Caneta Azul, funk, o Rap, as bundas cantantes, apedrejá-las por quê?

É nóis, amanhã”. Temos ouvido muita coisa que insistem teimosamente afirmar ser música da melhor qualidade. Muito surpreso, nos depararmos com os mais bizarros e poucos sutis textos musicados liderando as “paradas de sucessos” nacionais, fenômeno que também ocorre lá nas terras do tio Sam. Imagina! E para não transparecer fantasioso, vou citar alguns títulos, sem as devidas letras e “partituras”, evidentemente censuradas protegendo o recato e bom senso deste Blog: Desce daí seu corno e Eu levei foi gaia (Nenho); Fuleragem (MC WM); Caneta Azul (Manoel Gomes); Tum Tum Tum e, Papum (Kevinho); Joga Bunda (Aretuza Lovi); Zé Droguinha (Matheus Yurley); Popão Grandão (MC Neguinho do ITR); Vá Lavar o Toba e, pra finalizar, Posso te empurrar?* (MC Arraia).

Por: Mohammad Jamal

Todas essas celebridades musicais contam com centenas de milhares de execuções por dia e milhões de Reais arrecadados em Direitos Autorais, uma nina de diamantes! Fica uma questão. Esses “compositores”, cantores e suas temáticas místicas são prova inconteste da mediocrização cultural porque passa o Brasil ou somos nós, elitistas assustados com os temas bizarros e, além de invejosos, um bando de incompetentes incapazes de enriquecer vendendo cágados na Sibéria? Tenho cá minhas dúvidas.

Com Caneta Azul. Refletindo pedagogicamente sobre assunto tão premente, baladas, pancadões, paradas na noite, a evolução sociocultural de uma geração, etc. não encontro na gradiente evolutiva dos povos ditos culturalmente atrasados tampouco, dos muito atrasados, lapsos pontuais para sustentar uma análise sociológica no mínimo inteligível, porque racional, impossível. Aí lá me vou atrás de sustentação analógica naquele que é considerado o pai da química moderna, o francês, Antoine Laurent Lavoisier. Ele pesava as substâncias participantes dos seus experimentos, antes e depois das reações. E verificou ao final que a massa total do sistema permanecia inalterada quando a reação ocorria num sistema fechado, ou seja, num sistema fechado a massa total permanece constante, dando origem à famosa frase: “Na Natureza nada se cria e nada se perde tudo se transforma”. E que somos nós senão um emaranhado de células complexas conexas num ser pensante que reage às diversas a combinações étnosociológicas e sócio comportamentais segundo a incidente etiológica cultural predominante. A música também possui seus sábios “influencers”, ou não.

Meu nível de ironia depende do grau do absurdo que ouço. Nada há de fisiologismo nisso, porque não estamos tratando aqui de simples impulso nervoso, conceituado como uma onda de despolarização e repolarização longe de qualquer semelhante cultural, que percorre a membrana do neurônio, levando sinais produzidos por estímulos externos ou internos até o SNC. Refiro-me sim, às suas evidentes condicionantes indutoras externas atuando incisivamente sobre o consciente coletivo. Nesse caso, a supressão das sementes da cultura que induz à incivilidade, precipita a instintividade e, obviamente, obstrui ou mesmo apaga e “instintiviza” o intelecto, retendo-o aprisionado no espaço concêntrico da banalização artística todo o seu processo criativo. Música, letra, razão e sentido. Que sentido?

Sem a cultura, e a liberdade relativa que ela pressupõe, a sociedade, por mais perfeita que seja, não passa de uma selva. (A. Camus) De novo, recorro a exemplar Terceira Lei de Newton – não ao Newton, ex-prefeito mal fadado aqui na capitania de São Jorge dos Ilhéus, doada outrora ao absenteísta Jorge de Figueiredo Correia, irra – Refiro-me ao Isaac Newton, que foi um astrônomo, alquimista, filósofo, naturalista, teólogo e cientista inglês, mais reconhecido como físico e matemático. Fomos busca na Terceira Lei de Newton, aquela que descreve o resultado da interação entre duas forças. Ela pode ser enunciada da seguinte maneira: Para toda ação (força) sobre um objeto, em resposta à interação com outro objeto, existirá uma reação (força) de mesmo valor e direção, mas com sentido oposto. Aqui eu coloco em confronto a reação de dois elementos abstratos importantes: um, o Estado omisso, que negligenciou o ensino, talvez induzindo a alienação cultural por interesses políticos e projetos de poder, fazendo-o cair à péssima qualidade, e o outro, aos mestres professores, percebendo remuneração miserável se comparada àquelas que são pagas aos mestres por países com IDH e PIB muito abaixo dos nossos índices; ou seja, a cultura e incultura contrapõem-se num vale tudo nitidamente tendencioso ao segundo, com largo apoio estatal. O cidadão inculto e iletrado é manipulável e fácil de curralizar como o gado na invernada; porque ele não pensa e, vota sob o apelo e condução da fantasiosa verve midiática dos políticos. Estou eleito! Danem-se.

 Uma Lei Intestinal: Ora a sociopolítica interage sobre as populações segundo a aplicação de políticas públicas essenciais e imprescindíveis: educação, saúde, mobilidade, política habitacional, segurança pública, acesso à Justiça, geração de empregos, manutenção da ordem pública, a observância e respeito aos direitos constitucionais do cidadão, fomento às artes e a cultura, etc., mas não com essa inútil Lei Rouanet, (Lei nº 8.313/91). Lei que institui o Programa Nacional de Apoio à Cultura – PRONAC, cuja finalidade era a captação e canalização de recursos financeiros para o fomento e acessibilidade da população de baixa e média renda às diversas formas e manifestações da arte e cultura incluindo os folclores de cada um desses grupos sociais. Mas, desvirtuada nos seus objetivos mais nobres, a Rounet só serviu para engordar ainda mais as contas bancárias de artistas famosos, ideologicamente favoráveis às políticas do “sistema” vigente à época. Alguns estros até já residindo fora do Brasil e cujas apresentações restringem-se, em razão dos altos preços dos “ingressos”, exclusivamente acessíveis a bacanas endinheirados das classes A e B. Povo nem no galinheiro.

Estou maneta: apendicite supurado no Smartphone. O processo evolutivo de uma sociedade passa pela educação básica de boa qualidade e subsequente acesso a universidades e faculdades de ensino superior; pelo fomento da cultura em todas as suas formas de expressão, incutidas segundo o talento, a afinidade e preferência do educando; esportes, teatro, artes plásticas, literatura, música, etc. com fins à formatação do aculturamento e socialização de uma geração que refletira culturalmente sobre outras gerações subsequentes que advirão desse espelhamento. O momento sócio evolutivo da atual geração, dominada pelo imediatismo simplista informativo e a comunicação cibernética em pseudo-ideogramas, dos apps, viciantes, dos portais e plataformas, dos “influencers” etc. que mediocrizam o intelecto e causa afasia irreversível. As pessoas já não falam, porque perderam seus vocabulários para o smartphones, auto implantado como extensão onde antes existia a mão. Esse novo mundo interativo que robotiza o intelecto incute-nos o medo e o pavor de ter que reaprender a expressar-nos por “emoticons”, ideogramas idióticos  e figurinhas ou ainda, para complicar, lidar com os zeros e uns da linguagem binária. Estou velho para isso; deixa pra lá.  O Ultimo a sair, feche o Navegador e dê descarga, viu.



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