Cogito, ergo sum ‘Penso, logo existo. René Descartes errou?

“Sabemos o quão perigoso é a pratica do jornalismo combativo, investigativo, sensato e construtivista, mesmo em sendo apolítico e apartidário. Uma referência à utilidade pública. A antítese do que aqui se inscreve claro num Português de bom tom. Não é aquele jornalismo escandaloso, sensacionalista, mórbido e unilateral, levianamente ofensivo; sabiamente professoral e irrecorrível; coisa que em algumas oportunidades vemos beirar o vulgar. Desse jornalismo que instila hoje os ódios opinativos de ontem, é de se esperar vê-lo amanhã, sobraçando parcialidades apologéticas para um outrora hipotético desafeto”.

Por Mohammad Jamal.

O planeta agoniza!

مغفرة maghfira; ‘peço perdão’. Perdão àqueles poucos dados a ler os longos prólogos pseudoliterários que escrevo por aqui. Maghfira, porque perplexo, não me arrisco abordar um assunto de tamanha magnitude e complexidade que sobressaí às fronteiras do país mundo afora causando estupor e devastação, consternação. Um tsunami, um terremoto de magnitude >10, uma hecatombe muito mais devastadora porque afetou o PIB brasileiro, a cotação de moedas fortes tipo o Euro, o Dólar, o Iene, o Renminbi; a nossa Bolsa de Valores e outras espelhadas pelo mundo capitalista. Que afetou nosso sistema de saúde sobrecarregando nossos modernos e bem aparelhados hospitais, UPAs e Postos Médicos com centenas de milhares de pessoas acometidas por crises nervosas e síndromes hipertensivas. Vocês se lembram do ‘Evento de Tunguska’, nome de uma inóspita região da Sibéria, inacessível até a década de 1920? Lá onde um imenso meteoro se chocou contra um continente há 105 anos provocando uma explosão com potência mil vezes maior que a da bomba de Hiroshima? Pois é semelhante a esta devastação causado ao emocional e aos bolsos vazios dos brasileiros nesse momento. Digam que viram a devastada Tunguska!  Deixo esse assunto os para renomados jornalistas das grandes redes internacionais de TVs, jornais e rádios. Esse incidente ou affaire envolvendo o jogador e herói pelo futebol brasileiro transcende minha capacidade de refletir racionalmente sobre tão relevante assunto. É muito pra mim! Também tenho sentimentos, viu?

Demóstenes, a mente maravilhosa; gago, usou seixos na boca ate se tornar o melhor orador da história!  Sobriedade, seriedade e bom senso, são fatores primordiais no equilíbrio opinativo de um jornalista. A confiança e credibilidade da opinião pública esclarecida se conquistam pela discussão sensata de temas de interesse coletivo e pela exposição de opiniões embasadas em pesquisas e análises que dão suporte ao conhecimento aprofundado da matéria e sobre tudo, na confiabilidade das fontes ou mesmo das bibliografias referenciadas no artigo. Alie-se a isso, uma redação correta, informal e de fácil entendimento, sem os aforismos e neologismos esdrúxulos que submetem nosso raciocínio e discernimento interpretativo a um permanente estado de transliteração vocabular. Eu mesmo vez em quando desencontro as palavras e, tome cacos neológicos!

Quem tem Sul, tem medo.

Sabemos o quão perigoso é a pratica do jornalismo combativo, investigativo, sensato e construtivista, mesmo em sendo apolítico e apartidário. Uma referência à utilidade pública. A antítese do que aqui se inscreve claro num Português de bom tom. Não é aquele jornalismo escandaloso, sensacionalista, mórbido e unilateral, levianamente ofensivo; sabiamente professoral e irrecorrível; coisa que em algumas oportunidades vemos beirar o vulgar. Desse jornalismo que instila hoje os ódios opinativos de ontem, é de se esperar vê-lo amanhã, sobraçando parcialidades apologéticas para um outrora hipotético desafeto. Mas aí, já incutindo e suavizando com eufemismos bem colocados, aquilo que ontem criticava em veemente e locução de arauto. O senso comum faz esse jornalismo se apequenar gradativamente decadente, com a perda de espaço e, consequentemente, sendo varrido da credibilidade das massas em razão da repulsa que o jornalismo retórico faz despertar sobre si no seio da opinião pública. Esse estereótipo jornalístico agrada a bem poucos e não cumpre seu papel informativo; não conquista audiência nem leitores; não gera ou modifica opiniões e conceitos embasados no empirismo dos fatos. Esse jornalismo extravagante necessita diariamente o combustível impactante do escandaloso, do sobressalto constrangedor, da denúncia opressiva, representados nas exemplares autópsias públicas com que retrata em seu modelo “jornalístico singular” o dia-a-dia informativo e opinativo e o disponibiliza em mídias com a policromia de tintas aberrantes desfocadas de realidade.

