando que essa ruptura violaria o principio da continuidade do serviço público essencial, não seria essa matéria objeto de discussão judicial, lastreado no principio da inafastabilidade do controle jurisdicional, conforme art. 5º, inciso XXXV da CF?

Ademais, não cabe na cabeça de quem tem juízo a falta de recursos do município que ao negar condições de pagar mensalmente o valor de R$ 979.158,83 à Solar Ambiental, celebra um contrato emergencial por noventa dias com a CTA Empreendimentos Eireli por R$ 3.600.657,00, importando num valor médio mensal de R$ 1.200.219,00, ou seja, pagando um valor a maior no importe de R$ 221.060,17. Somando-se a isso as parcelas pactuadas com a Solar Ambiental, pergunta-se: Onde está a falta de recursos?

A empresa CTA empreendimento não está autorizada a coletar o lixo hospitalar e o contrato omite esse tipo de serviço. Daí, a dúvida: está sendo feita ou não a coleta do lixo hospitalar? Se estiver sendo feita a empresa estará violando a lei. No entanto, se não estiver, onde os hospitais e clinicas de Ilhéus estão armazenando esse lixo? Se estiver sendo realizada a coleta, qual a destinação desse lixo? E os trabalhadores são qualificados para essa incumbência? Estão devidamente protegidos com seus respectivos EPIs? Dezenas de outros questionamentos sobre esse decreto blindado por um espesso nimbo podem ser desvendados mediante uma investigação judicial. Essa é a via mais adequada. Não cruzemos os braços.

A nosso ver não houve distrato. Houve sim, a “ fabricação de uma situação de emergência” para satisfazer interesses alheios à supremacia do interesse público.

E você? Qual a sua opinião?

Mirinho Duarte é estivador e coordenador do Comitê de Entidades Sociais em Defesa de Ilhéus e Região (Coeso).

Uildson Nascimento é contabilista, ex-secretário de saúde de Ilhéus (2011), ex-diretor administrativo e financeiro da secretaria de saúde de Itabuna (2012/2016), ex-secretário de planejamento de Ubaitaba (2017) e ex-diretor de planejamento da secretaria de saúde de Ilhéus (2018).

Editora Via Litterarum lança o Atlas Socioeconômico Litoral Sul da Bahia

A Editora Via Litterarum lançou a primeira edição do Atlas Socioeconômico Litoral Sul da Bahia, estudo elaborado pelo geógrafo Alan Azevedo, que compreende um amplo conjunto de informações econômicas, geográficas e cartográficas sobre o Território de Identidade Litoral Sul da Bahia e os seus 26 municípios.

A publicação está disponível na internet (clique aqui).

O Atlas revela as relações complexas que envolvem o desenvolvimento econômico desse território. Dentre os temas abordados destacam-se o novo perfil demográfico regional, os indicadores sociais, a dinâmica recente dos nascimentos, a economia, as finanças públicas municipais, a previdência social, o mercado de trabalho formal, o saneamento básico, a representação feminina na política, dentre outros. Trata-se de uma referência essencialmente prática para uso de grupos, comunidades e instituições, públicas e privadas.

O autor, Alan Azevedo Pereira dos Santos, nasceu em Itabuna, possui graduação em Geografia (Licenciatura) pela UESC, especializações em Ensino de Geografia e Planejamento de Cidades pela mesma instituição e é professor de Geografia da rede estadual de ensino da Bahia.

Sinebahia Itabuna oferece 15 vagas de trabalho

Há uma vaga para chefe de cozinha.

Confira abaixo as oportunidades de emprego do Sinebahia Itabuna. As vagas estarão disponíveis nessa terça-feira, 26.

A agência funciona no Shopping Jequitibá. Não esqueça de levar o número do PIS, PASEP ou NIS, Carteira de Trabalho, RG, CPF, comprovante de residência e certificado de escolaridade.

Vagas exclusivas para Itabuna. 

AUXILIAR DE LINHA DE PRODUÇÃO(PCD)

Exclusiva para pessoas com deficiência

Não necessita escolaridade

Não necessita experiência

01 VAGA

OPERADOR DE TELEMARKETING (PCD)

Exclusiva Para Pessoas Com Deficiência

Ensino Médio Completo

Não necessita experiência

10 VAGAS

GERENTE DE SUPERMERCADO

Ensino Médio Completo

Experiência mínima de 6 meses na carteira

1 VAGA

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Feio, muito feio

Por Mohammad Jamal.

