Programa da Faculdade Madre Thaís identifica e orienta portadores de hanseníase

A professora Gracielle Santos criou o Programa de Orientação e Reabilitação de Incapacidades em Hânsenicos (PROREABIH)

Entre os projetos de extensão da Faculdade Madre Thaís (FMT-Ilhéus), destaca-se o Programa de Orientação e Reabilitação de Incapacidades em Hânsenicos (PROREABIH). O programa foi criado, pela professora Gracielle de Jesus Santos do curso de Fisioterapia da Faculdade, devido a incidência de casos de hanseníase em Ilhéus ser expressiva, principalmente no Salobrinho, que é considerado zona endêmica.

O PROREABIH se expandiu a partir de parceria com as Secretarias Municipais de Saúde, Educação, Fundação Sesp, recentemente com a Secretaria de Desenvolvimento Social, que inclui o programa nos mutirões de Saúde oferecidos pela Prefeitura.

A Hanseníase consiste em uma doença infectocontagiosa, causada pela bactéria micobacterium leprae, daí se popularizou o nome lepra. A bactéria tem um alto poder de infecção e uma baixa patogenicidade, além de possuir afinidade por pele e nervos, logo, é uma doença dermatoneurológica.

De acordo com a professora Gracielle Santos, Fisioterapeuta especialista em Neurofuncional e coordenadora do PROREABIH, “os sinais e sintomas da doença são Manchas hipocrômicas, ou seja, pouco pigmentadas, com alteração de sensibilidade tátil, térmica e ou dolorosa. Quando a doença está mais avançada pode ser acompanhada de fraqueza muscular, com sinais de neuropatia, parestesia, edema, entre outros. Esses sinais podem aparecer no rosto, nos membros superiores e inferiores.

A doença não é transmitida através do contato com doentes em tratamento e o contato físico direto com a mancha. Portanto, não é necessário o isolamento do portador. A hanseníase é transmitida através do contato intimo prolongado com o doente que não esteja fazendo tratamento, através de gotículas de saliva (vias aéreas superiores). Lembrando que os indivíduos mais susceptíveis a doença, são aquelas que não foram imunizados coma vacina BCG, e os que não têm acesso a saneamento básico. A doença gera incapacidades físicas a depender dos nervos acometidos, mas na face pode gerar diminuição da visão, lagoftalmo, triquíase, ressecamento da córnea, nos membros superiores, mãos em garra, mãos caídas, pés em garra, pés caídos, entre outros.

Com relação ao tratamento medicamentoso e feito com a Poliquimioterapia, medicamentos antibióticos e anti-inflamatórios, que geralmente dura de seis meses a um ano e meio, dependo da evolução da doença e do tipo de hanseníase. “O tipo menos grave é o Paucibacilar (as formas Tuberculóide e Indeterminada) e a mais grave é a Multibacilar (Vichorviana e Dimorfa). O Diagnóstico precoce é primordial para evitar a formação de incapacidades físicas e de deformidades, assim como o tratamento fisioterapêutico. Diante disso, eu como fisioterapeuta especialista em fisioterapia neurofuncional e docente da FMT-Ilhéus criei o PROREABIH. A Fundação Sesp conta com uma equipe multiprofissional, é a Referência para o tratamento de Hansen no município e acolhe também regiões circunvizinhas. O Tratamento medicamentoso é inteiramente oferecido pelo SUS”, informa.

O PROREABIH tem atuado nos mutirões de saúde do município além das escolas municipais, através de educação em saúde, palestras educativas e buscas ativas de manchas visando contribuir para o diagnóstico precoce, para prevenir e ou atenuar incapacidades em hansênicos e dessa forma melhorar suas capacidades funcionais além do encaminhamento dos pacientes ao Sesp, referência no Município de Ilhéus.

Esse programa é complementar ao centro de referência de Hansen, da Fundação Sesp, desafogando a rede, uma vez que atua em parceria também com os postos de saúde. Além de fomentar e produzir pesquisas científicas sobre hanseníase pelos discentes da FMT-Ilhéus envolvidos no projeto sob a orientação da professora Gracielle.

O PROREABIH já gerou diversos artigos científicos que foram apresentados em seminários do Conselho Regional de Fisioterapia, Crefito, além de fomentar iniciação científica e trabalho de conclusão de curso dentro da FMT-Ilhéus. Teve artigo aprovado para ser apresentado no Congresso Nacional do Rondon, nesta semana na Uesc. “Nós da FMT entendemos que todos são multiplicadores de conhecimento, e com essas ações estamos difundindo conhecimento sobre a doença, contribuindo tanto para o diagnóstico e tratamento precoces, quanto para desmistificar estigmas e limar o preconceito”, frisa a professora e fisioterapeuta.

A Faculdade Madre Thais se mostra consciente do seu papel na sociedade e cada dia inova seja através dos seus projetos de extensão que já fomentam a iniciação científica e são voltadas para a comunidade. Como também através da ampliação dos cursos oferecidos tanto na Graduação quanto na Pós graduação.

Gracielle acrescenta que “na Pós-graduação tem trazido cursos diferenciais na região, tais como: Fisioterapia Neurofuncional Adulto e Infantil e Traumato Ortopedia, além de Saúde Coletiva, Saúde do Trabalhador e muitos outros. Sou coordenara da Pós Graduação em Fisioterapia Neurofuncional a qual terá início agora, no último final de semana de setembro e que é um diferencial para o município de Ilhéus, conta com profissionais referências na AACD, no Hospital Albert Einstein, na UFBA, dentre outros. E abordara as principais técnicas da fisioterapia neurofuncional. Quero convidar os colegas fisioterapeutas a se matricularem, pois essa será uma oportunidade de qualificação profissional tanto na área infantil, quanto adulto, um diferencial notório para o mercado de trabalho”, conclui.



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