O Porto Sul e o ambientalismo de ocasião do PT

O PT se levanta contra a devastação da Floresta Amazônica incentivada pelo governo Bolsonaro, mas foram os governos petistas que abriram caminho para a usina de Belo Monte, empreendimento que rendeu um puxão de orelha no Brasil no âmbito da Corte Interamericana de Direitos Humanos, aquela que poderá ser acionada pela defesa do ex-presidente Lula, caso se esgotem os recursos contra o processo de exceção que o impediu de voltar à Presidência da República.

Por Thiago Dias.

Há quem diga que o posicionamento contra o Porto Sul deriva de interesses escusos patrocinados por agentes contrários ao desenvolvimento de Ilhéus. Portanto, é necessário fazer um esforço de comunicação para explicar por que esse empreendimento não cabe na Mata Atlântica do Sul da Bahia.

A explicação parte do entendimento de que esse projeto não tem nada a ver com as vocações naturais do território. Os modos de ser que habitam esta terra, caso o porto saia do papel, serão feridos de morte, para que minério de ferro seja levado para o outro lado do mundo, durante trinta anos. E depois? O que sobrará depois?

Há alternativas estratégicas para o desenvolvimento regional, como o incentivo à agricultura familiar, à pesca não predatória e ao turismo de baixo impacto. Esses são apenas três exemplos óbvios, e existem pessoas mais preparadas para desenvolver essa argumentação do que este mero escriba.

Agora, contento-me em apontar a contradição no discurso desenvolvimentista do Partido dos Trabalhadores.

O PT se levanta contra a devastação da Floresta Amazônica incentivada pelo governo Bolsonaro, mas foram os governos petistas que abriram caminho para a usina de Belo Monte, empreendimento que rendeu um puxão de orelha no Brasil no âmbito da Corte Interamericana de Direitos Humanos, aquela que poderá ser acionada pela defesa do ex-presidente Lula, caso se esgotem os recursos contra o processo de exceção que o impediu de voltar à Presidência da República.

“Falo com tranquilidade” (Da VAN, Julinho), porque votei no PT nas últimas quatro eleições presidenciais. Por fim, lembro da luta do povo tupinambá pela demarcação da sua terra – não parece, mas esses são debates intimamente ligados, pois dizem respeito ao envio de destino que daremos ao território sulbaiano. Afinal, “pra que lado vai o Colosso do Sul?” (Mundo Livre S/A).

“Não existe guerra alguma, apesar de todo esse barulho infernal. É só o capital cruzando o mar, e hoje ele voa mais rápido e certeiro do que qualquer míssil. E, quando retorna da missão, tudo o que deixa é terra arrasada” (Mundo Livre S/A).

Thiago Dias é comunicólogo e estagiário do escritório Carvalho & Padilha Advocacia. Foi repórter do Blog do Gusmão entre 2013 e 2018.



