Os estudantes vão à luta!

Nos dias 02 e 03 de outubro os estudantes, por meio de suas entidades representativas tais como a UNE – União Nacional dos Estudantes e a UBES – Associação Brasileira dos Estudantes Secundaristas, com o apoio dos sindicatos e setores afins, irão paralisar as escolas públicas em todo o Brasil.

A manifestação tem o objetivo de lutar contra políticas que estão sendo implantadas no âmbito da educação, tais como o projeto “escola sem partido”, a militarização das escolas, o ataque à liberdade de cátedra dos professores, a retirada de verbas das universidades e dos subsídios aos programas de pesquisa e também contra os ataques à autonomia da gestão universitária.

Na Bahia, a paralisação também servirá como uma mensagem de advertência ao Governador Rui Costa, que recentemente cogitou estabelecer a privatização da gestão e do serviço de todos os trabalhadores, inclusive professores, nas escolas públicas estaduais, por meio de uma portaria publicada no Diário Oficial que abre a possibilidade de entidades do tipo Organização Social para gerir escolas públicas estaduais situadas em Salvador, Alagoinhas, Ilhéus e Itabuna. Seria uma espécie de terceirização ou privatização da gestão escolar, a ser feita em moldes parecidos com aqueles defendidos pelo Governo Federal no programa Future-se, junto às universidades federais.

Não se diga, pois, que se trata de uma iniciativa dos estudantes somente contra as políticas do Governo Bolsonaro, já que as mesmas diretrizes, quando adotadas pelo Governo do petista Rui Costa, merecem o mesmo veemente repúdio por parte de estudantes e de órgãos representativos dos trabalhadores em Educação e setores afins.

Na verdade, em tempos de salve-se quem puder, como estes em que hoje vivemos, os estudantes tentam salvaguardar um mínimo de direitos que lhes possibilite lutar por um futuro melhor, utilizando a ferramenta que melhor se presta a tal fim, que é uma educação de qualidade, para obter, no futuro, uma colocação digna no mundo do trabalho.

Quanto aos trabalhadores em Educação, mais do que uma opção, surge a necessidade de apoiar as lutas por direitos na área da Educação, onde também se situam as garantias e conquistas obtidas pela categoria dos docentes durante anos a fio, agora ameaçadas diante das políticas restritivas que vários governos tentam impor aos professores e demais trabalhadores deste setor.

O tempo de luta é agora, e cada direito que se conseguir manter, cada retrocesso que se conseguir evitar, deverá ser a chave para manter viva a chance de um futuro melhor, por meio do ensino público, gratuito e de qualidade de que os brasileiros não podem abrir mão.

Julio Cezar de Oliveira Gomes é graduado em História e em Direito pela UESC – Universidade Estadual de Santa Cruz.



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