Era para glorificar o divino, mas… Em qualquer tempo, se eu pedisse a qualquer pessoa educada para descrever qual objetivo da poesia, da musica, da arte, eles teriam respondido: a beleza. E se você perguntasse o motivo disso, aprenderia que a beleza é de um valor tal quanto à verdade, a bondade, o amor. Porque a beleza foi então relegada no século XX, deixando para trás sua inegável importância? A Arte, gradativamente, se focou em quebrar todos os tabus morais, hoje tão raros e carentes de mínimo pudor.

Dedo da arte introduzido no ovopositor alheio. A beleza foi desprezada e a “originalidade” elevada à condição de arte, atingível por todos os meios e a qualquer custo moral desde que proporcione prêmios financeiros, comendas, etc. Mas qualquer olhar desatento sobre o tema permitirá que até um cego se aperceba que não somente a arte fez um culto à feiura, como ate a arquitetura se tornou desalmada e estéril. Não foi somente o nosso entorno físico que se tornou feio e imoral: nossa linguagem, música, maneirismos, condutas, estão cada vez mais minimalistas, rudes, vulgares, autocentradas e ofensivas, como se a beleza e o bom gosto houvessem perdido definitivamente seus lugares em nossas vidas. Por isso, uma palavra grafada em letras chamativas em todas essas coisas feias é a palavra “egoísmo”. Meus prazeres, meus lucros, meus desejos, meus vícios, meu pornografismo gerador de interinfluências do meio… Nesses casos, o intelecto da arte não tem mais o que dizer em resposta, apenas: “sim, faça isso”. Estamos, irremediavelmente, sob o domínio do antropomorfismo sociológico etnobiológico, algo bestial, fauniano, caprípede. Penso que estamos perdendo o senso da beleza, preexistindo ainda de que, com isso, também percamos o sentido da vida. 

Feio e cinzento. O dia transcorreu soturno, pesado, tedioso, um sepulcro atemporal. Hoje carreguei toneladas de apatia, confrontei rostos banidos da esperança cujos corpos e suas texturas transpareciam personagens extraditados da Divina Comédia. O estupor do medo desenha olhos de barro em seus rostos macilentos. A üzüntü, Dünya… “Kasvetli olmanın nesi mükemmel?”, diria assim vovô, no seu turco carregado de expressionismo linguístico (tristeza, depressão… “O que há de tão grande nesta depressão?”). De pé, totalmente despido de pudores, nu no meio daquele quarto/alcova, que mais poderia eu fazer nesse fim de tarde, quando ameaças de ciclones, ventos fortes e a escuridão sepultam o dia agônico para mim com pesado atraso; Que me resta senão apoiar meu corpo suado sobre o corpo daquela mulher de “negócios” esparramada nua, pernas abertas a preço fixo e olhar macilento fitando a impassibilidade da própria apatia estampada no bolor que desenha mapas verdes amarronzados no teto, nas paredes, na memória? Que fazer senão copular mecanicamente como um tedioso rito processual habeas pernas, habeas corpus, agravos restringentes para políticos corruptos em luxúria por dinheiro?

Teias e forca. Havia silêncio e uma única lâmpada no ambiente, tal como se enforcada no centro do quarto, pendendo do bocal por um fio coberto pelas teias do tempo.  Debilitada e mortiça, sua fraca luminescência tingia os poucos móveis além da cama com um amarelo ictérico tal a bile, tão viva, a ponto de a memória gustativa me fazer sentir amarga a saliva que me brotava sob a língua. E desabei inteiro, inapetente e sem ganas sobre aquele corpo feminino, servil e passivo. Passei em seguida aos movimentos rítmicos ondulares, como se coreografando um funk fúnebre em réquiem litúrgico para exéquias de uma vagina pós-exumada. Foi quando a vagina exumada, ou melhor, a voz da mulher serventuária passiva, mas de negócios baratos, deu sinais de vida. Ela:_ “políticos fedem a dinheiro cagado!”. Senti um ligeiro abalo na força, mas me mantive silencioso. Ela, de novo: _ “Você não vai me bater?”. Meu autocontrole estava chegando ao fim. De novo, ela: “Nem um tabefinho? Adoro apanhar!”. Num esforço sobre-humano, produzi mais silêncio… Aí ela acendeu o detonador: “_ Acho que vou peidar!” e emendou: “Posso fazer uma ligaçãozinha pra mamãe?”.

Não tenho certeza do que fiz, mas, com alguma segurança, imagino que escrevi algo feio pra você ler e se dar conta de que a feiura está predominando sobre os intelectos, mas ainda há tempo para se vacinar contra a feiura: Leia um bom livro, é só.

Mohammad Jamal é literato e articulista do Blog do Gusmão.