Com licença da má palavra.

A escatologia em jornalismo é uma aberração. Antes de oferecer um exemplo bastante ilustrativo, com cuidado faço um breve prólogo para assegurar que: Na minha reflexão, não pretendo ser elitista ou discriminativo. Sigo por regra, axiomas que prevalecem no senso comum sobre a maioria da opinião pública racional como, “conheço pessoas e não indivíduos”.  “Não concordo com o que dizes, mas, lutarei ate à morte para que preserves o teu direito de dizê-lo e, com uma breve restrição, “Beleza e religião não se discute”, mas discute-se a estética moral (sic). Fator em que me embaso neste comentário, para criticar os conteúdos estético-jornalísticos, cobrar o respeito ao vernáculo, à etimologia e à semiótica da linguagem literária jornalística dos comunicólogos que se autoatribuem e se permitem privilégios de ser particulares quando o correto seria o coletivo sensato, inteligente e imparcial sem concessões ou indulgências.

Fede mas está boa, eu garanto.

A grande imprensa vende em público nas ‘feiras de notícias’ carcaças sabidamente apodrecidas dos nossos políticos mãos sujas; daqueles que derraparam da propriedade legítima, que saltaram a origem da fonte legal, para o lucro fácil e farto da rendosa “advocacia administrativa”, do suborno; das vilanias mais esdrúxulas que emporcalha moralmente os Representantes da Nação, em sua maioria, arvores daninhas – se é que existem – que frutificam suculentos ilícitos nos pomares das contas do Estado, a nosso passivo. À antítese de Maximilien de Robespierre. O mesmo que, em se apercebendo do enfraquecimento dos princípios políticos libertários da Revolução Francesa e, a desconfiança no seio do povo em razão das cisões políticas entre os Comitês com o forte líder populista e da burguesia, Danton. Robespierre resolveu solicitar uma audiência com este peso pesado representante da nação, para tentar apaziguar as diferenças político-ideológicas através algumas concessões de comum acordo visando salvaguardar a sobrevivência dos princípios da Revolução Francesa. Ao declarar sua intenção aos membros do comitê que liderava, foi, nesse instante, abruptamente instado por Louis Antoine Léon de Saint-Just, segundo na hierarquia do Comitê, com a seguinte questão: “Você vai se rebaixar a pedir uma audiência com Danton?”. Ao que respondeu de pronto, Robespierre: “Pelo bem da Revolução, serei capaz de me submeter às maiores baixezas!”. Tendo por meta o bem do povo, ele exclui vaidade, a relevância da posição política que representava junto Comitês e a própria autoestima, colocando-a muito abaixo dos interesses maiores do povo e da nação! Um altruísta. Um mito, uma ficção política na contemporaneidade. Mas nem por isso, por toda essa imundície e impudicícia praticadas pelos representantes da nação da nação contra o casmurro povo brasileiro, não nos farão posar de cócoras pra eles, afinal, ainda estamos vivos! E Precisamos resolver nossos monstros secretos, tratar nossas feridas clandestinas, nossa insignificante insanidade oculta, nossas diferenças de excluídos e, irmos pra cima buscar o resgate do monstruoso passivo que eles acumularam com o povo, com os “caixas” das estatais brasileiras e o erário público que dissiparam entre si.

Sonhos? Se não encontrar nessa, vá a outras padarias ate achar o seu.