2 responses to “O Porto Sul e o ambientalismo de ocasião do PT

  1. “O PT se levanta contra a devastação da Floresta Amazônica incentivada pelo governo Bolsonaro, mas foram os governos petistas que abriram caminho para a usina de Belo Monte, empreendimento que rendeu um puxão de orelha no Brasil no âmbito da Corte Interamericana de Direitos Humanos, aquela que poderá ser acionada pela defesa do ex-presidente Lula, caso se esgotem os recursos contra o processo de exceção que o impediu de voltar à Presidência da República.”
    Comentário desnecessário associado um alerta ambiental para um julgamento de exceção!
    Em resposta algumas colocações:
    “Há quem diga que o posicionamento contra o Porto Sul deriva de interesses escusos patrocinados por agentes contrários ao desenvolvimento de Ilhéus.”
    Escusos seria uma palavra muito forte, mas diria egocêntrica, afinal são pessoas que a exemplo de empresários que vivem em outras regiões do Brasil e escolheu a região como seu refúgio de férias e não quer ser incomodados com uma possível movimentação de desenvolvimento.
    { Explicar por que esse empreendimento não cabe na Mata Atlântica do Sul da Bahia?.}
    R: Esse projeto não tem nada a ver com as vocações naturais do território.
    Quem faz as criticas tem que ter embasamento para saber apontar as alternativas concretas. Simplesmente teorizar sobre um tema de vocação Natura do território e muito vago mesmo porque historicamente os temas vocacionais abrangem as questões culturais das várias raças que ocuparam a região a começar pelos indígenas que foram expulsos dos seus espaços; a identificação das aptidões do povo a exemplo natural como pescadores, artesões e extrativistas. O cacau e a seringa foram introduções na mata atlântica da Bahia que se moldaram e passaram a fazer parte desse universo.
    “Há alternativas estratégicas para o desenvolvimento regional, como o incentivo à agricultura familiar, à pesca não predatória e ao turismo de baixo impacto. “
    “ Os três exemplo sugeridos pelo nobre jornalista são validos: agricultura familiar, a pesca e o turismo de baixo impacto. Não como elementos de desenvolvimento econômico de uma região, mas como complementos. Nenhum território seria capaz de manter se apenas sob esses aspectos.
    “Agora, contento-me em apontar a contradição no discurso desenvolvimentista do Partido dos Trabalhadores.”
    Sua nota tem mais cunho politico partidário do que sugestões, uma oportunidade de alfinetar o PT e se juntar ao grupo de dor de cotovelos.
    “O PT se levanta contra a devastação da Floresta Amazônica incentivada pelo governo Bolsonaro, mas foram os governos petistas que abriram caminho para a usina de Belo Monte”…
    Veja o Histórico de Belo Monte no qual você se refere ao PT:
    Cronologia: Fonte https://pt.wikipedia.org/wiki/Usina_Hidrel%C3%A9trica_de_Belo_Monte
    • 1975: iniciados os Estudos de Inventário Hidrelétrico da Bacia Hidrográfica do Rio Xingu[14]
    • 1980: a Eletronorte começa a fazer estudos de viabilidade técnica e econômica do chamado Complexo Hidrelétrico de Altamira, formado pelas usinas de Babaquara e Kararaô.[14]
    • 1989: durante o 1º Encontro dos Povos Indígenas do Xingu, realizado em fevereiro em Altamira (PA), a índia Tuíra, em sinal de protesto, levanta-se da plateia e encosta a lâmina de seu facão no rosto do presidente da Eletronorte, José Antônio Muniz, que fala sobre a construção da usina Kararaô (atual Belo Monte). A cena é reproduzida em jornais e torna-se histórica. O encontro teve a presença do cantor Sting. O nome Kararaô foi alterado para Belo Monte em sinal de respeito aos índios.[14]
    • 1994: O projeto é remodelado para tentar agradar ambientalistas e investidores. Uma das mudanças preserva a Área de Proteção Indígena Paquiçamba de inundação.[14]
    • 2001: divulgado um plano de emergência de US$ 30 bilhões para elevar a oferta de energia no país, o que inclui a construção de quinze usinas hidrelétricas, entre elas, Belo Monte. A Justiça Federal determina a suspensão dos Estudos de Impacto Ambiental (EIA) da usina.[14]
    • 2002: contratada uma consultoria para definir a forma de venda do projeto de Belo Monte.[14] O presidente Fernando Henrique Cardoso critica ambientalistas e diz que a oposição à construção de usinas hidrelétricas atrapalha o País. O candidato à presidência Luiz Inácio Lula da Silva lança um documento intitulado O Lugar da Amazônia no Desenvolvimento do Brasil, que cita Belo Monte e diz que “a matriz energética brasileira, que se apoia basicamente na hidroeletricidade, com megaobras de represamento de rios, tem afetado a Bacia Amazônica”.[14]

    O colosso do Sul baiano vai para o lado que seus habitantes desejam e necessitam. Não é uma obra ficcionista que deve ser dado como exemplo do rumo desenvolvimentista de uma região carente de empregos para jovens
    Ed Ferreira

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