Um dia sem Rivotril

Se nos estagnamos indiferentes ao conhecimento, se acreditamos que já dominamos saberes suficientes para declinar todos os “verbos” inclusive, o intransitivo do “Existir” no presente do indicativo; se paramos de aprender, supondo já havermos atingido o ápice da sapiência e julgando que já nos abastamos à saciedade de doutos conhecimentos, coisa que nem os grandes sábios das ciências e filosofia conseguiram alcançar; é chegada a hora de procurarmos regularizar nosso Passaporte e solicitar um visto de entrada nalgum país de primeiro mundo, urgente.

Por: Mohammad Jamal.

Refiro-me a fixar residência e cidadania em um país, tecnológica, social, cultural, política e economicamente desenvolvido, com PIB, IDH ascendentes e promissores. Tipo Islândia; Hong Kong, China (SAR); Suécia; Cingapura; Holanda e (Países Baixos); Dinamarca; Canadá; Estados Unidos; Finlândia, etc. etc. e tal. Bem distantes dos índices medíocres de países da América Latina, dominados por quadrilhas políticas de esquerda e direita, gozando do apoio das Cartas Magnas Constitucionais desvirtuadas por PECs viciosas e convenientes legisladas em causa própria e mais a guarda e proteção da Justiça, que lhes assegura a permanência e retorno ao poder, à revelia dos crimes cometidos contra a economia do país e seu povo. Em sendo minoria aqui embaixo, não há razão alguma para ficar aqui gastando à toa a nossa combustível e farta sapiência sem a devida contrapartida social na escala do IDH.

Quem diz povo, diz muitas coisas: é esta uma expressão muito vasta, e fará espanto ver o muito do que ela abrange e até onde se estende o seu significado: há o povo que é o oposto dos grandes, e que é a populaça e a multidão; e há também o povo que é o oposto dos sábios, dos capazes e dos virtuosos, e, neste caso, tanto são povo os grandes como os pequenos. Os grandes governam-se pelo seu sentimento: almas ociosas, sobre as quais tudo faz de princípio, uma grande impressão. Se alguma coisa sucede, não falam senão disso, e falam demais, mas bem depressa começam a falar menos, e logo não falam mais, e mesmo nunca mais falam: a ação, conduta, trabalho, acontecimento, tudo é esquecido; não lhes peçam nunca nem correção, nem espírito de previsão, nem reflexão, nem reconhecimento, nem recompensa. Os juízos sobre certas pessoas vão aos dois extremos opostos; a sátira, depois de sua morte, é voz corrente entre o povo, ao mesmo tempo em que, nas abóbadas dos templos reboam os elogios fúnebres; muitas vezes, elas não merecem nem o libelo nem o discurso fúnebre: algumas vezes, porém, são igualmente dignas dos dois. No melhor resguardo do silêncio sobre os poderosos, haverá quase sempre alguma lisonja em dizer bem deles; e há perigo em dizer mal, enquanto vivem, e covardia, depois que morrem.

Nossa natureza é de tal modo afeita que os deveres comuns da amizade absorvam uma boa parte do curso de nossa vida; é razoável amar a virtude, estimar os belos feitos, reconhecer o bem de onde o recebamos, e muitas vezes diminuir nosso bem-estar para aumentar a honra e a vantagem daquele que se ama e que merece. Em consequência, se os habitantes de um país encontraram algum grande personagem que lhes tenha dado provas de grande previdência para protegê-los, grande audácia para defendê-los, grande cuidado para governá-los, se doravante cativam-se em obedecê-lo e se fiam tanto nisso a ponto de lhe dar algumas vantagens, não sei se seria sábio tirá-lo de onde fazia-nos o bem (#), para coloca-lo num lugar onde poderá malfazer; mas certamente não poderia deixar de haver bondade em não temer o mal de quem só se recebeu o bem.

É de Leonardo da Vinci este inteligente axioma: “A simplicidade é o último grau de sofisticação”. É importante saber que quando ele disse essa frase não estava se referindo apenas ao que fosse racional; operacional e prático. Ele estava se referindo, talvez, ao nosso comportamento e postura das pessoas sábias. Quanto mais sábia é uma pessoa, mais simples ela é, e opta por fazer tudo de maneira que não traga estresse, dificuldades, prejuízos e não gere conflitos, mágoas ou ressentimentos individuais nem coletivos.

Leonardo da Vinci morreu em 2 de maio de 1519, aos 67 anos, em Cloux, na França. E hoje, exatos 500 anos depois desse infausto dia em que faleceu ainda ao brilhar dos seus 67 anos, ouso dizer um contraditório: para a atualidade, um paradigma utópico, uma fantasia filosófica em estética e cores indescritíveis dadas o intenso e complexo vazio existencial predominante no mundo moderno cujo perfil, extremamente materialista, baliza-se sob a égide da Lei das Contrapartidas; na maioria das vezes, barganhas expertas, sem ônus algum, “compensação” sem nenhuma correspondência ou equivalência plausível. “هل تأكل جملي قمحك الأخضر؟ ماذا يمكنك أن تفعل ضد حيوان غير عقلاني “. (“O meu camelo comeu seu trigal ainda verde? Que pena. O que se pode fazer contra um animal irracional.”) Pois é, ou não? Há camelos soltos por aí. Protejam suas lavouras. Igualem-nos: Atirem neles sob a alegação de havê-los confundido com catetos e javalis.

A bofetada na cara aplicada pela mão suprema e absolutista dos seres deíficos, togados e assentados nos tronos do Olimpo judiciário, por isso, irrecorrível e irretratável, deixou zonzo um país; cambaleando em profundo e humilhante knockout. Mas o pior ainda está no porvir, imagino. A não ser que esmaguem, amputem as mãos e costurem a boca da pré-comatosa nação parcialmente derrotada dessa gentalha antes que e receba um despertar com providencial cold bath, um balde d’água nas fuças e se levante para um novo round de revide, pois O que assistimos passivamente nos transparece indícios de que um dos três poderes do Estado – há grande disputa por quem manda mais – está preparando o advento e implantação de um sistema absolutista totalitário judicioso em que o crime compensa no Reino de São Saruê! Criminosos “reempoderados”, fagueiros, ricos, sorridentes libertos por aí e o povão ressabiado, amofinado, rabo entre as pernas temendo as pregas do fiofó ante os repetidos e humilhantes berros de “teje preso” na Primeira Instância claro, sem direito a visitas íntimas, sexo toda semana; saidinhas franqueadas; progressão para mansões e coberturas, auxílio prisional, internet, entrevistas e participações em programas da “grobo”, sauna, cardápio a lá carte, dentre outros mimos numa cela ampla onde cabem 10, mas ocupada apenas por um educando. Repito: sem direitos, viu?



One response to “Um dia sem Rivotril

  1. Dos Países mencionados acima pelo meu Amigo, os únicos em que vale a pena “adquirir” residência fixa ou permanente são: Países Baixos (Holanda) e Dinamarca… Mas quem quer viver debaixo do gelo, o ano quase todo? Os que lá moram, querem sair de lá…

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