Não podemos jamais esquecer que os sonhos, a motivação, o desejo de ser livre nos ajudam a superar esses monstros, vencê-los e utilizá-los em seguida como servos da nossa inteligência. Não devemos ter medo da dor; devemos sim, ter medo de não enfrentá-la, não criticá-la, não usá-la. Necessitamos expurgar do Brasil os parasitas, flagelos de Allah e, par e passo, desinfetar as profundas feridas causadas por esses oligarcas. Nada supera o incisivo efeito terapêutico de um voto bem aplicado!  E ainda podemos escolher a via que desejamos infundir esse remédio definitivo: intramuscular; intravenoso; por enema, supositórios…

Mohammad Jamal é literato e articulista do Blog do Gusmão.

Sinebahia Itabuna oferece 37 vagas nessa segunda-feira

Há três vagas para açougueiros.

Confira abaixo as oportunidades de emprego do Sinebahia Itabuna. As vagas estarão disponíveis nessa sexta-feira, 10 de junho.

A agência funciona no Shopping Jequitibá. Não esqueça de levar o número do PIS, PASEP ou NIS, Carteira de Trabalho, RG, CPF, comprovante de residência e certificado de escolaridade.

Vagas exclusivas para Itabuna. 

AUXILIAR DE LIMPEZA (PCD)

Exclusivo Para Pessoas com Deficiência

Não exige escolaridade

Não exige experiência

02 VAGAS 

CABELEIREIRO ESCOVISTA

Ensino Fundamental Completo

Experiência mínima de 6 meses na função

01 VAGA

TÉCNICO EM REFRIGERAÇÃO

Ensino Fundamental Completo

Experiência mínima de 6 meses na função

Possuir curso de refrigeração

Possuir CNH ‘AB’

01 VAGA

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Quero ver Irene rir, quero ver Irene dar sua risada

“O que temos agora, aos nossos olhos, se trata de uma sociedade quem tem, com boa vontade, Castro Alves como pouco mais que um fetiche de personagem heroico, que pouco ou nada o lê, ignora a intenção do local de memória dedicado a ele, mas também…fixou popularmente Dona Irene, mulher negra e seu trabalho familiar com o acarajé, alçada ou não pela elite cacaueira àquele espaço, o referencia como sua praça (deveras democratizada ao longo dos anos como um espaço permitido a outros estratos sociais), e em que as pessoas se alimentam, até hoje, do seu legado de trabalho”.

Por Elisabeth Zorgetz.

Esta semana, as páginas locais de Ilhéus nas redes sociais publicaram um Projeto de Lei, nº 044 de 2019, de autoria do Vereador Nerival Nascimento, que dispõe sobre a alteração do nome da Praça Castro Alves para Praça da Irene. Não tenho conhecimento sobre a votação do projeto. Um rebuliço tomou as redes, incitados por consultas informais à comunidade, menções de repúdio e outras discordâncias. Lugar-comum, embora nada injusto, comentários sobre o estado de ócio dos vereadores da cidade, ocupados com “frivolidades” como nomes de praças e logradouros vieram aos montes. Outros sugeriram reformar a praça, localizada na Avenida Soares Lopes, ao invés de se preocupar com seu nome. Muitos ficaram consternados ao perceber que o nome verdadeiro da praça seja Castro Alves e não Irene, mesmo com a presença silenciosa do busto daquele. Alguns pediram eventos que salvassem, às pressas, a memória do poeta Castro Alves, uma vez evidente a ignorância da juventude. Esses comentários se aproximam de onde quero chegar agora, embora ainda não completamente. Se avizinhava a pergunta: e quem é Irene, senão a velha baiana do acarajé? Outros ousavam: fiel serviçal das elites ilheenses, negra da casa, inexpressiva historicamente, talvez pela cultura…Quando então a completa negação: Fica Castro Alves, Irene não. Foi aí que eu, alheia a qualquer tipo de pensamento sobre fixar Irene num papel, vendo de onde surgiam tais discursos, levantei as orelhas e ativei o faro, como um desgraçado cão ao cheiro da carne podre.

Ainda que nem desde sempre, somos uma nação que abraça prontamente o bem do passado e descarta o mal, e de forma explícita quando o assunto é memória e espaços. Com isso quero dizer que não tivemos o inverso anteriormente, mas que contemporaneamente a memória em todos os espaços, tangíveis e intangíveis, ainda não honra seus verdadeiros lutadores nacionais. Lembremos Le Goff: “O monumento tem como características o ligar-se ao poder de perpetuação, voluntária ou involuntária, das sociedades históricas (é um legado à memória coletiva)”. Os monumentos são importantes diante do seu papel na formação da memória histórica. Essa memória histórica consiste nas histórias que contamos sobre quem somos, de onde viemos e molda poderosamente as maneiras pelas quais concebemos nossas possibilidades e orientações políticas no presente e no futuro. Sendo assim, Castro Alves, como poucas figuras que ocupam bustos, estátuas e dão nome aos espaços públicos urbanos brasileiros, nos honra como baiano abolicionista, ferrenho intelectual antiescravista, artista primoroso, de reconhecimento internacional. Sua presença pétrea é quase um alívio, diante de tantos canalhas que ocupam tais espaços nas cidades deste país.

Castro Alves, jovem estudante de direito republicano, escreve, aos 17 anos, o poema O Povo ao Poder, cuja conhecida estrofe remete, coincidentemente, às praças. “A praça! A praça é do povo/ Como o céu é do condor/ É o antro onde a liberdade/ Cria águias em seu calor!/ Senhor!… pois quereis a praça?/ Desgraçada a populaça/ Só tem a rua seu…/Ninguém vos rouba os castelos/ Tendes palácios tão belos/ Deixai a terra ao Anteu”. Apesar da aparente tez morena, Alves era filho de um português e uma cigana espanhola, sua brasilidade se constrói no cotidiano, ao lado de figuras como Tobias Barreto e Rui Barbosa, cercados, como os jovens de boa condição em sua época, de pajens, escravos de família, etc. Homem de sua época, Alves foi uma voz artística/militante sensível e expressiva contra as penúrias da escravidão. Morre muito jovem, num tempo em que a brevidade da existência de um homem branco, jurista, boêmio e artista engajado e de qualidade bastavam para inscrever sua eternidade na história.

Agora pensemos o Brasil antes e depois dos vinte anos de Alves. Todo o continente americano, na verdade, foi um exemplo clássico de países com leis raciais complexas, duras e violentas (os nazistas, por exemplo, fizeram várias referências aos modelos e precedentes americanos no processo de elaboração das Leis de Nuremberg e suas aplicações anti-semitas, contra judeus, e outras parcelas da população na Europa). A dimensão torpe do racismo americano foi potencialmente e efetivamente semelhante ao emblemático horror racial que emerge na Alemanha de 30, voltada para outro tipo de vítima. Suas implicâncias, no Brasil, se traduzem no racismo estrutural sobre as relações de trabalho, condição econômica, segregação socioespacial das famílias negras, baixa escolaridade e difícil acesso ao ensino superior, violências e extermínios agudizados sobre a juventude negra, alto volume penitenciário, e muitos etc.

Embora os espaços educacionais e de produção de conhecimento ainda não tenham tido as oportunidades e estímulos necessários para discutir a questão racial no Brasil, todos, gostemos ou não, conhecemos o tema, em níveis distintos de apreensão. Quando o foco se volta para a questão do reparo, para a ação da sociedade no presente à luz do que agora entendem sobre seu passado, o consenso é quase impossível e o distanciamento do problema é abissal. Algumas formas de reparação em torno da memória (que contribuem ativamente à história pública e provocam estímulos coletivos e subjetivos às populações alvos da discriminação na sociedade, como autoestima, consciência de si como classe, reconhecimento da ancestralidade, cultura, protagonismos, prejuízos geracionais, etc.) se provaram relativamente aceitas, como centros de pesquisa, memoriais e marcadores históricos relacionados à escravidão, pedidos de desculpas institucionais formais, cotas sociais e raciais em universidades e concursos, etc.., embora não em todo lugar.

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