Caminhando contra o vento…

“Caminhar contra o vento significa dizer não quando querem simplesmente que a gente “siga o fluxo”, significa quebrar paradigmas, é acreditar em rupturas. É rebelar-se quando dizem para você se acomodar. É falar a verdade, mesmo que incômoda, quando todos querem que você se cale. E mesmo que às vezes doa em você também. Afinal de contas, o primeiro vento contrário a ser vencido é você mesmo, em suas acomodações e vacilações. E antes de tudo, é preciso tomar a decisão do primeiro passo, pois só se chega ao destino caminhando. É preciso também caminhar junto de quem quer chegar junto, pois sozinho não dá pra chegar a lugar algum.”

Por Guilhardes Jr.

Tem coisas para as quais a gente precisa de muita coragem. Nesse item, cada um sabe de si, de sua capacidade, de seu contexto, de sua possibilidade de juntar forças e ir em frente. Nem sempre as condições parecem ser favoráveis, e nem sempre dá pra ir na mesma direção que os outros vão ou querem que você vá. Num ser humano que tem responsabilidade e compromisso as vacilações sempre existirão. Aprendi a desconfiar de quem não tem medo de nada ou tem certezas absolutas. Desconfio também de quem em todo o tempo simplesmente segue o que parece ser a opinião da maioria, sem ao menos pensar em consequências do que é falado ou praticado.

Certo é que vivemos em tempos de grandes indefinições. As coisas vão se tornando cada vez mais complexas, e nem sempre dá pra ter certeza nem mesmo da continuidade da vida até o final do dia. Mas creio que sempre dá pra continuar mantendo o curso firme, mesmo quando os ventos são (ou parecem ser) contrários. E sempre dá pra crescer e se desenvolver indo na direção contrária dos ventos.

Exemplo disso é o avião. A aeronave só decola contra o vento! É justamente a força contrária do vento que cria as condições necessárias para que um avião levante voo. No mundo dos negócios, há muitos exemplos de empresas que cresceram absurdamente em tempos de crise, e outras que foram simplesmente à bancarrota justamente quando tudo parecia estar indo muito bem. Somente para relembrar, é justamente nos momentos considerados difíceis que somos obrigados a nos esforçar, correr riscos, usar a criatividade e buscar inovar no pensamento e nos processos, buscando maior eficácia e efetividade em tudo o que fazemos. Quando “tudo vai bem” a gente tende a se acomodar e deixar que as coisas andem no seu próprio compasso, sem nos atentar de que o “vai bem” pode nos levar pro atoleiro.

Caminhar contra o vento significa dizer não quando querem simplesmente que a gente “siga o fluxo”, significa quebrar paradigmas, é acreditar em rupturas. É rebelar-se quando dizem para você se acomodar. É falar a verdade, mesmo que incômoda, quando todos querem que você se cale. E mesmo que às vezes doa em você também. Afinal de contas, o primeiro vento contrário a ser vencido é você mesmo, em suas acomodações e vacilações. E antes de tudo, é preciso tomar a decisão do primeiro passo, pois só se chega ao destino caminhando. É preciso também caminhar junto de quem quer chegar junto, pois sozinho não dá pra chegar a lugar algum.

Nem sempre dá também pra ir com tudo certinho, com um GPS bem calibrado, ou com bases bem sólidas. É preciso ter coragem e flexibilidade para aguentar as intempéries que virão. Às vezes é preciso somente cara e coragem, nada no bolso ou nas mãos, mas é preciso seguir vivendo, e caminhando, e juntando, e chegando. Por quê não?

Guilhardes Jr. é advogado e professor da Universidade Estadual de Santa Cruz (UESC).



2 responses to “Caminhando contra o vento…

  1. Fico positivamente surpreso com o novo modo de “pensar e agir” do Guilhardes.

    Só que tenho motivos para guardar imensas desconfianças dessa “grande reviravolta”.

    É que não faz muito tempo, quando os estudantes ocuparam a Uesc lutando contra a MP do congelamento de gastos do (des)governo Temer, eu o vi por algumas vezes passando ao largo da ocupação. Numa delas, levado pelas lembranças do período em que éramos estudantes lutando pela estadualização da mesma Uesc, me aproximei e pedi para que o professor Guilhardes se fizesse um tanto mais presente, para apoiar aquelas manifestações dos estudantes.

    Eu sabia – e continuo acreditando nesta memória – do quanto era/é importante para um estudante a aproximação de um professor em instantes iguais àqueles, pois havíamos vivido aquelas experiências anos atrás.

    Recordo-me com tristeza da resposta obtida.

    Não sei se o professor ou se o diretor Guilhardes – mas é certo que um deles – me respondeu que não participaria, que já não tinha mais nenhum ímpeto, desejo ou necessidade de tal ou qual participação, pois o que ele tinha a contribuir já o tinha feito.

    Disse isso, como se dissesse que “restava-lhe agora cuidar de si mesmo!”

    Para não ser leviano afirmo que deste breve e triste encontro nada ficou registrado, a não ser o sentimento de que naquele instante havíamos perdido um defensor das causas populares.

    Sei que este comentário não levará a nada – ou talvez nem seja publicado. Mas preciso fazê-lo para que todos percebam quantas mudanças importantes ocorreram no espírito anímico do Guilhardes, exatamente agora que se aproximam as eleições para a Reitoria da Uesc.

    Como dito, fico surpreso, mas decididamente desconfiado!

  2. Este é o Guilhardes que conheço, o mesmo de sempre, do movimento estudantil, da militância partidária, da sala de aula como aluno e professor, da coordenação na e da direção do Curso de Direito.
    Não me causa qualquer estranhamento, pois ele sempre esteve do lado em que está.
    Propositivo, estudioso, decidido, solidário, amigo, esse é o ser humano, sempre sorridente e preparado para todos os desafios.
    Parabéns Guilhardes, tenho certeza que te verei reitor!

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