Sai de baixo. Lá vem o Brasil descendo a ladeira…

“Lembram a Petrobrás? Até dia desses quebrada e falida ao extremo, vítima dos saques, assaltos e furtos qualificados praticados por quadrilhas políticas muito bem organizadas! Pois é, ela está novinha em folha e riquíssima novamente, até já distribuindo dividendos aos seus acionistas! Nada como uma boa política de preços, pra eles claro, para ressuscitar a saúde financeira de grandes conglomerados estatais. Gasolina, óleo diesel, gás de cozinha, naftas e solventes vendidos quase de graça aos consumidores brasileiros né. Pena que a fronteira com a Venezuela fica um pouco longe senão iríamos abastecer nossas carroças automotivas por lá”.

Por Mohammad Jamal.

Sócrates bebeu cicuta, e você, vai tomar uma? Aqueles que se dão ao trabalho de ler as bobagens existenciais que escrevo por aqui sabem. Não gosto de escrever sobre política porque o assunto nos deixa com um ranço apodrecido muito ruim na boca envenena nossos humores e contamina nossos líquidos corporais com radicais tóxicos, um veneno lento e mortal.

Com vaselina e cunilíngua é mais caro. Falar sobre política fazia-me sentir igual àquelas prostitutas de antigamente, quando pelas manhãs iam se banhar e lavar ‘as partes’ do labor e da faina de ontem à noite nas águas mornas e cristalinas do Rio Cachoeira, que outrora sobrevivia belo e balneável quando por aqui cheguei ainda criança, a umas dezenas de anos passados. No wash up das manhãs diga-se, o único do dia, elas, as prostitutas, queixavam-se umas às outras sobre os calotes e “penduras” aplicados na noite anterior por fudeões expertos e matreiros cuja cor do نقود ‘naqud’ (dinheiro) não veria nunca mais. Era no ritual coletivo do banho matinal, enquanto desembaraçavam e penteavam-se umas às outras, catando um piolho aqui, um chato ali, esmagados sem dó nem piedade entre as unhas dos polegares, num “ploft” mortal, quase um revide sobre o simulacro corporificado do algoz caloteiro, enquanto faziam seu muro das lamentações inserindo não os bilhetinhos com queixas e rogos nas frestas de pedras, mas os seus cânticos fúnebres lamentosos aos ouvidos das colegas de tão infortunada profissão! – Ufa, que parágrafo longo não! – Isso porque nada, absolutamente nada, nem a Lava Jato, poderia repatriar de volta às suas bolsas empobrecidas a paga pelos serviços, a assistência sexual performática que forneceu profissional e dedicadamente ao sedento visitante. Tal como acontece com os calotes políticos, claro, data vênia, ressalvadas e resguardadas devidamente as imagens e conceito públicos dessas probas profissionais do sexo a quem não cabe censura alguma à sua honestidade e princípios.

As míticas personagens do Sermão do Bom Ladrão – Os Sermões (padre Antônio Vieira) Mas nossos políticos? Me acudam (sic) aí porque eu estou aqui pra acudir vocês! A eles, os políticos, essas enguias viscosas, ninguém pega, ninguém tasca, ninguém dá calote. Raríssimos caíram porque afoitos demais, exageraram na quantidade e volume do saque e pilhagem muito evidentes na bagagem. Raros foram temporariamente parar atrás das grades aguardarem impacientes à iminente transferência para o conforto do semiaberto nas suas mansões e coberturas tríplex, que ninguém é menino.

“Só se deverá acreditar num Deus que ordene aos homens a justiça e a igualdade” (George Sand). A vista cansada, a rigidez muscular reumática talvez, padecentes na fase crônica na chikungúnya, os braços curtos e as pernas trôpegas claudicantes da nossa justiça amparada por num cajado frágil, um código processual conspícuo não obstante desvirtuado e enxertado por medidas de exceções, vacinas, ressalvas e privilégios para legisladores eleitos pelo povo, permitem que títulos de indulgências e salvaguardas transformem políticos em senhores do universo, deuses no Olimpo nos céus do país de São Saruê. “Eu tenho a força” (He-Man) e o poder… E ai de quem mexer comigo! E lá se vão eles, escada acima, enriquecendo prematura e vorazmente a cada dia de mandato, e o Brasil, segue cabisbaixo, e vencido, desce a ladeira; todo fodido, pobre, arregaçado tal e qual seus indesejados inquilinos, o povo, o trabalhador, o aposentado, o produtor, os tais que insistem em estrilar e reclamar entre muxoxos e resmungos silenciosos contra o gigantismo das aberrações praticadas por nossos representantes no executivo e legislativo contra os contribuintes; os mesmos miseráveis contumazes pagadores de impostos, extraídos na tora dos salários e aposentadorias e embutidos em tudo que consumimos, até as exéquias e urnas funerárias estão tributados.

A rainha estuprada refez seu hímen cirurgicamente! Agora está pronta pra servir a outra orgia monetária.   Lembram a Petrobrás? Até dia desses quebrada e falida ao extremo, vítima dos saques, assaltos e furtos qualificados praticados por quadrilhas políticas muito bem organizadas! Pois é, ela está novinha em folha e riquíssima novamente, até já distribuindo dividendos aos seus acionistas! Nada como uma boa política de preços, pra eles claro, para ressuscitar a saúde financeira de grandes conglomerados estatais. Gasolina, óleo diesel, gás de cozinha, naftas e solventes vendidos quase de graça aos consumidores brasileiros né. Pena que a fronteira com a Venezuela fica um pouco longe senão iríamos abastecer nossas carroças automotivas por lá.

Vai uma circuncisão aí? O país de São Saruê mais transparece um centro cirúrgico de um grande hospital lá de Boston ou Nova York fazendo operações cirúrgicas ininterruptas 24 horas por dia, dada à quantidade de operações desencadeadas pelas polícias e Lava Jato na terra pátria do São Saruê afora! Se continuar essa demanda reprimida, breve ate a guarda municipal estará cumprindo mandados judiciais contra políticos e assessores. Operação Pega Pinto; Operação Pega Ratos de esgoto, de telhado e calungas, Operação Flagelo de Allah, ou Pega gafanhotos e saltões, etc. Vai ficando cada dia mais difícil dar nomenclaturas a tantas operações. E é um tal de prende, revoga; prende, revoga; que me faz relembrar os “gases presas” do velho Dr. Ananias, que dizia de mãos postas enquanto revogava gases contidos: “Eu prendo, prendo sim, mas tem horas que não dá pra segurar”. Eram milhares de flatos que Dr. Ananias soltava diuturna e incontrolavelmente. Ele peidou durante toda sua longa estada entre nós. Morreu semana passada, peidando como viveu, deixando no ar sua indelével lembrança sulfídrico-olorosa.

Chupa essa. É de fumo de rolo! Agora ficamos aqui aturdidos como cegos em tiroteios, entre balas perdidas e achadas. O país de São Saruê foi sequestrado pelas inúmeras agremiações, partidos e “organizações” políticas. Aliás, não só o continente de São Saruê, mas sequestraram inclusive todo o seu imenso contingente populacional e apossaram-se dos nossos títulos eleitorais! E agora, valha-nos São Longuinho! Logo agora, ano de 2020 em que Ali Baba e seus quarenta assessores vem concorrer às eleições! Estão vendo porque não gosto de falar sobre política? Dá nisso, em nada. Psiu… Não olha para trás agora; mas tem um político aí colado na sua traseira! “E nóis, oh síssifu”.

Mohammad Jamal é literato e articulista do Blog do Gusmão.



Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *